Theatre Of Tragedy: depois da tempestade, mais tempestade

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Por Rafael Carnovale, Fonte: Mundo Rock
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A saída de Liv Kristine foi um duro golpe aos fãs do Theatre Of Tragedy. A perda de sua vocalista deixou incertos os rumos deste competente grupo de gothic-metal. E após um demorado período de testes e ensaios, Nell Sigland (ex-The Crest) foi anunciada como a nova vocalista. Tivemos a honra de conversar com a estreante Nell, que de maneira bem simpática falou sobre o novo CD ("Storm") e ainda não se furtou de comentar de maneira bem direta sobre Liv Kristine.

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Mundo Rock - Você se juntou a banda há aproximadamente dois anos. Como foram os primeiros meses para você como vocalista do Theatre Of Tragedy?

Nell Sigland - Muito legais. Entrei na banda em 2004. E rapidamente fizemos alguns shows no Natal e no começo de 2005. Entre eles uma boa turnê natalina com o HIM.

Mundo Rock - Como foi a reação dos fãs nestes primeiros shows?

Nell Sigland - Eu sentia que muitos ainda estavam chateados pela saída de Liv Kristine, mas me receberam com muito carinho, entendendo minha posição na banda. A reação foi a melhor possível, porque eles sentem a falta da antiga vocalista, mas aceitam que agora eu canto na banda, e me respeitam. Eu amo essa banda e os fãs, que são maravilhosos.

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Mundo Rock - A banda em "Assembly" estava bem mais experimental. Como se deu essa volta aos tempos do clássico "Aégis" em "Storm"?

Nell Sigland - Quando nos reunimos havia um consenso de que este novo CD deveria ser mais pesado e menos experimental, com menor uso da eletrônica e mais ênfase nas guitarras. Havia algumas divergências no rumo que deveríamos tomar, mas o formato de "Storm" acabou sendo um consenso total, com a concordância de todos os membros. Começamos então a compor, com este objetivo em mente.

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Mundo Rock - Como foi sua participação no processo de composição de "Storm"?

Nell Sigland - A internet me salvou (risos). Eu moro em Oslo, distante pelo menos oito horas dos demais membros. Então passamos um bom período trocando emails. Eles preparavam o instrumental e eu adicionava as melodias vocais. Íamos aperfeiçoando isso até o dia em que marcávamos para ensaiar, quando podíamos aprimorar tudo e dar as músicas seu formato definitivo.

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Mundo Rock - "Voices" me lembrou muito o Paradise Lost de "Draconian Times". Há alguma influência deles neste novo CD?

Nell Sigland - Na verdade não. Não tínhamos um plano estabelecido para cada música. Cada uma foi tomando sua forma e o resultado final está no CD. Gosto do Paradise Lost, pode ser que sim.

Mundo Rock - E em músicas como "Exile" vocês ainda mostram alguma experimentação, ainda que mais contida. Pretendem continuar trabalhando com os elementos eletrônicos em futuros CD’s?

Nell Sigland - É interessante falar sobre isso, porque na verdade a maioria de nós queria mudar radicalmente, abolindo a eletrônica. Mas os membros que discordavam foram bem convincentes no fato de não deixarmos de trabalhar por completo com este estilo. E decidimos que seria legal. Para um próximo CD eu não saberia dizer ao certo... podemos fazer algo mais dark, mais pesado, mais suave. Só sei que o mesmo será totalmente diferente de "Aégis" e "Storm", porque isso é algo que queremos sempre. Mudar e aprender musicalmente. Já temos algo escrito, mas não é hora de sair entregando o jogo (Risos).

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Mundo Rock - Frank não pode participar da turnê européia e Landa foi convidado a tocar com vocês. Como se deu isso?

Nell Sigland - Frank é um membro da banda. Ele não deixou o Theatre Of Tragedy. Apenas seus compromissos pessoais o impediram de viajar conosco. Landa é um grande amigo e um bom músico. Ele vem fazendo um grande trabalho, mas sequer cogitamos o chamar para ficar na banda, já que ele tem seu próprio trabalho dentro da música.

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Mundo Rock - Com este novo CD, a banda vem obtendo bons resultados em países com pouca tradição para o heavy como Israel. Há planos para shows por lá?

Nell Sigland - Israel? (Surpresa). Não sabia! (Risos). Ainda não tivemos informações sobre isso. Mas deveremos ir a Istambul em outubro, para uma "promo-tour". Não sei se faremos shows por lá. Temos muita coisa planejada para 2006.

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Mundo Rock - Falando sobre Liv, ela agora tem sua própria banda, que inclusive tocou por aqui recentemente. Você chegou a manter contato com ela?

Nell Sigland - Eu falo, apesar de ela morar na Alemanha. Já a conhecia, e chegamos a nos falar quando entrei na banda. Já com o resto dos caras acho que não há muito contato. Eles tinham planos diferentes quando ela saiu. Tocamos em Leipzig recentemente, e ela se apresentou no mesmo local com o Leaves Eyes. Eu estava com vários problemas pessoais, e não tinha dado certeza se poderia comparecer ao show. Temendo um cancelamento em cima da hora, eles a chamaram! E o mais legal foi que ela topou! Acabei podendo fazer o show, mas foi curioso, porque até aonde sei a saída dela não foi muito amigável. Não somos grandes amigas, mas não existe nada de negativo entre nós.

Mundo Rock - "Closure: Live" foi gravado com Liv nos vocais. Há planos para se registrar algo com esta nova formação?

Nell Sigland - Por enquanto não. Pensamos em gravar um DVD, mas o famoso problema do dinheiro deixa tudo em segundo plano. Isso fode tudo! (Risos). Eu até que gostaria, porque adoro cantar as músicas antigas, e elas me ajudam muito a crescer como vocalista, mas vamos ver se rola.

Mundo Rock - E a turnê. Como estão os planos para 2006, já que você disse que será um ano agitado?

Nell Sigland - Exato. Temos planos para os festivais, aonde tocaremos o material novo, e uma turnê européia. Há algo sendo feito para a América do Sul, englobando Brasil, Colômbia e México a princípio. Mas não sei dizer se será este ano ainda ou em 2007. Mas assim que souber pode deixar que a internet irá lhe contar! (Risos).

Mundo Rock - Nell, boa sorte com o Theatre Of Tragedy! Deixe sua mensagem aos fãs da banda que aguardam ansiosos a vinda de vocês ao Brasil!

Nell Sigland - Muito obrigada pelo espaço. Torçam para que tudo dê certo, assim poderemos tocar para vocês em breve. Eu quero demais ir ao Brasil.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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