Álbum ao vivo do Twisted Sister sai no Brasil
Fonte: No Mínimo
Postado em 16 de novembro de 2005
Os videoclips de "We’re Not Gonna Take It" e "I Wanna Rock", do Twisted Sister, são possivelmente os mais divertidos jamais feitos. Assim como as músicas que os inspiraram, eles são muito parecidos entre si: garoto com cara de CDF sofre na mão de professores e pais que mais se assemelham a sargentos e, contra tudo e contra todos, se metamorfoseia numa espécie de travesti viking para cair no hard rock. A MTV americana exibiu-os até gastarem em 1984, ano em que o álbum-mãe, o multiplatinado "Stay Hungry", foi lançado.
Hoje, quando é socialmente aceitável dizer em público que o Cheap Trick era uma grande banda e o Poison tem um bom álbum ("Flesh & blood"), posso admitir também que andava procurando alguma coisa do Twisted Sister para comprar, uma antologia, sei lá. O selo brasileiro ST2 parece ter lido meus pensamentos: botou na praça "Live at Hammersmith", não uma simples reunião de "os maiores sucessos de", mas uma festa ao vivo com parte deles, registrada por uma rádio americana em 1984, no Odeon daquele bairro londrino.
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Além do álbum duplo da banda do esdrúxulo vocalista Dee Snider (o travesti viking do primeiro parágrafo), o ST2 lançou também, sob o rótulo "Legends Of Rock", álbuns dos variadamente pesados: Alice Cooper ("Dirty diamonds"), Overkill ("Wrecking everything – Live"), UFO ("Walk on water"), "Yngwie Malmsteen’s Rising Force – Unleash The fury", além de três CDs do punk Exploited ("Death Before Dishonour", "Beat The Bastards" e "Fuck the system"). É bastante barulho para animar o último mês e meio de 2005.
O Twisted Sister não foi uma grande banda, que fique claro. Foi, no entanto, uma banda esforçada, que ralou paca antes de emplacar "Stay hungry" na MTV e na parada da revista "Billboard". Formada pelo guitarrista Jay Jay French no final de 1972, ela a princípio era fascinada pelo glam-punk dos conterrâneos New York Dolls, o que explica o seu visual andrógino. Snider só se juntou a French em 1976, dois anos antes da chegada do baixista Mark The Animal Mendoza, ex-membro do cultuado grupo punk Dictators.
No palco do Hammersmith Odeon, durante a turnê "Stay hungry", os três estão na companhia de Eddie Ojeda (guitarra) e A. J. Pero (bateria). Para delírio da platéia, o Twisted Sister faz um rock pesado eficiente, nem melódico demais para matar diabéticos nem raivoso demais para impedir o corinho. Snider, em particular, está eufórico, falando palavrões aos borbotões, provocando a platéia, jogando conversa fora – o que corta um pouco o pique do show. Aqueles hinos anti-discoteca soariam ainda melhor de enfiada.
O álbum "Stay Hungry", com cinco músicas, praticamente divide o repertório da noite com os dois anteriores, "Under The Blade" (1982) e "You Can’t Stop Rock’n’Roll" (1983), com quatro cada. Entre elas estão as canções essenciais para se entender o rock auto-referente e macho – a despeito do visual – do Twisted Sister. Além de "We’re Not Gonna Take It" e "I Wanna Rock", lógico, a banda ataca "You Can’t Stop Rock’n’Roll", "The Kids Are Back" e "We’re Gonna Make It", entre outras. Completam "Live At Hammersmisth", dois furiosos covers registrados em Detroit, em 1979: "Jailhouse Rock" e "Train Kept a Rollin’".
O Twisted Sister não resistiu muito tempo depois de "Stay Hungry". Lançou mais dois álbuns sem imaginação, acabou, voltou, acabou, essas coisas chatas. A vida de ninguém será mudada por sua música, ainda mais na metade da primeira década do século XXI. Bem, ao menos espero que não... Contudo, seus melhores momentos – e alguns deles estão neste "Live At Hammersmith" – permanecem de pé como monumentos de meleca e chiclete à alegria pueril de falar motherfucker e tocar rock bem alto com os amigos.
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