Whitesnake: Como uma garota extremamente gostosa me fez gostar da banda

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Por Rodrigo Contrera
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Com meus quase 50 anos, eu ouço falar (e ouço por aí) Whitesnake desde moleque. Mas a banda nunca me convenceu. Pelo menos nunca, até agora, até recentemente. Quando uma garota literalmente invadiu a minha vida e fez com que eu me apaixonasse por ela - e pela banda.

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A paixão pela garota vai assim, mais ou menos. Mas aos poucos, no caso da banda, vou percebendo mais detalhes, mais acepções, e mais motivos para gostar até mesmo daqueles vídeos latin-lover do David Coverdale. Pois a paixão pela garota meio que fez com que eu percebesse que por detrás do jeito ensimesmado de um Coverdale tem mais do que simplesmente uma banda heavy mais ou menos brega.

Nos anos 80 e 90, eu acabava encarando a banda meio que sem querer. Eu via os programas de tv pop da época e esperava pelos vídeos das bandas de que eu mais gostava - que eram de heavy metal mesmo, mais Iron Maiden mesmo. Mas de vez em quando aparecia o Whitesnake. O jeitão da banda não me agradava muito. Talvez porque eu nunca tivesse sido muito bonitão, e não pudesse jamais posar de um Coverdale. Ou porque aquele jeito de cantar era excessivo, não no sentido do Lemmy, mas portentoso demais. Muito latin-lover. Ou porque eu não gostasse daquele tipo de garota que aparecia nos vídeos da banda. Não sei. Sei apenas que eu não gostava tanto assim daquela banda para ouvi-la quando aparecia, ou para comprar seus LPs ou CDs. Era uma banda que eu conhecia de vista. Isso, claro, durou até eu conhecer esta garota.

A história aqui é simples, e não irei ser indiscreto. A garota em questão é uma vizinha (mora no mesmo prédio e é conselheira do condomínio como eu). Eu a conhecia há bastante tempo, talvez uns dois anos, e só bastante recentemente descobrira que ela era mãe de um garoto de 10 anos. Ela é enorme, grandona, e tem uns peitos volumosos. Como aquariana, é devidamente reservada, mas quando em público tende a falar alto, a fazer certo barraco quando algumas questões estão envolvidas, e de vez em quando a se meter em questões que mal consegue resolver. É de origem norte-americana, então tem um tórax enorme, umas pernas longuilíneas que nem modelos, e uma bunda relativamente pequena, que nem as modelos norte-americanas. É atualmente loira, e chama muita atenção por onde passa. Em suma, o tipo de mulher que eu NUNCA imaginei fosse dar em cima de mim. Mas foi o que aconteceu.

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Eu estava envolvido com outra garota, baixa, branca, de cabelo preto, e bastante inteligente. Mas envolvido de forma tal que eu quase estava pirando com ela. A gente não se entendia. Ela insistia em me criticar por coisas em que eu tentava melhorar, eu começava a descuidar de minha vida por causa dela, e - com problemas psicológicos (refiro-me a mim) - eu estava literalmente começando a pirar com essa garota. E mais, eu expressava essa minha piração em posts no facebook. Eu saía bastante, fazia peças de teatro, tentava lidar com a vida, mas no geral eu estava perdendo literalmente a compostura. Me descuidava com a família, não conseguia pagar as contas e a garota lá, me pirando.

Até que uma noite, após mostrar como estava preocupada comigo (mas de forma sutil), a loira literalmente invadiu meu apartamento. Veio falar comigo, conversou e eu entrei em parafuso. Eu estava entrando em síncope pela primeira garota, e a loira, norte-americana, aguentou bem a parada. Saímos, bebemos e rolou um negócio leve. Mas um negócio leve após o qual eu estava distante da primeira garota e esta, a loira norte-americana, vinha o tempo todo em casa para, digamos, "lidar" comigo. Foi fogo.

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Mas este post não é sobre o que aconteceu, mas sobre rock. Pois aconteceu que, em meio a essas andanças comigo, a garota me reapresentou o Whitesnake. Mas não da forma tradicional, com as músicas mais conhecidas. Claro, ela me mostrou as músicas mais conhecidas também, me mostrou como ela gostava da banda, e tal. Mas, mais que isso, me fez procurar incessantemente um CD em especial que ela tinha mas que tinha se "perdido" que tanto falava a seu coração: Starkers in Tokyo.

Pois então. O Lemmy tem várias passagens na carreira em que tira sarro da postura, da imagem e mesmo de declarações de David Coverdale. Mas a garota e eu encontramos o cara neste show que deram, que a banda deu, para uns pontos fãs japoneses, numa forma que eu sinceramente admirei profundamente. Pois foi ali que eu conheci a garota. Que eu percebi como ela funcionava, digamos assim. Que eu percebi seu jeito romântico, e seu jeito de ser. E foi assim que eu passei a entender o Whitesnake de outra forma. Hoje, eu encaro a banda com bastante respeito, sabem. Porque sei que ela não condiz apenas com um jeito latin-lover, mas com um jeito ensimesmado de homens que sentem mas que cumprem um determinado papel.

Hoje meu relacionamento com ela está indo. Somos bons amigos, de vez em quando nos visitamos, somos bem próximos e não sei como tudo irá se resolver. Eu sinto que amo a garota mais do que amei muita gente em minha vida, e que a conheço melhor do que quase todos os caras e mulheres do prédio. Ela me respeita muito, e nos entendemos como eu jamais imaginaria que iria me entender com alguém. Ela tem até a chave do meu apartamento, para vocês terem uma ideia. E ela continua a mesma, linda e fagueira, como aquelas garotas dos clipes dessa banda, maravilhosa, com peitos que eu já curti, com um corpo maravilhoso e forte de mulher que eu jamais imaginei que pudesse conhecer.

São as idas e vindas da vida. São as mulheres. São as mulheres que nos apresentam as bandas, e que vão e vêm, e cujas bandas ficam. Vai entender. A vida é um enigma.




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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.

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