Napalm Death: "aborto é um direito da mulher"

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Blabbermouth
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James Arter, do site Planet-Loud.com, recentemente entrevistou o frontman do NAPALM DEATH, Mark "Barney" Greenway. Alguns trechos desse papo:

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Planet-Loud.com: Na sua opinião, o que mudou na banda ao longo dos anos?

Barney: Bem, com certeza mantivemos a nossa essência. Por exemplo, você pode perceber que no novo álbum há coisas que poderiam muito bem estar no "Scum" (lançado em 1987), mas fizemos algumas mudanças e experimentamos coisas novas. O que acontece é que muitos fãs do NAPALM gostariam que sempre regravássemos nosso segundo álbum, mas pra quê fazer isso? Poderíamos agir dessa forma e lançar um álbum novo em três semanas, com boas músicas, mas você precisa expandir um pouco a sua criatividade, não é mesmo? Quando você ouve o [último] álbum do NAPALM, a natureza rápida e alucinada da banda está lá, mas achamos que também há algumas coisas diferentes que ampliam os horizontes da banda. Veja só, as pessoas falam que o NAPALM é uma espécie da banda pioneira, mas você só é bom se o seu próximo álbum também for bom. Para continuarmos sendo uma banda, precisamos ser bastante criativos.

Planet-Loud.com: Como está o relacionamento entre vocês na banda, vocês ainda se dão bem?

Barney: Sim, bem, precisamos de nosso espaço, como todo mundo, e temos maneiras diferentes de fazer as coisas, mas isso é bom, é bom poder admitir que você precisa agir assim. Teremos apenas quatro dias para descansar em casa depois desta entrevista, depois vamos direto pros EUA, portanto nesses quatro dias precisamos de todo esse tempo para poder recuperar o fôlego...

Planet-Loud.com: Você pessoalmente tem sido bem sincero a respeito de suas letras, que possuem muita crítica social, então qual é a mensagem geral deste álbum?

Barney: Este é o álbum mais conceitual que já fizemos, e é todo sobre religião. Muitos dos nossos álbuns tratavam de questões gerais e discutiram muitos tópicos diferentes, mas este se baseia mais na religião embora, obviamente, fale de outros assuntos relacionados à religião. Conheço muitas bandas que já discutiram assuntos relacionados à religião, mas eu queria aprofundar um pouco mais essas questões e falar de algumas coisas que as pessoas não conhecem, como a moralidade... bem, realmente a moralidade é algo totalmente falso. Para criticar a moralidade de algo você precisa afirmar que possui uma moral melhor que a dos outros, porque simplesmente eles não agem da mesma forma que você - mas isso é apenas mais uma das muitas coisas na religião que tem afastado as pessoas umas das outras. As pessoas fazem julgamentos e dizem "Aquilo que é meu é melhor do que aquilo que é seu" só porque agem dessa forma. O que quero dizer é que, se você analisar essa questão numa perspectiva mais ampla, o mundo parece estar à beira do abismo agora mesmo, está tudo uma grande confusão já há muito tempo, e a religião está por trás de muitos desses problemas...

Planet-Loud.com: E todas essas guerras que estão acontecendo...

Barney: Sim, e até mais do que isso. Tivemos... mais de 2000 anos dessa coisa da religião ser muito influente sobre a maneira pela qual somos governados, mesmos aqueles que escolhem ser ateus - eu mesmo sou - e a maior parte da humanidade não dá a mínima pra religião; isso você percebe, é claro, se tiver acesso às estatísticas... portanto, por que temos que ser governados por essa coisa que é baseada apenas em mitos? Na verdade, nada foi provado, não há justificativa alguma para a religião...

Planet-Loud.com: Concordo plenamente com você...

Barney: ... e ainda estamos praticamente nos deixando dominar pela hipocrisia, então acho que está na hora de pararmos um pouco e dizermos "Isso precisa acabar". Vamos mudar as coisas, vamos parar com toda essa bobagem. Muitas dessas questões são tabus nas mentes das pessoas, mas somos seres humanos, temos o direito de expressarmos nossas opiniões.

Planet-Loud.com: Já faz quase 25 anos [desde que a banda foi formada]. Quais foram as suas principais realizações?

Barney: Acho que nossas maiores realizações foram muito simples. Ir a lugares onde nenhuma outra banda esteve e fazer coisas positivas, como ir até a África do Sul e falar sobre igualdade e enfrentar - isso precisa ser dito - forte oposição. E, o que é ainda mais simples do que isso, motivar os fãs a chegarem até você ao final da noite, ou a escrever pra você e dizer "Nunca tinha pensado sobre isso antes, mas isso me afeta também e concordo com isso". E, uma coisa que é muito importante para mim, mais uma vez apenas um assunto entre tantos outros, é o direito de uma mulher poder escolher fazer um aborto - isso é algo que apóio bastante, elas precisam ter o direito de escolher. Muitos jovens dizem que já leram sobre esse assunto e estão trabalhando para conscientizar as pessoas em relação a isso, sobre o direito à escolha.

Leia a entrevista completa neste link.




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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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