Alice in Chains: O sofrimento brada súplicas ao Alto
Por Don Roberto Muñoz
Fonte: aliceinchains.com
Postado em 13 de maio de 2018
"Descansem o meu leito solitário
na floresta dos homens esquecida,
à sombra de uma cruz, e escrevam nela:
foi poeta, sonhou e amou a vida."
ÁLVARES DE AZEVEDO
O lugar mais próximo de Deus para o homem é estar plenamente plantado na Terra. O satânico mundo extra-terrestre não está para brincadeiras. "Solaris", by Tarkowski, 1972, apresenta o horror da vida dispensadora das bases.
Alice In Chains - Mais Novidades
Alice In Chains - Hollow
Antes, as Revoluções Americana e Francesa extirparam do humano ser o contato com o Espírito. Agora, imersos "teluricamente" num mundo pré-cibernético, via tecnologias, a humanidade crê no solo invisível do cyber espaço, imaginando que, no final das contas, ficará tudo dibôôa...
Sem Deus, sem terra, sem família. O que fazer? No íntimo colóquio com Deus o homem ultrapassa ruidosas comunicações. A súplica na clara expressão aparece nas encaradas de JERRY CANTRELL para os céus nos vídeos mais representativos da banda. Mas não há enfrentamentos, apenas a necessidade de um retorno sentimentalmente afetuoso. Mortal.
Alice In Chains - Them Bones
Sangra sentimentalmente o jovem aburguesado com "Lembranças de Morrer", by Álvares de Azevedo? Difícil tarefa, afinal, inebriado está o mancebo pela zona de conforto propiciada pela alavanca catapultada pelo business. Eis o maior poeta universalmente maldito nascido na Terra de Santa Cruz. Os dramas da morte não são poucos no horizontalizado respiro da matéria decomposta.
Álvares de Azevedo - Lembrança de Morrer
A Morte, desmembrado ser escondido sob negro manto, pacientemente espera na encruzilhada escolhida pelas Moiras. Por outro lado, Hölderlin percebeu a obliteração do panorama geral para grandes lances aristocratas ressuscitados pela Poética, pois Goethe rapidamente empunhou a bandeira da liderança burguesa a partir de então.
O poeta romântico desesperadamente buscava pelo religare no lirismo, em vão, face um novo mundo displicente para certas nuanças. Assim, recolheu-se na certa medida. Novalis, mais desaforado, arrebentou com Goethe doutra forma, no opúsculo "A Christandade ou a Europa", 1799. Infelizmente, não era mais um tempo realmente poético, já tinha virado moda.
Em "Rooster", som e vídeo, 1992, CANTRELL homenageia liricamente a virilidade aristocrata diante de uma guerra tradicionalmente desqualificada. Engraçado, diante de cenas de guerra, o burguês fica todo assustadinho. Mas no mundo laico, sim, construído por ele, sim, houve nada mais nada menos que duas guerras seculares com reverberações planetárias.
Alice In Chains - Rooster
A besta loura germânica reapareceu com o Reich, pois Fausto já tinha contatado a loucura demoníaca através de Mefistófeles. Claro, o Japão não ajudou na periclitante situação com seus arroubos aéreos vaidosos em Pearl Harbor, a gota d’água para a besta loura estadunidense levar a cabo a terrível tese atômica.
Vários "se" brotam no desespero argumentativo, fantasmas retóricos infernizando almas lapidadas pelo pântano diário da massificação comportamental em torno do antropocentrismo. É na fome pelo Poder do homem secularizado que seus olhos cegam para as radiantes interiorizações da vida. Introspeções fulminantes de LAYNE STALEY.
Alice in Chains - Died
Como espectador da vida, demonizado está o homem na passividade da poltrona cotidiana diante de seu objeto tecnológico pessoal, nos últimos tempos. Vale lembrar, até pouco tempo atrás, assistir "tvshows!" era algo completamente "in". Não para RON NASTY GALLETTI, que sempre teve tensas discussões com tal objeto em cena.
No final de "Hollow", videoclipe da banda, 2013, os olhos enegrecidos do astronauta apresentam o derradeiro movimento do diabolus no incêndio final. Por falta de contato íntimo fenecem os humanos seres. Como madeira seca, tornam-se os homens empalhados em vida, petrificados em vida, um monte de ossos, zumbis ambulantes, inapelavelmente.
O tempo destoa da intimidade familiar devido ao peso da gravidade ombreando-lhe a impaciência, logo, surge a vontade inaudita por novidades sensoriais no exato instante dentro do social. A vida caseira, intra-familiar, a dita "Home", é algo altamente perigoso para o modus vivendi atual, afinal, "the business is the beloved son of the New World Order".
O fatídico de "Elephant", by Gus vant Sant, 2003, não é novidade, vide a maior obra cinematográfica sobre o tema: "Rebel whithout a Cause", by Nicholas Ray, 1955. Os anseios humanos desligados estão da necessária calma e suavidade para o contato familiar, mas conectadíssimos ficam ad eternum com as brutalidades do convívio social.
Rebel Without a Cause (1955)
Mas como lidar o guri com a solidão, quando seus pais estão essencialmente compromissados com causas sociais? Pior, elites burguesas competitivas julgando valores comportamentais? Quem cuidará dos filhos de pais focados em "ganhar dinheiro"? Crianças educadas por babás? Antes fosse, agora, são educadas pela modernidade midiática.
A auto-exposição à morte jamais será algo pretendido por Deus. No ensaio "Meditação sobre a Morte", 1948, Vicente Ferreira da Silva apresenta impressionantes imagens sobre a questão. Agora, o mundo ocidental fareja faz algum tempo, fundamentalmente, o "comércio" acima de tudo.Não preocupa-se com detalhes sentimentais, meras idiossincrasias individuais.
Alice In Chains - The One You Know
O lirismo do ALICE IN CHAINS reafirmado foi na sagaz musicalidade de "The One You know", new single 2018. CANTRELL afina angústias para um tipo interiorizado de homem derramar as suas lágrimas enquanto o gelado Vento do Norte não afaga a sua nuca. A banda rasgou o véu do templo por meio da poética existencial. Como fugir dos passos da morte quando ela mesma persegue-te?
O profeta brada solitariamente no deserto, ao passo que o poeta sangra solitariamente sob o luar. Na junção de ambos surge o clamor poético denominado ALICE IN CHAINS. Tônica devocional exposta na urgência sonora, comunhão na lírica face para quem não perdeu o contato com os Primórdios.
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