Dave Mustaine fala sobre índios e Gigantour

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Por Felipe Augusto Rosa Miquelini, Fonte: Blabbermouth
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Matéria de 13/10/06. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

Jan Mikael Patterson, do jornal Navajo Times, entrevistou recentemente Dave Mustaine, líder do MEGADETH, que entre outros assuntos falou sobre os índios norte-americanos e a Gigantour.

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Navajo Times: Dave, é ótimo falar com você. É uma honra e eu quero agradecer por me dar esse tempo para falar com você.

Dave Mustaine: É uma honra falar com você. Na verdade, nesta manhã eu estava conversando com o Mark (Morton, guitarrista) do LAMB OF GOD sobre o tremendo respeito que eu tenho pelos índios americanos, e como eu sinto que essa geração e obviamente a anterior estão saindo praticamente de um campo prisional invisível, pois estavam sempre se encontrando secretamente. E muitas bandas não têm a oportunidade de tocar para os índios americanos.

Quando eu morava no Arizona eu fiquei particularmente sensível a isso. Eu viví na região de Phoenix, Scottsdale, por aproximadamente 10 anos, eu acho fascinante olhar nos olhos de muitos de nossos amigos índios devido ao espírito que eles possuem.

O meu mestre de artes marciais, com quem treinei muitos anos, é em parte índio e contava as histórias mais impressionantes. Eu escrevi uma música sobre ele no disco do MD.45 chamada "The Creed". Evidentemente ele era originário de uma tribo que permitia que se dissesse às pessoas seu nome tribal. Seu nome tribal era "Cavalo de ferro trovejante". Eu sei que existem tribos que não permitem que se diga seu nome nativo a ninguém.

Navajo Times: Você sente falta da vida no Arizona?

Dave Mustaine: Eu achava que era um lugar maravilhoso para se viver. As pessoas o chamam de "Vale do Sol", mas eu acho que elas entenderam errado. Se parece mais com a superfície do sol. E, eu, você pode ver como eu sou branco (risos). Eu vou lá fora sem camisa, e eu exalo cheiro de pele de porco. Eu me deito perto da piscina, e parece que há um papel refletor, é como se houvesse um tipo de fogo brilhante que saísse de lá.

Eu amo isso. Amo tanto que meu coração se aperta por Phoenix e aquela região. As cores da área montanhosa, e a cidade, a forma como tudo é ajustado, a estrutura, as pessoas. Nós nos mudamos para a Califórnia por causa dos meus filhos, mas eu sei que em algum momento eu adoraria me mudar de volta.

Navajo Times: O que despertou sua atenção no sentido de aprender sobre as culturas dos índios americanos?

Dave Mustaine: Eu sou bastante amistoso. Porém se você me deixar puto eu sou como qualquer outra pessoa. Se você me magoar eu vou fazer o mesmo com você. Eu sou bastante amigável. Quer saber? Venha me conhecer e faça seu próprio conceito. Eu tive fãs índios que vinham até mim e conversavam. Eu acho uma honra haver pessoas enigmáticas e pessoas que não são, para saber o quão elevadas espiritualmente elas são. Deus, o que eu posso aprender, saca? Simplesmente me surpreende.

Navajo Times: A Gigantour começou em Idaho. Como foi?

Dave Mustaine: Foi bom. Foi direcionado a um mercado menos importante, e foi proposital que fosse um show secundário. Nós queríamos ir a algum lugar onde nos sentíssemos confortáveis para nos prepararmos a ir sudoeste e fazer o que nós precisamos fazer. Normalmente leva alguns shows para resolver os pequenos problemas e nós óbviamente não tínhamos problemas com o show em si, já que os preparativos os eliminavam. Mesmo assim acontecem algumas coisas, como aparelhagem que foi usada em outras turnês e que está a ponto de explodir. Dá pau, e você tem que consertar bem rápido. Nós normalmente resolvemos essas coisas nos primeiros dias. Nós não tivemos problemas na primeira noite.

Navajo Times: As bandas da Gigantour são compostas por músicos extraordinários. O que te impressionou a respeito da formação do último ano, em relação à lista de bandas desse ano?

Dave Mustaine: O Mike Romeo (do SYMPHONY X) e o John Petrucci (do DREAM THEATER) são dois incríveis guitarristas, e o Jeff Loomis (do NEVERMORE) não fica devendo. Se as pessoas pensam na Gigantour da mesma maneira que eu, e a identificam com bandas como LIFE OF AGONY, DRY KILL LOGIC ou DILLINGER ESCAPE PLAN, ou qualquer coisa parecida, é muito bom, porque todas são grandes bandas que fizeram parte dela.

Não se esqueça dos loucos por guitarra. Há guitarristas muito bons naquelas outras bandas. Pode não ter tido "guitar bands", mas foi bastante divertido para mim, e eu acho que eles entreteriam as pessoas que chegassem ao evento mais cedo.

Navajo Times: O que te levou a trazer LAMB OF GOD, OPETH, ARCH ENEMY e OVERKILL à turnê desse ano?

Dave Mustaine: O que eu estava procurando basicamente nessas bandas era algo que fosse parecido comigo quando eu comecei. Aquele apetite, aquele desejo de sair e apenas fazer turnê. Simplesmente subir no palco, tocar com o coração, e o espírito dos guitarristas quando eles estão juntos e apenas tocam (jams). Apesar de nós não termos tido muito tempo para fazer isso ainda, nós faremos. Nós estamos apenas começando. Há muito respeito entre os membros das bandas. Bastante respeito entre eles e eu. É um puta clima.

A parte legal é abrir o show para vocês, os fãs, que tem seu próprio mundinho do outro lado do palco. Nós temos o nosso mundinho lá atrás onde nos aquecemos. Quando as luzes do palco se apagam os dois mundos se chocam, e vocês veêm o que fazemos. Depois de ter entretido vocês, nós nos divertimos e comentamos sobre o show, tipo "Cara, o público foi fantástico" ou "Oh meu Deus, aqueles caras são fantásticos", entende? Especialmente ao tocar no vale, na região de Phoenix. Eu já toquei em todos os lugares, pequenos e grandes, e não importa ao menos que eu toque lá.

Navajo Times: A banda assinou com a Roadrunner Records esse ano, como está a relação com eles até agora?

Dave Mustaine: Até agora está boa.

Navajo Times: Quando que o próximo disco será gravado?

Dave Mustaine: Bem, eu trabalhei no álbum todo dia até o início da Gigantour, e ainda estamos tentando descobrir como iremos trabalhar em cima dele. Nós pensamos que ficaria pronto em tempo, mas começou a ficar especial, e continuamos a ficar mais e mais focados nele. Vai sair no começo do ano que vem.

Navajo Times: Recentemente, eu li que você teve a idéia do título "United Abominations" para o próximo álbum. Você pode repetir a história sobre como surgiu o nome?

Dave Mustaine: A história não é exatamente como eu a contei. Eu estava assistindo algo sobre as Nações Unidas. Eu vi o caminhão com o logo das Nações Unidas na porta, daí eu pensei que é tão preciso, "Você é tão chato", "Você é tão insignificante", "Você é tão ineficiente, porém realmente 'in'", "Você é in-nada". Você sabe que as pessoas estã se matando no Oriente Médio, e você está tomando café-da-manhã tentando negociar um cessar-fogo. Que vergonha. Que vergonha.

Certo ou errado, aquilo devia ter sido interrompido e os responsáveis, não importa o lado em que estavam, deviam ser considerados responsáveis. As Nações Unidas não significam nada. Não significa nada. Você sabia que eles estão numa propriedade nos Estados Unidos, bem parecido com um esconderijo. Eles estão estabelecidos numa ilha em Nova Iorque e aqueles caras não fazem nada. Veja as letras de "United Abominations" no site do MEGADETH, está postado lá. A letra explica os meus sentimentos.

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