Revista Bizz: por dentro da volta dos Mutantes
Fonte: Bizz Online
Postado em 16 de maio de 2006
por Luciano Marsiglia
Em 1999, o selo Luaka Bop, de propriedade de David Byrne (ex-Talking Heads), soltou no mercado americano o primeiro CD da série World Psychedelic Classics. O país agraciado, o Brasil. A banda, Os Mutantes. O título, Everything is Possible!. "Isso é bem profético, hein?", pisca Sérgio Dias. Ah, você já sabe de tudo, né? Sérgio, Arnaldo Baptista e Dinho, mais a cantora Zélia Duncan e grande elenco vão se apresentar no festival Tropicalia: A Revolution in Brazilian Culture, no centro cultural Barbican, em Londres, no dia 22 de maio. Depois, embarcam para uma turnê de seis datas nos EUA, que passa por Nova York (Webster Hall, 21 de julho), Los Angeles (Hollywood Bowl, 23), São Francisco (Fillmore West, 24), Seattle (Moore Theatre, 26), Denver (Cervantes Masterpiece Ballroom, 28) e Chicago (Union Park, 30).
"É como uma conjunção astral. Fiquei ali, astronomicamente, observando as estrelas… Quando senti que a energia era tangível e palpável, nós fizemos um som. E foi um puta barato!", diz Sérgio Dias. Toda essa viagem, parecida com a de nossa reportagem para chegar à sua casa, isolada na Granja Viana, em São Paulo, é para dizer que ao ser procurado por Aluizer Malab (empresário do Pato Fu), Paulo André (organizador do Abril Pro Rock) e Eduardo Ramos (do selo Slag e consultor da Trama), algo diferente das outras vezes em que se falou em reunir os Mutantes aconteceu. Algo, argumenta ele, muito simples. "Quando a Bizz deu uma capa pros Mutantes (na edição 184), eu disse: ‘Por que não ligam para todo mundo e marcam uma foto?’ Tem muito folclore nessa história. Tentaram nos reunir antes, mas não era nada concreto ou não estávamos conectados astralmente. Não há esqueletos no armário. Vivemos em harmonia e num grande barato", garante ele. Liminha chegou a tocar com o trio, mas abandonou o barco por estar "atolado em gravações", diz-se oficialmente. "Sinceramente, me sentiria mais seguro se a Rita estivesse na jogada. Não me sinto capaz de encarar a empreitada", confidencia, à parte. Por seu turno, Rita Lee mostra mais segurança em sua decisão. "Não sou chegada a nenhum tipo de revival. Corre-se o risco de desencantar uma época. Acontece que a minha máquina do tempo sempre está voltada para o futuro." Contudo, ela enviou um e-mail de apoio ao trio finalizado com uma "blitzkrieg!".
O interesse de casas importantes como a Fillmore West e a Hollywood chuta a macumba pra turista do horizonte. "É um dos grupos mais inovadores de todos os tempos", declara Phil Alexander, editor-chefe da revista Mojo. "Seus discos continuam atuais e à frente de boa parte da música moderna." O Brasil deve assistir aos Mutantes somente em 2007 – mais afiados, se o pensamento for positivo. Convidados para os shows internacionais não faltam. Devendra Banhart saiu da condição de roadie, a qual se sujeitava, para tocar "El Justiceiro". Beck ficou mais tranqüilo depois de saber das datas americanas. E David Bowie rondou a banda. "Se ele vier mesmo, aí vai ser capaz de a Rita até pagar para tocar com a gente!", diverte-se Arnaldo. Será que pode-se sonhar com uma noite em que Rita Lee, Arnaldo Baptista, Sérgio Dias, Dinho e Liminha vão dividir o palco novamente? "No momento tudo está como tem de ser", limita-se a dizer Rita. "Ah, sim. Tudo é possível", Arnaldo renova a profecia. ZZ
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