Napalm Death: "aborto é um direito da mulher"
Por César Enéas Guerreiro
Fonte: Blabbermouth
Postado em 29 de novembro de 2006
James Arter, do site Planet-Loud.com, recentemente entrevistou o frontman do NAPALM DEATH, Mark "Barney" Greenway. Alguns trechos desse papo:
Planet-Loud.com: Na sua opinião, o que mudou na banda ao longo dos anos?
Barney: Bem, com certeza mantivemos a nossa essência. Por exemplo, você pode perceber que no novo álbum há coisas que poderiam muito bem estar no "Scum" (lançado em 1987), mas fizemos algumas mudanças e experimentamos coisas novas. O que acontece é que muitos fãs do NAPALM gostariam que sempre regravássemos nosso segundo álbum, mas pra quê fazer isso? Poderíamos agir dessa forma e lançar um álbum novo em três semanas, com boas músicas, mas você precisa expandir um pouco a sua criatividade, não é mesmo? Quando você ouve o [último] álbum do NAPALM, a natureza rápida e alucinada da banda está lá, mas achamos que também há algumas coisas diferentes que ampliam os horizontes da banda. Veja só, as pessoas falam que o NAPALM é uma espécie da banda pioneira, mas você só é bom se o seu próximo álbum também for bom. Para continuarmos sendo uma banda, precisamos ser bastante criativos.
Planet-Loud.com: Como está o relacionamento entre vocês na banda, vocês ainda se dão bem?
Barney: Sim, bem, precisamos de nosso espaço, como todo mundo, e temos maneiras diferentes de fazer as coisas, mas isso é bom, é bom poder admitir que você precisa agir assim. Teremos apenas quatro dias para descansar em casa depois desta entrevista, depois vamos direto pros EUA, portanto nesses quatro dias precisamos de todo esse tempo para poder recuperar o fôlego...
Planet-Loud.com: Você pessoalmente tem sido bem sincero a respeito de suas letras, que possuem muita crítica social, então qual é a mensagem geral deste álbum?
Barney: Este é o álbum mais conceitual que já fizemos, e é todo sobre religião. Muitos dos nossos álbuns tratavam de questões gerais e discutiram muitos tópicos diferentes, mas este se baseia mais na religião embora, obviamente, fale de outros assuntos relacionados à religião. Conheço muitas bandas que já discutiram assuntos relacionados à religião, mas eu queria aprofundar um pouco mais essas questões e falar de algumas coisas que as pessoas não conhecem, como a moralidade... bem, realmente a moralidade é algo totalmente falso. Para criticar a moralidade de algo você precisa afirmar que possui uma moral melhor que a dos outros, porque simplesmente eles não agem da mesma forma que você – mas isso é apenas mais uma das muitas coisas na religião que tem afastado as pessoas umas das outras. As pessoas fazem julgamentos e dizem "Aquilo que é meu é melhor do que aquilo que é seu" só porque agem dessa forma. O que quero dizer é que, se você analisar essa questão numa perspectiva mais ampla, o mundo parece estar à beira do abismo agora mesmo, está tudo uma grande confusão já há muito tempo, e a religião está por trás de muitos desses problemas...
Planet-Loud.com: E todas essas guerras que estão acontecendo...
Barney: Sim, e até mais do que isso. Tivemos... mais de 2000 anos dessa coisa da religião ser muito influente sobre a maneira pela qual somos governados, mesmos aqueles que escolhem ser ateus – eu mesmo sou – e a maior parte da humanidade não dá a mínima pra religião; isso você percebe, é claro, se tiver acesso às estatísticas... portanto, por que temos que ser governados por essa coisa que é baseada apenas em mitos? Na verdade, nada foi provado, não há justificativa alguma para a religião...
Planet-Loud.com: Concordo plenamente com você...
Barney: ... e ainda estamos praticamente nos deixando dominar pela hipocrisia, então acho que está na hora de pararmos um pouco e dizermos "Isso precisa acabar". Vamos mudar as coisas, vamos parar com toda essa bobagem. Muitas dessas questões são tabus nas mentes das pessoas, mas somos seres humanos, temos o direito de expressarmos nossas opiniões.
Planet-Loud.com: Já faz quase 25 anos [desde que a banda foi formada]. Quais foram as suas principais realizações?
Barney: Acho que nossas maiores realizações foram muito simples. Ir a lugares onde nenhuma outra banda esteve e fazer coisas positivas, como ir até a África do Sul e falar sobre igualdade e enfrentar – isso precisa ser dito – forte oposição. E, o que é ainda mais simples do que isso, motivar os fãs a chegarem até você ao final da noite, ou a escrever pra você e dizer "Nunca tinha pensado sobre isso antes, mas isso me afeta também e concordo com isso". E, uma coisa que é muito importante para mim, mais uma vez apenas um assunto entre tantos outros, é o direito de uma mulher poder escolher fazer um aborto – isso é algo que apóio bastante, elas precisam ter o direito de escolher. Muitos jovens dizem que já leram sobre esse assunto e estão trabalhando para conscientizar as pessoas em relação a isso, sobre o direito à escolha.
Leia a entrevista completa neste link.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Bangers Open Air divulga as primeiras atrações da edição 2027
A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Os 25 melhores discos de gothic metal de todos tempos, segundo a Louder
Show do Kiss deu origem a uma das maiores bandas da história do thrash metal
O político que iniciou a decadência do Rio de Janeiro, segundo Paulo Ricardo
Edu Falaschi lança "MI'RAJ", capítulo final de sua trilogia conceitual
As bandas clássicas e nem tanto que estarão no novo game dos criadores do Guitar Hero
Como foi o primeiro show do Nightwish, segundo Tuomas Holopainen
Tarja Turunen lança "Frisson Noir", disco mais pesado da sua carreira solo
Anika Nilles conta como aprendeu partes de Neil Peart para turnê com o Rush
Mikkey Dee conta como conheceu e passou a tocar com King Diamond
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
Kerry King, do Slayer, fica furioso com motoristas que não dão seta
A nojenta iguaria que cônsul em Taiwan ofereceu ao Angra e apenas Rafael Bittencourt comeu
As inesperadas duas pessoas para quem Frejat não tirou o chapéu no programa do Raul Gil
A banda brasileira que na opinião de Regis Tadeu é "o Luciano Huck do rock"


Vocalista do Napalm Death acha que Motörhead foi a primeira banda "extrema"
O caótico show que marcou a estreia de Barney Greenway no Napalm Death
O dia em que Lemmy ouviu Little Richard em táxi com músicos do Napalm Death
A banda que parecia barulho sem sentido e influenciou Slipknot e System Of A Down
O dia em que Shane Embury, do Napalm Death, chorou ao encontrar Ronnie James Dio
Lista: 10 letras simples, para agradar quem acha que rock e política não se misturam
Heavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 1987



