Sex Pistols: A qualidade que o senso comum não percecebe
Por Juliana Vannucchi e Gabriel Cavalcanti
Postado em 01 de março de 2017
O Sex Pistols sempre foi alvo de controvérsia. Mas a maior parte das críticas direcionadas à banda, são essencialmente vazias e desprovidas de justificativas e embasamentos históricos. Há de se levar em conta inúmeros fatores que nortearam o surgimentos da banda (contexto político, social, ideologia, aspectos musicais da época, objetivo da banda, etc).
No entanto, aparentemente, a maior parte das pessoas que ataca o Sex Pistols com clichês, tais como dizer que eles são mero "produto comercial" ou que são uma "farsa da música", esquecem-se de considerar em suas críticas, vários detalhes importantes sobre a banda. Dificilmente alguém menciona/recorda/conhece/considera, por exemplo, o fato de que as letras ácidas do Sex Pistols criticavam árdua e diretamente a rainha da Inglaterra que, até então, era odiada por muitos cidadãos, embora quase ninguém se atrevesse a enfrentá-la ou tampouco, dirigir-se a ela. A apatia pela monarquia e pelos valores conservadores foi uma marca explícita da banda. Logo, se há algo que pode ser considerado válido no Sex Pistols, é o cunho político e social das composições. E é válido ressaltar que quando se avalia um objeto (artístico, por exemplo), há de se considerar seus inúmeros elementos, e não apenas detalhes tendenciosos específicos.
Como consequência da bagagem de suas letras, a banda foi notável porta-voz de uma nação. Podemos considerar o seguinte fato como prova disso: na época do lançamento de "Never Mind The Bollocks, Here Is Sex Pistols", o governo britânico proibiu a venda do álbum, de forma que adquirir um exemplar era praticamente contrabando. É o que costuma acontecer quando o poder é afrontado diretamente, e quando há uma arte potencialmente capaz de tirar os indivíduos de suas zonas de conforto.
E claro, quando se fala sobre o Sex Pistols, não pode passar branco um detalhe valioso: a banda nunca quis ser brilhantes em termos técnicos. E um dos principais motivos para a banda ser tão odiada é exatamente devido a tal fato, pois a simplicidade provocativa e proposital tornou-os alvo de ataques por parte de músicos e críticos de cunho conservador e ortodoxo. Entretanto, atingir as pessoas, era exatamente o objetivo do minimalismo da banda. Há uma entrevista na qual Johnny Rotten afirma que o principal objetivo dos Sex Pistols era acabar com o Rock, e quando eles perceberam que estavam se tornando uma moda desse próprio gênero musical, eles se separaram.

Logo, os clássicos ataques do tipo: "mas eles só tocam três acordes", "mas eles são minimalistas", praticamente perdem qualquer sentido lógico considerável. O Punk Rock nasceu como uma ressaca do Rock Progressivo. Todo o movimento Punk provou e tentou mostrar objetivamente que três acordes podem ser suficientes para se criar música e até mesmo para se obter sucesso. Assim, é preciso levar em conta a intenção conscientemente objetiva do Pistols.
E um detalhe válido: os membros iniciais da banda (Johnny Rotten, Paul Cook, Steve Jones e Glen Matlock) eram típicos rebeldes críticos da realidade que os cercava no contexto da época. Eles carregavam uma ideologia, eles estavam frustrados por causa da quantidade de lixo que havia pelas ruas de Londres e também se sentiam descrentes devido ao alto índice de desemprego que permeava pelo país. E nada disso foi uma farsa, era apenas a maneira como pensavam e se comportavam.
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Portanto, para criticar ou se posicionar em relação a qualquer coisa, é necessário embasamento reflexivo/argumentativo e desvinculação com qualquer tipo de especulação provinda do senso comum. Dizer o que todos dizem é inércia. É preciso, no mínimo, considerar os inúmeros aspectos acima considerados antes de afirmar falaciosamente que o Sex Pistols é ruim.

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