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Edu Falaschi 2026

Motorhead: Lembrando quem foi Philthy Animal Taylor para mim

Por
Postado em 16 de janeiro de 2018

Meu amigo de face, o Cassius Barbosa, lembrou que agora toda a fase clássica do Motörhead está no Inferno (rs), só para citar um álbum da fase posterior.

Pois é, realmente. Também o Animal Taylor tinha ido embora - mas eu não tinha escrito nada sobre ele, ao menos aqui.

Notem que a tradução é animal nojento, para o Taylor. Nada mais injusto. Ele não devia tomar banho, é certo. Mas não era nojento, era só animal.

O Philthy era um sujeito como vários amigos meus da época de teatro. Um sujeito duro, pequeno, agressivo e nojento. Sem ligar a mínima para os outros. Mas apesar de tudo isso um gentleman.

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Tem vários amigos meus, como ele, que lutam. São sujeitos nos quais você se aproxima com cautela. Sujeitos que bebem um pouco e te mandam uma garrafada de uísque na cabeça. Sujeitos que você precisa domar, de alguma forma.

Sujeitos como o Philthy são leais, mas traiçoeiros. Coisa que somente eles conseguem ser. Leais porque sabem o seu lugar. Traiçoeiros porque sabem o seu lugar.

Philthy deixou sua marca no heavy metal - os pedais duplos. Deixou também impressões impagáveis, das quais só ele se lembrava, na gravação de clássicos como o LP Ace of Spades.

Era também um sujeito incômodo. Falando coisas que o Lemmy não queria ouvir. Fingindo que não atrapalhava. Quando ele queria mesmo era atrapalhar. Ou brigar por algum motivo fútil.

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Se o Philthy não tivesse existido, alguém teria que tê-lo inventado. Um sujeito como aquele não existe duas vezes no mundo. Um cara que me é até mais querido que o próprio Lemmy. Um sujeito humano.

Sim, Cassius Clay, agora estão todos lá no inferno. Nunca mais se beberá da mesma forma. Satã deve estar adorando.

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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.
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