Angra: De quem é o direito de fazer a Holy Tour 2016?

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Por Luizim Marques
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Muito tenho acompanhado as discussões sobre quem é o autêntico detentor por direito de realizar a turnê comemorativa do Holy Land, um divisor de águas na carreira do Angra e, por tabela, em todo o Heavy Metal brasileiro. Não sou um colaborador assíduo do whiplash.net, mas senti a necessidade de compartilhar algo por aqui, pois esse assunto, passados quase 20 anos da cisão, ainda causa sentimentos controversos em todos os envolvidos: Matos, Angra e os fãs.

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1°- Sobre Andre Matos não querer se reunir ao Angra:

Minha primeira observação é sobre o perigoso argumento que muitos estão utilizando. Que o Andre Matos deveria participar da turnê, deixar de mimimi, etc. Pensar assim é ser muito leviano. Do jeito que falam, parece que estamos presenciando o reencontro de dois ex-alunos de um colégio qualquer e que não se aturavam; Porém, com o passar do tempo, a amizade pôde ser desenvolvida muito tempo depois, pois nem eles lembram por qual motivo se odiavam.

É preciso entender que esse não é o caso. Angra e Shaman (sim! Mariutti e Confessori, também) se recordam perfeitamente da situação que culminou na cisão do grupo. E é exatamente esse o ponto. Eles lembram, ao passo que nós nunca soubemos o que de fato houve. Sabemos vagamente que Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt escolheram o lado do empresário da banda, enquanto Andre Matos quis, de acordo com a versão mais forte, a banda para os músicos, inclusive para si. Queria ser o próprio patrão juntamente com os outros. E nesse processo houve um desgaste inevitável, justamente numa época que a banda estava ganhando o mundo, inclusive com endorsamentos notórios, como o de Bruce Dickinson.

Mariutti e Confessori estão aparentemente de boa, agora. Matos, não! E é um direito dele.

Todos sabemos que hoje é, na prática, uma causa perdida tentar reunir Angra e Andre Matos. E a coisa não melhorou depois que houve a cisão do Shaman e posterior reunião de Ricardo Confessori com o grupo original, no início dessa década. Some a isso comentários atravessados de ambos os lados, como "o Angra deveria acabar" ou "aquele vocalista moreno que nos atrapalha". Tudo isso nos dá um indício fortíssimo de que a coisa de fato rendeu muito mais do que o que foi dito para o público.
Para quem tem banda, sabe que o rito de administração é similar a um namoro. E quando se fala em lucro profissional, esse namoro vira casamento. Com 5 pessoas dentro mais o empresário, se o grupo não for unido o suficiente e todos não quiserem a mesma coisa juntos, essa relação fica impraticável e uma hora se exaure. Foi exatamente o que aconteceu, sem tirar e nem por.

Então, não condeno que um ou outro não queira se reunir. Assim como também não condeno que queira, pois, por mais difícil que seja, as vezes é possível, mesmo que não se gostem. Exemplos não faltam. O Deep Purple é muito maior e, no entanto, até mesmo o difícil Ritchie Blackmore se reuniu com o também nada fácil Ian Gillan, nos idos dos anos 80... e foi iniciativa dele, Ritchie! E vimos recentemente Confessori tocando com o grupo anos atrás, bem como a reaproximação de Luis Mariutti com Rafael Bittencourt. Então, nunca diga nunca!

Mas quem tem direito de exigir isso? Fazer pelos fãs? Imagina você trabalhando em uma empresa ao lado de alguém que você não suporta anos a fio? É possível? Sim! Mas é absolutamente uma escolha SUA! O mesmo pode ser dito para uma banda do porte do Angra, que deixou de ser sonho de adolescente há muitos anos (e se é que um dia foi!). O Angra, como toda banda profissional, é uma empresa. E em uma empresa, o chefe escolhe quem trabalha para ele. Cabe ao empregado dizer se aceita ou não. E eles não fazem isso por ninguém, por fã, por amigo, por namorada. Eles faz isso por eles mesmos, já que o objetivo de toda empresa, empregado, empregador e banda profissional é irremediavelmente o mesmo (e aí me desculpem quem não precisa ralar todo dia para pagar contas): gerar rendimentos.

Lógico que se você pode evitar situações bizarras como estar do lado de quem você não suporta mais, é melhor para você,para sua vida e saúde, não?

Então, absolutamente, essa decisão não está em nossas mãos. Está nas mãos deles. Só podemos torcer. Não podemos exigir.

2° Sobre quem deveria tocar as músicas do Holy Land:

Ao olhar com cuidado o encarte do disco, notamos que a maior parte das composições são, de fato, do Andre Matos. Então ele capitaneou todo o disco.

Mas... eu nunca achei isso muito justo, sabe? Afinal de contas, eu não imagino o Andre Matos desenvolvendo o Riff de Nothing to Say, ou fazendo o solo de Z.I.T.O, ou tocando o forrozinho feito pela cozinha em Carolina IV, da mesma forma que não imagino que o Jesus tenha feito as letras e também não imagino o Kiko Loureiro compondo aquelas linhas vocais.

O que quero dizer é que uma banda é um organismo vivo. Que para cada saída de integrante, ela se refaz de uma maneira diferente, com sonoridade diferente. O mesmo para as músicas.

Sei que tem muito entrave legal por aí, A devendo para B por causa de direitos autorais, mas, em um mundo perfeito, as músicas deveriam poder serem praticadas livremente por qualquer um que tenha ajudado em seus respectivos nascimentos. Dessa forma, acho justo, tanto Angra quanto Andre Matos fazerem a turnê.

3° Meu desejo:

Bom... eu sou fã do Angra desde 1996. E acho que, após muitas idas e vindas, a banda se desfigurou, mesmo. Eu nem considero o Andreoli como um membro "novo", pois ele já está lá por mais tempo que Mariutti passou. Ele merece esse cargo. Achei que o Fabio Lione funcionou por um tempo e talvez ainda funcione por mais tempo. Mas eu fiquei um pouco assim quando o Bruno Valverde entrou. Bom, na verdade, quando o Confessori saiu (pela segunda vez). Não estou discutindo aqui quem é melhor tecnicamente porque não tem discussão. Mas imaginem vocês: tão legal quanto ver o Matos cantando essas músicas, é ver o Confessori tocando elas, também. A bateria do Holy Land é o que é por causa dele. Bem mais simples do que as atuais levadas do Bruno, mas também não precisariam de mais complexidade do que já tem, do que de fato são. Foi um belo trabalho.

De tudo e todos, acho que a situação mais complicada é a do Kiko Loureiro, por causa dos serviços prestados ao Megadeth, vez por outra sendo substituído pelo excelente Marcelo Barbosa. Só que, com a paciência do fã cada vez menor com essas permutas, em uma era em que o mercado da música, sobretudo o do Metal, se torna mais e mais canibal e se ressentindo de força e de união, infelizmente, eu não vejo esse preenchimento de lacuna como solução para o problema. Ao contrário! Cria-se outro. O de identificação com o fã.

Meu desejo seria ver todos reunidos e levantando o nome da banda mais uma vez:

Matos, Mariutti, Bittencourt, Loureiro e Confessori (+ Leck Filho ou Fábio Ribeiro), despertando o gigante adormecido em 1999.

Virtualmente, isso será impossível. Pois então, que sejam felizes cada um à sua maneira e que, na medida do aceitável, respeitem-se. E que os fãs respeitem seus caminhos.

Para o Angra, apenas fica a dica: estabilizar de vez a formação.

Espero interpretações fantásticas desse essencial disco na carreira de uma das grandes bandas do metal brasileiro das duas partes. E isso, pelo menos, é uma esperança possível, dada a qualidade das duas bandas!

Que venha a Holy Tour (Reloaded!)

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Post de 31 de julho de 2016

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