Vamos admitir sem hipocrisia: não há banda nova que preste

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


5000 acessosDrogas e Álcool: protagonistas nos piores shows de grandes astros5000 acessosCovers: quando bandas de Heavy e Power Metal prestam tributo

Por Scott Rowley da Classic Rock Magazine.

O LED ZEPPELIN voltou. Os STONES tocam na O2 Arena. A formação original do STATUS QUO [aka ‘The Frantic Four’] sairá em turnê ano que vem. A lojas de discos estão repleta de álbuns novos do KISS e do AEROSMITH [bem, ela estariam, caso ainda existissem]. Algumas semanas atrás, JEFF LYNNE tinha DOIS álbuns no TOP 10.

Se isso tivesse ocorrido poucas semanas atrás, teríamos chamado o mês de ‘Rocktubro’, e insistido que todo mundo deixasse o cabelo crescer para fazer um mullet para se preparar para ‘Movembro’. Mas só rolou agora, coincidindo convenientemente com o [evento de premiação da revista inglesa] Classic Rock Roll of Honour, na mesma época do ano quando sempre se faz a mesma série de perguntas:

1] Não seria o caso dessas bandas antigas se aposentarem todas e deixarem que as novas se destaquem?

2] Todas essas reuniões – é só pela grana, não é?

3] Você pode me apresentar para Jimmy Page?

A resposta para todas essas perguntas é ‘não’. Bem, à exceção da 2, pra qual a resposta é CLARO QUE É PELA PORRA DA GRANA!

Considere a seguinte análise: ninguém mais ganha dinheiro com a venda de música gravada. As bandas que estavam acostumadas com a chegada de um belo e polpudo cheque de royalties todo ano de repente viram ser substituído por um cheque do Spotify e do YouTube, de cerca de uns 150 reais. Isso não paga nem pela conta do serviço de quarto delas, muito menos para manter as filhas no Jimmy Choos ou pela manutenção de uma casa na Costa Rica. “Mas elas já não são ricas o suficiente?”, eu ouço você gritar. Pelos padrões comuns, sim. Mas é igual pra todo mundo: quando sua despesa é maior que sua renda, você fica com medo. Austeridade? A maioria dos astros do rock acha que isso é nome de algum grupo holandês de prog.

Enquanto isso, sair em turnê nunca foi tão lucrativo e o apetite para ver bandas ao vivo nunca foi tão grande. Há mais festivais competindo pelos mesmos artistas e isso empurra os cachês para cima. Estórias sobre bandas que cinco anos atrás estava pedindo 750 mil reais para tocar num festival e agora pedem 2 milhões abundam. Há boatos de que quando o AC/DC tocou no Download Festival alguns anos atrás, eles receberam 9 milhões de reais. Dizem que os Rolling Stones estão fazendo 52 milhões de reais por quatro shows. 13 milhões por show. Isso é o que recebem por uma noite de trabalho.

Então será que as bandas antigas deveriam sair do caminho e deixar que as bandas novas entrassem? Hm, não. As bandas mais jovens deveriam estar chutando as mais velhas pra fora da estrada, fazendo com que elas parecessem irrelevantes, superando-as no palco e nas composições. O rock n’ roll é uma meritocracia. Nós reclamamos de Paul McCartney fechar as Olimpíadas com mais uma execução de ‘Hey Jude’, mas quem tem músicas melhores para entrar no posto? Qual banda nova tem um desses hinos instantaneamente reconhecíveis, inegáveis e capazes de unir um país dos quais todo mundo sabe a letra? Com certeza não é o caso de Dizzy Rascal, Frank Turner ou o Arctic Monkeys, com certeza.

Para colocar isso de outro modo, ninguém sugere que deixemos de ler livros antigos ou assistir filmes de outrora. Escreveram-se muitos livros desde os dias de Jane Austen, Charles Dickens e Ernest Hemingway, sem falar em Jack Kerouac, Norman Mailer e Sylvia Plath – e por acaso sugerimos que esses clássicos sejam considerados obsoletos com a chegada da mais nova trupe de escritores da moda? Por acaso ‘Butch Cassidy & The Sundance Kid’ virou uma bosta com o lançamento de ‘Os Vingadores’? Por que Billy Connolly não faz as pessoas pararem de rir? Annie Leibovitz deveria dar um tempo com aquelas fotografias? E o que rola com Frank Gehry e todas aquelas porras de edifícios? DEIXA PROS OUTROS TAMBÉM, FRANK! [Desculpa. Exaltei-me um pouco. Mas você entende do que eu falo.]

Há uma tendência a se patronizar bandas novas: “Ah, os pobrezinhos não conseguem uma chance hoje em dia”. A revista-irmã da Classic Rock, a Prog, fez sua primeira premiação no verão passado e eu estava sentado com o MARILLION, uma banda detestada quando o tema é ser ‘cool’, mas que na verdade foi pioneira do modelo ‘custeado pelos fãs’, quando os apreciadores da banda pagam adiantado por um disco [como no caso do Pledge Music/Kickstarter].

“Obviamente o Marillion foi inovador”, eu disse para o vocalista da banda, STEVE HOGARTH, “Mas ajudou o fato de vocês já terem um público que pudesse viabilizar isso. O que as bandas novas e jovens podem fazer?”

“Eu te digo o que elas podem fazer”, disse Steve. “Elas podem ser brilhantes.”

No começo desse ano eu fui convocado pela ‘polícia indie’ da estação Radio 5 para falar sobre os artistas do Festival de Wight [TOM PETTY, BRUCE SPRINGSTEEN e os iniciantes do PEARL JAM]. Eu expliquei que, ao contrário do que algumas pessoas acreditam, somos grandes apoiadores de músicas novas na Classic Rock Magazine. Mas, se eu tivesse que ser honesto, nenhuma das bandas novas que exaltamos recentemente compôs músicas no naipe de ‘Whole Lotta Love’ ou ‘The Boys Are Back In Town’. Eu não ouvi uma nova ‘Walk This Way’, ‘We Will Rock You’ ou ‘Jumping Jack Flash’, muito menos uma ‘London Calling’, uma ‘Going Underground’ ou uma ‘Sex And Drugs And Rock N’ Roll’. Nem um cheiro de ‘Smells Like Teen Spirit’ ou sinal de uma ‘Motorcycle Emptiness’.

É verdade que os tempos mudaram – em nosso mundo de vários canais, rádio DAB, YouTube, Spotify e Soundcloud, sem os [programas da TV inglesa] Top of the Pops ou uma parada Top 40 sobre a quais tenhamos noção – é mais difícil de alcançar o mesmo tipo de massa crítica que propulsionou aquelas músicas ao status de clássico… só faltam ‘AS’ músicas.

O novo editor musical da NME me pediu para elaborar sobre isso. Para ele, ‘AS’ músicas existem. Por exemplo, ele comentou sobre uma banda nova chamada Milk Maid cujas canções são isso e aquilo.

O DJ foi gentil e tocou algo deles para nós.

Foi ISSO que ouvimos:

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Não digo mais nada.

Por que destacamos matérias antigas no Whiplash.Net?

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, nos links abaixo:

Post de 10 de novembro de 2012
Post de 14 de novembro de 2012

0 acessosTodas as matérias da seção Opiniões

Drogas e ÁlcoolDrogas e Álcool
Protagonistas nos piores shows de grandes astros

CoversCovers
Quando bandas de Heavy e Power Metal prestam tributo

RammsteinRammstein
"Se alguém rir das gordinhas, eu quebro a cara dele!"

5000 acessosAs regras do Thrash Metal5000 acessosFotos de Infância: Arch Enemy5000 acessosVH1: 100 melhores músicas de hard rock de todos os tempos2964 acessosNa teoria: e se álbuns Black e Death virassem livros infantis?5000 acessosA Vida Pós-bilau: vocalista do Life of Agony abre o jogo4057 acessosTecnologia: quanto mais tempo durarão os downloads de música?

Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

Mais matérias de Nacho Belgrande no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online