Steve Harris: "Cresci amando o som do rock progressivo!"
Por Mateus Catão
Fonte: Bass Player Magazine
Postado em 10 de outubro de 2006
A revista Bass Player conduziu em outubro de 2006 uma entrevista com o baixista do IRON MAIDEN, Steve Harris. Seguem-se alguns trechos da conversa.
Bass Player: Esse álbum "A Matter of Life and Death" soa diferente comparado aos outros mais recentes?
Steve: Com certeza. Nós voltamos ao meu velho som de baixo. Nos dois últimos álbuns – especialmente com os três guitarristas – nós tivemos que recuar com aquele tom de baixo inexpressivo. Nós estávamos recentemente mixando coisas novas à moda antiga e assim eu percebi, bem esse é o meu som. E mais, isso combina com o que estamos musicalmente fazendo agora, onde nós estamos claramente mais influenciados por Rock Progressivo.
Bass Player: Quais os baixistas que você mais admirava quando jovem?
Steve: Havia um monte. Eu sou mais ligado a canções que baixistas, mas eu diria John Entwistle [THE WHO], Chris Squire [YES], Martin Turner [WISHBONE ASH], Rinus Garritsen [GOLDEN EARRING] e Andy Fraser [FREE]. Esses caras são todos muito diferentes, e eu peguei um pouquinho de cada um. Eu não queria tocar como eles, só queria tocar as músicas que gostava.
Bass Player: Quais tipos de música que você escuta?
Steve: Eu cresci amando o grande e cinemático som do Rock Progressivo. Acredito que você pode ouvir mais do que nunca essa influência no novo disco. Entretanto, evito escutar música enquanto estou compondo ou gravando, porque eu não quero nenhum som subliminar me influenciando. Acho que é melhor simplesmente me manter afastado disso, pois pode te levar a uma direção que talvez não queira ir. Assim que o disco está pronto eu posso curtir outro som.
Bass Player: O novo disco soa mais lento que o seu anterior.
Steve: Sim, nós reduzimos a velocidade das músicas para soarem mais pesadas. Mas fazer Nicko tocar mais devagar não é a coisa mais fácil do mundo. Às vezes nós temos que dar uma "segurada" nele! [Risos]
Bass Player: Conte um pouco sobre o processo de composição desse álbum.
Steve: Normalmente nós definimos três semanas para escrever e outras três para ensaiar, mas nessa ocasião nós tínhamos tudo pronto em cerca de uma semana e meia. Tocamos ao vivo, então ensaiamos muito antes. Como trabalhamos uma música de cada vez, fomos capazes de juntar os trechos muito bem.
Bass Player: Você compõe o tempo todo?
Steve: Eu tenho idéias em vários tempos diferentes, e depois as reúno. Acho um tanto quanto traumático quando entramos de fato em um período onde temos de compor. Há muita pressão para aparecer coisas boas. Atualmente eu tenho mais contribuições do resto da banda, o que é ótimo. As contribuições deles seguem rumos diferentes, então acaba sendo positivo de uma forma ou outra.
Bass Player: Do que você precisa para compor?
Steve: Um lugar onde eu possa ter paz e quietude. Eu componho tudo no baixo – geralmente no baixo acústico. Depois, todos se juntam e fazem a composição acusticamente – à moda antiga, eu suponho. Se alguém vêm com uma idéia básica, eu trago uma melodia de vocal ou de guitarra.
Bass Player: Quais lições você aprendeu tocando ao vivo em grandes concertos?
Steve: Nós gostamos de atingir as pessoas direta e rapidamente logo nas primeiras músicas. Isso também dá mais tranqüilidade para que o técnico de som coloque as coisas em ordem. Você não pode começar tocando algo grande e dramático. E é bom agir desse modo, deixar a adrenalina rolar solta.
Bass Player: Quais foram os acertos que o IRON MAINDEN fez em relação aos negócios?
Steve: Nós temos o empresário certo – isso é uma certeza. E não ouvimos muito a pessoas de fora. Não é porque pensamos que sabemos tudo – nós somente escutamos nosso cara. Eu aprendi que quando dávamos ouvidos a muitas pessoas tudo acabava saindo errado. Você escuta a muitas pessoas de fora e acaba ficando confuso.
Se você tiver fortes convicções no que você estiver fazendo, as pessoas dirão, "Certo – vamos nessa." Se você começar a mudar o rumo do que você está fazendo as pessoas começarão a questionar o que você está fazendo. Esse tipo de insegurança afeta a todos os envolvidos. Pessoas se alimentam de pensamento positivo e não indecisão. Claro, você comete alguns erros no caminho, mas ser inflexível não é muitas vezes uma coisa má. Isso te dá direção, e eu gosto disso. Não tem bagunça.
Leia a matéria completa em inglês no link abaixo.
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