Carmine Appice: "Grunge ferrou o Blue Murder"
Por César Enéas Guerreiro
Fonte: Blasting Zone
Postado em 30 de agosto de 2006
O Blasting-Zone.com recentemente fez ume entrevista com o legendário baterista Carmine Appice (VANILLA FUDGE, CACTUS, BECK, BOGERT & APPICE, ROD STEWART, KING KOBRA, OZZY OSBOURNE). Alguns trechos dessa entrevista:
Blasting-Zone.com: Há algo de verdadeiro nos rumores de que você fez uma audição para o lugar de Peter Criss no KISS?
Carmine: "Não. Eu nunca fiz uma audição para o KISS. Quando John Bonham morreu, havia rumores de que eu ou Cozy Powell iríamos substituí-lo e, quando Keith Moon morreu, alguém ligado ao THE WHO chamou o empresário que eu tinha na época, o Bill Aucoin, que também empresariava o KISS. Então me perguntaram se eu estava interessado e eu disse pra eles que estava; depois nunca mais tive resposta deles (risos). Eu estava tocando com Rod Stewart naquela época e o Rod ouviu os boatos. Ele me perguntou se eu estava pensando em entrar no LED ZEPPELIN e eu disse a ele: ‘Não’, e ele disse: ‘Bem, isso é bom, mas vamos deixar os boatos rolarem’. (risos) Então fomos para uma turnê na Europa e tive que responder à imprensa o tempo todo sobre isso".
Blasting-Zone.com: Como você se envolveu com o BLUE MURDER?
Carmine: "Eu estava de olho no BLUE MURDER porque eu realmente gostava de como John Sykes tocava no WHITESNAKE e eu adorava o jeito do Tony Franklin tocar no THE FIRM. Quando eu soube que eles estavam montando uma banda, eles tinham Cozy Powel nas baquetas. Era algo do tipo ‘Cara, o Cozy sempre conseguis fazer parte das grandes bandas’. Cozy, no começo da carreira, era como John Bonham, sabe? Ele me disse que eu era o seu ídolo e que ele tocava muita coisa que aprendeu comigo do jeito dele. Também me perguntaram se eu queria entrar no Rainbow, mas eu não podia, então eles pegaram o Cozy e, quando eu não pude me juntar ao Jeff Beck, eles pegaram o Cozy. Depois de um tempo, comecei a pensar ‘Quem é você, meu substituto profissional?’ Ele tocou em várias grandes bandas, não é? Então, quando soube que ele estava tocando com o BLUE MURDER, fiquei bravo... mas depois eu soube que ele estava fora".
Blasting-Zone.com: Você procurou o grupo ou eles te procuraram?
Carmine: "Eu fui para Londres e fiquei com meu irmão e com o Dio por quatro dias e Chris Wells, o escritor, foi o cara que me deu o número para contatos com o BLUE MURDER. Eu liguei pra eles e fui até Blackpool, que é uma pequena cidade de praia. Eu encontrei primeiro o Tony no hotel e, no dia seguinte, eu, ele e o John tocamos juntos e desde o primeiro dia foi pura magia. Estávamos tão entrosados... Desde aquele dia dizíamos que tudo iria dar certo, entende?"
Blasting-Zone.com: Eu me lembro de ter ficado muito desapontado por vocês não terem lançado logo um álbum...
Carmine: "Bem, você se lembra de toda aquela onda ‘grunge’ que surgiu... Aquela banda era muito determinada porque não estávamos nos preparando pra um fracasso, okay? Estávamos nos preparando para que aquele álbum se tornasse um grande, grande álbum. Tínhamos John Kalodner, tínhamos Geffen, éramos um grande trio. Tínhamos Bob Rock produzindo... tínhamos tudo, entende? A única coisa que não tínhamos era um empresário. Ultimamente temos conversado sobre continuar o trabalho, mas é muito difícil trabalhar com o John. Ele nunca sabe o que quer fazer, entende?"
Blasting-Zone.com: Sério? Nunca teria imaginado isso...
Carmine: "Sim, infelizmente. Eu coloquei John em contato com o nosso empresário do VANILLA FUDGE e do CACTUS pra ver se conseguíamos colocá-lo nos eixos mas não funcionou... O único jeito do BLUE MURDER voltar à ativa em grande estilo seria se ele deixasse seu empresário dar um jeito nele... porque ele é ótimo nisso. Ele deu um jeito no THE CULT, no THE DOORS... ele também deu um jeito no VANILLA FUDGE. Ele é simplesmente ótimo pra fazer essas coisas... Eu estava ansioso por isso. Eu, Tony e John tocamos junto em outubro passado. Fizemos uma jam e as músicas estavam noventa por cento boas, entende? Não precisava fazer muita coisa para colocá-las no ponto de podermos tocá-las em alguns shows. Mas John não queria se juntar a nós para tirar fotos ou coisas do tipo. Ele é um cara estranho... então, no momento estamos parados".
Blasting-Zone.com: Em que momento você se envolveu com Ozzy? Foi antes ou depois das gravações de "Bark At The Moon?"
Carmine: "Foi depois das gravações. Na verdade, eu fiquei envolvido com a mixagem e a finalização do álbum com o Ozzy em Nova York durante três semanas. Eu deveria ter recebido algum crédito pelo álbum e acho quer meu nome estava nas primeiras duzentas mil cópias. Eles me colocaram como produtor associado mas, quando me mandaram embora, eles me tiraram dos créditos. Mas isso estava em meu contrato, então eu os processei e foi uma grande confusão. ...Foi simplesmente triste. Olha, eu acho que o Ozzy é um cara gentil e maravilhoso. Tudo o que posso dizer sobre Sharon é que ela é implacável, ela colocou o Ozzy num ponto incrível em sua carreira. Ela é como a General Motors agora, entende? ... É simplesmente incrível o que ela fez com ele. Ele não conseguiria nada disso sem ela, sem sombra de dúvida. Ela demitiu e ferrou muitas pessoas, mas fez tudo isso para ajudar Ozzy a ter uma grande carreira. Na verdade, é brilhante a maneira com a qual ela lidou com tudo isso. Eu acho que ela merece um crédito por isso".
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