Malmsteen fala sobre incidente em Porto Alegre
Postado em 12 de outubro de 2001
Perguntado sobre o incidente em Porto Alegre na seção de perguntas e respostas de seu website oficial, o guitarrista Yngwie Malmsteen deu a seguinte declaração sobre o episódio:
"Primeiramente, gostaria de salientar que este foi um incidente isolado, ocorrido próximo ao fim de uma turnê extremamente bem-sucedida de três semanas pelo México e pela América Latina. Sinceramente, é assim que senti as coisas. Estive excursionando por vários anos e sei que em algumas noites toquei melhor que em outras, mas nos últimos tempos mantive o que acredito ser os melhores momentos de todos os shows. Estou em plena forma, tocando o máximo que posso. Em todos estes anos - como disse, foram centenas de shows - nunca fui vaiado no palco, por nenhum motivo."
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"Deixe-me esclarecer uma coisa: não sou político, sou músico. Não vou debater sobre política ou governo, pois não é minha especialidade. Não trabalho com isto. Mas todos nós sabemos o que aconteceu no dia 11 de setembro em Nova Iorque e Washington, e embora eu venha tocando "Star Spangled Banner" (N.do Ed.: o Hino Nacional Americano) nos últimos vinte anos, nestes últimos shows isto têm sido ainda mais importante. Várias vezes toquei o hino sueco, o japonês, o inglês e outros, e naquela noite especialmente, senti que deveria tocar o americano em homenagem a todos que morreram no dia 11 de setembro. Embora pessoas de 28 diferentes países viessem a morrer por causa dos atentados, ele aconteceu em território americano, por isso toquei o hino dos EUA. Naquele momento, com a adrenalina lá em cima, quando ouvi as zombarias e agressões verbais, fiquei realmente furioso. Mas não fiz e nem disse nada naquele instante, apenas terminei de tocar. Então depois repeti o hino umas quatro ou cinco vezes. Não poderia deixar a provocação sem resposta. Ninguém vai bater na minha cara e querer que eu fique quieto, certo? Não estou discutindo política ou nada similar - estou simplesmente relatando o que aconteceu naquele momento, e talvez eu não devesse ter reagido daquela forma, mas eu o fiz."
"Não tenho absolutamente nada contra os brasileiros - já fiz vários shows por lá no passado e adorei cada momento. Nunca estive em Porto Alegre antes, e não estou querendo dizer que lá seja um péssimo local ou algo parecido, embora tenha sido o único onde ocorreu este incidente. Obviamente alguns fãs locais têm um ponto de vista diferente, mas como disse antes, não sou político. Minha intenção não era iniciar um confronto neste sentido - nada passava pela minha cabeça quando comecei o solo. Mas alguns fatos me fizeram ter uma reação mais forte sobre a recepção da platéia: (1) passei praticamente metade de minha vida nos EUA, portanto me sinto tanto americano quanto sueco; (2) meu filho nasceu lá, ele é um cidadão americano; (3) o tecladista da minha banda é daquele país; e (4) o mais importante de tudo, as pessoas inocentes que morreram no dia 11 de setembro devem ser respeitadas."
"Falando claramente: quanto às pessoas que me vaiaram e gritaram o nome de Bin Laden numa tentativa frustrada de me agredir, não tenho o mínimo respeito por elas - o que eu disse no microfone no final do show foi direcionado exclusivamente a estas pessoas. Mas elas não compunham toda a platéia, sei disso. Elas não representam o Brasil, elas não representam Porto Alegre, são apenas como maçãs podres num cesto. Houve um longo intervalo entre o final do show e o bis, porque estávamos discutindo nos bastidores se deveríamos retornar ao palco e tocar mais algumas músicas ou simplesmente ir embora. Finalmente decidi voltar ao palco e me despedir de forma agressiva, pois ainda estava muito furioso. Mas isto foi um incidente isolado, e de forma alguma significa que tenho ressentimentos em relação aos meus fãs brasileiros. Adoro tocar naquela país, e futuramente voltarei a tocar por lá."
"Paz,
Yngwie Malmsteen".
Yngwie Malmsteen - Bate-boca com o público em Porto Alegre
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