Santana foi o dono da festa no Grammy

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Por Marcos A. M. Cruz
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Fevereiro foi um mes "supernatural". Quem pode comprovar isso é o guitarrista mexicano Carlos Santana, que saiu do 42º Prêmio Grammy com 8 dos 10 prêmios indicados. O disco Supernatural obteve excelentes comentários entre público e crítica musical, prevendo a festa de hoje. Apesar deste brilho mais rocker, artistas da música pop também marcaram presença na noite de 23 de fevereiro.

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Will Smith, Jennifer Lopez, David Duchovny (o Mulder do Arquivo X) e Sting apareceram na festa, comandada pela atriz Rosie O'Donnell. Foram entregues 98 gramofones dourados, os símbolos do evento. O Brasil marcou presença em dois momentos, com Dori Caymmi na categoria de melhor arranjo instrumemtnal pela nova versão do tema da Pantera Cor-de-Rosa e Caetano Veloso como artista de world music e seu livro vivo.

Antes de analisar o evento, é bom ressaltar é o caráter comercial do prêmio. Assim como o Oscar, os prêmios refletem muito posições de mercado/gravadoras e da grande mídia sobre um artista/banda. Metallica e o filme Laranja Mecância (A Clockwork Orange) são exemplos dessa analogia. Em 1971 Stanley Kubrick viu seu filme perder para Operação França (bom filme, com Gene Hackman, não clássico como Laranja) nas categorias de melhor filme, direção, ator, roteiro adaptado e montagem. Já o Metallica perdeu em 89 para o Jethro Tull a melhor música de Hard Rock/Metal Instrumental. Jethro é um dos pilares do rock, mas não pertence a essa categoria.

Voltando ao prêmio de hoje, os 8 gramofones de Santana também mostram a força do rock clássico.
16 de Agosto de 1969, Bethel, NY... um guitarrista mexicano assombra o mundo com uma então inovadora fusão de rock com ritmos latinos, bem antes de surgirem termos como "world music", e acaba sendo imortalizado como um dos ícones do Festival de Woodstock.

* imagens * news/grammy1.jpg

O guitarrista Carlos Santana foi o dono da festa (Reuters)

24 de Fevereiro de 2000, Los Angeles, CA... um senhor de 52 anos de idade sobe ao palco para tocar ''Smooth'', faixa de seu último álbum chamado "Supernatural", que acaba de abocanhar nada menos que oito categorias na 42ª. edição do Grammy Awards, se igualando ao recorde estabelecido por Michael Jackson em 1983.

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Neste hiato de 30 anos Santana se aprofundou no misticismo... mudou seu nome de batismo, gravou alguns álbuns meio experimentais, mas sempre manteve uma característica própria, uma maneira sutil de encaixar um acorde, no qual à primeira audição o ouvinte já reconhece de quem se trata.

Embora Santana esteja se consagrando com dos seus álbuns mais pop, devemos dar o devido desconto e evitar comparações com outros trabalhos do próprio guitarrista... pois no verdadeiro mar de artistas com apelo comercial que costumam ser premiados nada mais justo que de uma forma ou outra reconhecer o trabalho de um verdadeiro herói...

Eis os prêmios abocanhados por Santana:

Gravação do Ano (Smooth)
Álbum ano (Supernatural)
Canção do Ano (Smooth) (c/Bob Thomas)
Colaboração Pop Vocal (Smooth) (c/Bob Thomas)
Pop Instrumental Performance (El Farol)
Interpretação Rock de duo ou grupo (Put Your Lights On) c/Everlast
Rock Instrumental Performance (The Calling) c/Eric Clapton
Melhor álbum de Rock (Supernatural)

Praticamente os prêmios do rock and roll ou foram de Santana ou eram de covers. Três regravações de sucesso em 98 foram premiadas. A versão semi-acústica de Sheryl Crow para Sweet Child o'Mine do Guns and Roses levou o gramofone de melhor música de rock feminina. A faixa foi gravada para a trilha sonora do filme O Paizão, e um aspecto interessante neste prêmio reside nos autores da música. Depois de lançar um disco ao vivo em Novembro, este prêmio é - indiretamente - de Axl Rose que encontra um bom marketing para o futuro disco do "novo" Guns.

Jennifer Lopez and David Duchovny anunciam o prêmio de melhor disco pop (Grammy)

Lenny Kravitz, que fez sucesso no ano passado com a música Fly Away, levou o prêmio de artista masculino pelo cover de American Woman presente na trilha sonora do segundo filme do espião Austin Powers. A mesma trilha sonora ainda conta com a música Beautiful Stranger de Madonna, prêmio de melhor música de filme/televisão. Kravitz superou estrelas do porte de Tom Waits e Bruce Springsteen além do ex-vocalista do Soundgarden Chris Cornell, que iniciou carreira solo após o final da banda.

Os covers do disco Garage Inc. renderam ao Metallica a estatueta de melhor música Hard Rock. A regravação de Whiskey in the Jar, do Thin Lizzy, foi sucesso nas rádios e MTV. O quesito Metal ficou com os fundadores do estilo. A versão de Iron Man inclusa no último disco da banda, Reunion, garantiu o prêmio para o Black Sabbath. A homenagem é justa - venceu Rob Zombie, Nine Inch Nails (metal?!?), Motorhead e Ministry -, mas soa estranha após as negativas da banda sobre a entrada no Rock and Roll Hall of Fame.

A categoria melhor canção de rock era semelhante a uma salada de frutas, por tratar de diferentes bandas apesar do mesmo ritmo. O Red Hot Chili Peppers levou a melhor com o hit Scar Tissue, uma das principais do álbum mais recente, Californication. No páreo estavam Melissa Etheridge, Bruce Springsteen, Tom Petty And The Heartbreakers e o Garbage.

Como foi frisado antes, cinema e rock andaram juntos na noite do Grammy. O desenho da Disney Tarzan foi melhor trilha sonora para filme, composta pelo ex-Genesis Phil Collins. A dulpa Collins/Tarzan venceu Austin Powers, Beleza Americana, Matrix (trilha sonora voltada para o heavy metal moderno) e Príncipe do Egito.

O Korn foi premiado pelo melhor videoclip, Freak On A Leash. A animação, muito bem feita, é mais um investimento do midas das histórias em quadrinhos Todd McFarlane. O milionário criador do Spawn e responsável pelo vídeo de Do the Evolution, do Pearl Jam, marca seu nome na história da música. Na categoria de melhor vídeo longa metragem, quem ganhou foi o documentário "Band Of Gypsys - Live at Fillmore East" dirigido por Bob Smeaton. O filme entremeia trechos das lendárias apresentações de Jimi Hendrix e sua Band Of Gypsys na noite de ano novo de 1969/70 com entrevistas de algumas pessoas ligadas ao "staff" da época, incluindo o baterista Buddy Miles e o baixista Billy Cox.

Como frisado antes, foi uma noite onde o rock na sua forma mais clássica, a de um guitarrista, fez a festa. O Oscar da música lembrou Hollywood, em um clima Supernatural.

Agradecimento especial André LoboThrax




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Sobre Marcos A. M. Cruz

Fanático por rock setentista.

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