Resenha - Ringo Starr & the All Star Band (PNC Arts Center, Holmedl - NJ, 09/08/2001)

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Por Márcio Ribeiro
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Ringo Starr
Ringo Starr

Embora Ringo houvesse prometido se aposentar no final do ano passado, tocar é sua paixão, portanto aqui está ele, excursionando os Estados Unidos novamente. País este que sempre teve um carinho especial para aquele que já foi chamado na imprensa do passado de “o patinho feio dos Beatles”. Evidentemente que como todo empreendimento de grande escala, a excursão também está coincidindo com o lançamento do Box Set "Ringo Starr & The All Star Band - Anthology... So Far" que teve lançamento no dia 24 de julho, e que deve render ainda um DVD homônimo, com lançamento marcado para outubro.
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O show prometia ser uma confraternização de beatlemaniacos saudosos pela luminosidade mágica que só um beatle reluz. E de fato, o show inteiro foi em um clima calmo e agradável, como um piquenique, tendo boa parte do povo estirado na grama e curtindo prazerosamente. O PNC Art Center é um bonito e agradável anfiteatro construído em uma colina, permitindo boa visibilidade do palco, mesmo da última fila. Tem uma parte coberta com cadeiras e no lugar de uma arquibancada, oferecem o gramado da própria colina, a céu aberto. A casa estava repleta de crianças que, graças a um acordo promocional entre o PNC e a produtora representando Ringo, permitiu a entrada gratuita para menores de doze anos acompanhados dos pais. Isto reforçou ainda mais o ar relaxante e familiar que se fez sentir durante toda esta tarde de verão.

O show abre com "Photograph" sendo aplaudida de pé a entrada de um Ringo, aos sessenta e um anos de idade, que continua cantando bem, com sua voz caracteristicamente anasalada. Ele emenda em seguida com "Act Naturally", a primeira da noite entre aquele material considerado repertório Beatle, gerando ainda mais aplausos e cantoria do publico animado. Ringo é o eterno "boa praça", ideal para ser o mestre de cerimonias desta banda, que oferece uma pequena seleção de personagens famosos no meio musical.

Greg Lake e Howard Jones
Greg Lake e Howard Jones

O primeiro destes a apresentar um número seu, é ninguém menos que Greg Lake, que para o meu espanto, se aventura em apresentar um classico do progressivo, lembrando os tempos de sua passagem pelo King Crimson. A canção é "In The Court of The Crimson King", tema que deu origem ao nome daquela banda tão importante para o rock progressivo. A versão é bem executada, onde evidentemente a tecnologia do Ano 2000 contribui. Lake ainda cantaria mais duas canções, das quais somente "Lucky Man", grande hit do trio Emerson, Lake & Palmer nas rádios AM de então, iria causar a maior reação por parte dos presentes.

Roger Hodgson
Roger Hodgson

The All Star Band, nesta que já é sua sétima edição, tem em seu plantel, além de Greg Lake, os talentos do ex-Supertramp Roger Hodgson, que nos agraciou com ótimas versões para "The Logical Song", "Give A Little Bit" e "Take The Long Way Home", sendo possivelmente depois de Ringo, o mais festejado pelo público. A extremamente talentosa Sheila E, cuidando das percussões e assumindo a bateria enquanto Ringo vai à frente cantar, também tem seu momento no show com seu hit "Love Bizzare" e "Glamorous Life". Nos teclados, Howard Jones, que esteve muito na moda nos anos oitenta, oferece o seu sucesso de 1986 "No One Is To Blame". Mark Rivera nos sopros, volta para o escrete dos All Stars, depois de uma passagem na banda do Billy Joel. Embora ele não teve destacado um número para cantar, encantou todos com a sua versatilidade musical, tocando ora sax tenor, sax soprano, gaita, guitarra, teclados, congas, e ainda ajudando nos backing vocals. Por ultimo, destaca-se Ian Hunter, celebre membro do Mott The Hoople, que evidentemente ofereceu para o público "All The Young Dudes", canção hino daquela banda setentista. Sua voz não é mais a mesma que há vinte anos atrás, mas ele ainda consegue agradar.

Você pode estar pensando, "Puxa, e o Ringo? O que sobrou para ele?" e eu te respondo, em um show de duas horas e pouco, Ringo canta um total de doze musicas, cinco dos quais, repertório dos Beatles. Bem divididos em momentos espaçados, permitindo assim um descanso razoável para sua voz, Ringo cantou "Boys", "You're Sixteen", "Yellow Submarine", "I'm The Greatest", "No No Song", "Back Off Boogaloo", e "I Wanna Be Your Man", fechando o show com " It Don't Come Easy". Quanto a detalhes técnicos, o som estava perfeito, como normalmente acontece no PNC. Em dois momentos Ringo chegou a se queixar aos técnicos que o volume do baixo estava excessivamente alto para ele, porém para o público, o problema não chegou a incomodar.

Estando em pleno verão, e apesar do calor fenomenal, ainda mais debaixo dos holofotes, Ringo brinca com o publico, anunciando que... "normalmente eu e a banda deixaríamos o palco agora, aguardaríamos alguns minutos enquanto vocês (o público) enlouquecem, e voltaríamos em seguida. Porém está quente demais para isto, portanto eis o bis" que consistiu em apenas duas músicas, seguindo rigorosamente o programa de toda a excursão até aqui. A primeira, "Don't Go Where The Road Don't Go" de seu disco solo "Time Takes Time" lançado em 1992 e fechando a noite, o querido e antológico "With A Little Help from My Friends". A banda sai do palco e ao que consta, enquanto parte do povo ainda esta aplaudindo, Ringo já está subindo em uma van e seguindo direto para o seu hotel, evitando assim o trânsito. Enquanto eu me preparo para a minha odisséia da volta para casa, não posso deixar de reparar os sorrisos nos rostos dos demais, aguardando como eu o trem chegar. Ninguém está muito agitado. Estamos todos na paz de Ringo.

Beatle power - Yeah!

O repertório desta noite:

Photograph (Ringo Starr)
Act Naturally (Ringo Starr)
In the Court of the Crimson King (Greg Lake)
Logical Song (Roger Hodgson)
No One Is To Blame (Howard Jones)
Cleavland Rocks (Ian Hunter)
Love Bizarre (Sheila E)
Boys (Ringo Starr)
Give a Little Bit (Roger Hudgson)
You're Sixteen (Ringo Starr)
Yellow Submarine (Ringo Starr)
Karn Evil Nine (Greg Lake)
I'm the Greatest (Ringo Starr)
No No Song (Ringo Starr)
Back Off Boogaloo (Ringo Starr)
Things Can Only Get Better (Howard Jones)
Glamourous Life (Sheila E)
I Wanna be Your Man (Ringo Starr)
Lucky Man (Greg Lake)
Everlasting Love (Howard Jones)
Take the Long Way Home (Roger Hodgson)
All the Young Dudes (Ian Hunter)
It Don't Come Easy (Ringo Starr)

Bis:

Don't Go Where The Road Don't Go (Ringo Starr)
With a Little Help (Ringo Starr, Max Weinberg na bateria)

* Fotos do site oficial de Ringo Starr

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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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