New York Dolls: "Achavam que éramos gays"

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Por Vitor Rangel, Fonte: Ebar
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Os NEW YORK DOLLS não foram as primeiras estrelas do rock a usar maquiagem e roupas de mulher. Little Richard provavelmente tem este crédito. O que o Dolls fez primeiro foi tocar rock com uma atitude direta e uma energia anárquica. O Dolls eram punk antes que existisse qualquer coisa parecida, e a sua pegada rápida e furiosa produziu dois clássicos, o seu primeiro LP de 1973 e o seguinte, "Too Much, Too Soon", de 1974. Aclamado pela crítica mas um fracasso de vendas na época, o Dolls continuou pelos próximos dois anos com diferentes formações antes de terminar de vez em 1977.

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Nos anos seguintes, o líder do Dolls, David Johansen embarcou numa carreira solo, incluindo uma passagem pela pop music durante os anos 80 como o cantor Buster Poindexter.

Passando agora para 2004, quando o antigo presidente do fã clube do New York Dolls, Morrissey, pediu à banda se eles poderiam se reunir para tocar no Meltdown Festival, um show de rock que ele produziu em Londres naquele ano. "Basicamente, nós nos reunimos para fazer apenas um show e rir um pouco," disse Johansen. "Nós estávamos nos divertindo tanto, que decidimos continuar pelo resto do verão, e começamos a compor novas músicas." Johansen e o guitarrista original Sylvain Sylvain formaram o centro do novo New York Dolls, com novos membros substituindo a saída dos lendários Johnny Thunders, Jerry Nolan e Arthur "Killer" Kane. "Não será difícil ficarmos juntos mais do que o tempo que a banda original ficou," diz Johansen.

O novo álbum, "One Day It Will Please Us to Remember Even This", foi lançado no dia 25 de Julho pela Roadrunner Records, incluindo 13 novas faixas, como o novo single "Dance Like a Monkey". O álbum também conta com participações de Michael Stipe, Iggy Pop e Bo Diddley.

Johansen, com um forte sotaque de Staten Island, fala sobre a origem do estilo de se vestir da banda, sobre ser celebrado como "terceiro sexo" e o que ele acha sobre o casamento gay.

Peter Galvin: Por que você acha que o New York Dolls tiveram tanta influência sobre outras bandas com o passar dos anos?

David Johansen: Todos tínhamos idéias específicas de como uma banda de rock deveria ser. Trouxemos essas idéias para a banda, e não estávamos prestando a mínima atenção em outras bandas que estavam tocando naquela época. Não fizemos nenhuma pesquisa demográfica, apenas fizemos a música que queríamos fazer. E justamente por isso não soar como nada que existia, era brilhante. Era como arte folclórica: não era feita para se encaixar em nenhum gênero comercial.

Peter Galvin: O New York Dolls sempre teve uma forte vibração sexual. Existia alguma coisa específica que vocês queriam dizer sobre sexo nos anos 70?

David Johansen: Da minha perspectiva, existia uma grande celebração do sexo acontecendo naquela época. Toda música que eu achava boa era sexy.

Peter Galvin: Nos 30 anos desde que o New York Dolls entrou na cena musical, a cultura popular foi inundada por grupos musicais andróginos e cantores drag queens. Mas como era isso nos anos 70, quando vocês subiam ao palco usando maquiagem e roupas femininas?

David Johansen: Quando eu tinha 16 anos, eu me juntei ao Ridiculous Theatre Company. Eu ainda tinha bandas, mas eu ajudaria a fazer roupas depois do colégio. Eu trabalhava no porão, e percebi que existiam essas roupas realmente espalhafatosas lá embaixo, com purpurina e brilho. Então eu fui para um ensaio e conheci (o fundador do Ridiculous) Charles Ludlam e (o escritor e ator) Bill Vehr, e eles me influenciaram bastante, em como fazer um show. Eu nunca atuei na produção do Ridiculous Theater, mas me daria muito bem. Faria a iluminação, o som, tocaria a guitarra. Eu estava com eles por uns 2 anos, e por osmose, aprendi tudo sobre uma apresentação no showbiz.

Também nessa época, no East Village, era o começo de vários movimentos de liberação. Existiam gays, lésbicas, de tudo um pouco. Nós éramos essencialmente a banda do East Village, então estávamos entretendo todas essas pessoas. Para mim, a coisa óbvia para se fazer era criar um "terceiro sexo", já que todo mundo tinham características masculinas e femininas. Tínhamos que celebrar aquilo, ao invés de ir contra. Achei que era uma boa idéia celebrar no palco.

Peter Galvin: Alguém achava, por causa da maquiagem e os vestidos, que vocês eram gays? Você já foi paquerado por um gay?

David Johansen: Algumas pessoas achavam que éramos gays, e outras pessoas não. Mas a gente era como a gangue mais perigosa que você já viu, então se alguém viesse e começasse alguma coisa, eles iriam se arrepender. Eu me lembro de uma vez, que estava parado na Terceira Avenida, com David Bowie. Estávamos tentando atravessar a avenida, quando um caminhoneiro passou. Ele achou que éramos garotas, e começou a gritar, "Eu quero comer as suas b****!" Eu disse, "Ah sim, cara, você vai ter que chupar o meu p***!" E Bowie falava, "Ah não, David, não provoque ele!" E eu disse, "Escute, esse é o jeito que falamos aqui em Nova York." Eu não ia deixar um idiota qualquer me impedir de ir para onde estávamos indo.

Peter Galvin: O que você acha sobre o casamento gay?

David Johansen: Sabe, eu realmente não consigo entender pra que serve o casamento. Mas entendo de como é atrativo para as pessoas, especialmente se elas não tentaram ainda! Eu estou brincando. Toda a conversa sobre proibir o casamento gay é ridícula. Existem lugares no mundo que estão muito a nossa frente. Se pessoas possuem um relacionamento e querem torná-lo legal, elas deveriam.... pensar novamente! Não, estou apenas brincando.



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Sobre Vitor Rangel

Um carioca apaixonado pela boa música que no momento está cursando o 5º período de Publicidade na PUC-Rio. Teve seu primeiro contato com o rock ainda na infância, quando sua irmã colocava os discos de Iron Maiden e Pantera no toca-fitas de sua casa. Nos últimos anos, tem se dedicado inteiramente à música e à guitarra. Sua banda favorita é Metallica e também é fã incondicional de Zakk Wylde, Steve Vai e John Petrucci. Escuta de tudo um pouco, desde Madonna até Sepultura. Espera que um dia o Metallica ainda venha fazer um show no Brasil e não tem vergonha em dizer que chorou no show do Black Sabbath, em 2004, no Ozzfest.

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