Monsters of Rock: O que as mulheres pensaram sobre o festival?
Por Pedro Zambarda de Araújo
Fonte: Brasil Post
Postado em 06 de maio de 2015
Fui ao Monsters of Rock, entre os dias 25 e 26 de abril, ver uma seleção de bandas de peso: Ozzy Osbourne, Kiss, Judas Priest, Motörhead, Manowar, BlackVielBrides, Accept, Rival Sons, Unisonic, Coal Chamber, Yngwie Malmsteen, Primal Fear e Steel Panther. E o que estes grupos têm em comum?
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Exceto pelo Coal Chamber, todas as bandas de rock pesado presentes lá são formadas por homens.
Resolvi então ir até o festival com algumas perguntas em mente: Será que as mulheres se identificam com o estilo mesmo com pouca representação feminina? Elas acham o metal machista? O estilo musical está mudando ou continua muito conservador?
Conversei com "minas" com opiniões completamente diferentes durante o festival sobre seus roqueiros pesados e "cuecas". Confira logo abaixo.
"Você está sozinho no festival, por que eu não posso também estar?"
Marina tem 25 anos e veio sozinha para o Monsters of Rock direto de Florianópolis. "Não achei companhia, fazer o quê? Estávamos na fila para entrar com cinco caras que conhecemos lá e já perguntaram se estávamos com eles. Se você, que está me entrevistando e é homem está sozinho no festival, por que eu não posso estar?", ela me perguntou. E, honestamente, não há uma resposta.
"O estilo é meio machista e bandas mais agressivas como o Motörhead tendem a agradar mais os caras. Tem muita mina que gosta de rock e metal, mas muito cara é preconceituoso com isso. Se uma mulher está no show, ela acha o vocalista bonito ou é namorada de alguém. Isso é muito escroto", disse a amiga dela, Juliana, que tem 27 anos.
Outra entrevistada se empolgou com as minhas perguntas. "Você vai falar sobre feminismo? Gostei da ideia. Mas acho que a gente tem que considerar que existem mais bandas diferentes. No entanto, as bandas antigas não tinham essa diversidade de hoje. O machismo era ainda mais forte antes, mas o público feminino pouco mudou, mas as minas mostram mais a cara", me contou a jovem de cabelos claros Camila (24) ao lado da amiga Vivian (24). Elas acham que cada vez mais as mulheres estão comparecendo independente dos homens e, embora estivessem com amigos, me disseram que viriam sozinhas ao Monsters de qualquer jeito.
"O rock sempre foi masculinizado, mas desde um tempo em que a mulher tinha pouca força. O Monsters of Rock é o espaço das bandas clássicas, então é normal que tenha mais caras. No entanto, eu ainda acho o estilo musical muito machista", contou Danila, que tem apenas 23 anos e usava uma camiseta branca do Black Sabbath, a primeira grande banda do roqueiro Ozzy Osbourne.
"O metal naturalmente atrai mais homens"
No entanto, outras mulheres discordaram sobre o caráter misógino do estilo musical. Maria Carolina (30) pensa mais desta forma. "Não me sinto pouco representada. Não é um estilo que representa gênero, mas um estilo de vida que atrai homens. O metal naturalmente atrai mais homens, mas não significa que as mulheres são proibidas. Eu pelo menos não me sinto assim. E, por isso, naturalmente tem menos bandas femininas. Não acho necessária uma bandeira feminista neste estilo", disse. Ela gosta mais de vocalistas mulheres no hard rock.
"Existem bandas boas com meninas na história do rock pesado e infelizmente elas não estão aqui, mas eu, como mulher, não vejo problema nisso. Se o metal é meio machista, talvez eu também seja, então. Acho que não é assim e as mulheres representam o estilo até no heavy metal nacional. Não é questão de estilo, é só um tipo de música", concluiu Paula, que tem 28 anos.
Metal, moda e feminismo
Lari Maza tem 26 anos, é formada no curso de Moda da Faculdade Santa Marcelina e, desde dezembro de 2013, montou sua própria loja e linha de roupas HauteXtreme. Ela teve sua primeira oportunidade desde o lançamento do negócio para vender seus produtos no festival de heavy metal. As roupas que ela confecciona são a chamada "moda dark feminina" e muitos dos metaleiros se identificaram no local. Ela esgotou a distribuição de cartões e vendeu alguns produtos.
E ela falou um pouco sobre comportamento das mulheres e a necessidade de feminismo entre os chamados headbangers (metaleiros). "É muito difícil que uma banda com uma mulher no vocal que não seja gata faça sucesso. Já entre os homens, mesmo se o cara for horroroso chove várias groupies neles. Uma banda como Halestorm é grande e está em evidência na mídia, mas é menosprezada por algumas pessoas por causa da cantora Lzzy Hale. Teve gente que me disse que ela é comercial demais", falou Larissa. A empreendedora é tão próxima do seu negócio que memoriza o nome dos clientes que já compraram roupas e conversou com muitos deles no festival.
Lari Maza lembrou como Joan Jett, Lita Ford e Doro Pesch foram mulheres desbravadoras nos anos 70 e 80 para tornar o rock mais acessível ao público feminino num ambiente mais masculino. A estilista que vende roupas femininas na internet também falou em entrevista que era a única menina a jogar na mesa de RPG em seu grupo de amigos, sobre poucas personagens mulheres nos videogames e um pouco sobre machismo na própria moda.
"Muitas lojas acham que apenas adaptando camisetas de bandas dos homens para mulheres é suficiente para que elas se identifiquem com o estilo. É por isso que a minha loja choca algumas pessoas que pensam só assim. Aqui você vê vestidos, saias e outros adereços tipicamente femininos voltados pro público dark. É este tipo de identificação que as mulheres não tem muitas vezes e em muitos meios", concluiu Maza.
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