Al Atkins: "achei que o Judas Priest nunca faria sucesso"
Por César Enéas Guerreiro
Fonte: Blabbermouth
Postado em 23 de abril de 2007
Dark Starr, do webzine Wormwood Chronicles, entrevistou em 2007 o vocalista original do JUDAS PRIEST, Al Atkins. A seguir, um trecho da entrevista.
Wormwood Chronicles: Muitas pessoas podem não saber que você foi um membro fundador e o vocalista original do JUDAS PRIEST. Você pode contar aos leitores um pouco sobre essa história?
Al Atkins: "O JUDAS PRIEST na verdade foi formado em 1969 e K.K. Downing fez um teste para o posto de guitarrista mas não conseguiu. O nome do cara que foi aprovado era Ernie Chataway e a formação completa era Ernie (guitarra), Bruno Stapenhill (baixo), John Partridge (bateria) e eu (vocais). Nós assinamos um contrato de quatro anos com a Immediate Records, cujo proprietário era Andrew Loog Oldham, o cara que descobriu os THE ROLLING STONES. Mas, logo depois de assinarmos eles faliram e, no final de 1970, nos separamos. Eu decidi continuar mesmo assim e formei o JUDAS PRIEST novamente, dessa vez com K.K. Downing (guitarra), Ian Hill (baixo) e John Ellis (bateria). Fora algumas mudanças de baterista, essa formação durou até maio de 1973. Éramos uma grande banda de abertura e tocamos junto com GARY MOORE, SUPERTRAMP, MAGNUM, STATUS QUO, SLADE, BUDGIE, FAMILY, SPIRIT e THIN LIZZY, só para citar alguns, mas nunca conseguimos um contrato e ganhamos muito pouco dinheiro. Eu era o único casado, tinha uma filha e, como eu achava que a banda nunca faria muito sucesso, eu decidi deixá-los porque eu precisava de uma renda fixa, então larguei a banda para ter um emprego normal".
"Algum tempo depois, K.K. e Ian bateram na minha porta e perguntaram se poderiam usar o nome JUDAS PRIEST e também as músicas que eu escrevi, porque eles haviam encontrado outro vocalista para o meu lugar, e eu disse: ‘Sim, é claro’. O nome do vocalista era Rob Halford. Essa formação continuou a fazer turnês durante mais um ano antes que a gravadora independente Gull Records assinasse com eles um contrato de quatro anos, mas com a condição de que eles contratassem mais um guitarrista, para ficarem com um som mais pesado... eles fizeram isso e o seu nome era Glenn Tipton".
Wormwood Chronicles: O que você tem feito desde aqueles primeiros dias do JUDAS?
Al Atkins: "De 1974 a 1978 eu cantei em outro quarteto britânico chamado LION, que contava com o baixista original do JUDAS, Bruno, e com o baterista Pete Boot, do BUDGIE. Tínhamos muitos fãs mas, quando houve a explosão do punk, nosso estilo musical simplesmente ficou ultrapassado. Nós tocávamos com os THE SEX PISTOLS e outras bandas punk, mas eu odiava aquele tipo de ‘táticas de choque’, como cuspir e falar palavrões. Então eu decidi jogar a toalha novamente. Às vezes eu penso que deveríamos ter continuado porque, depois que a era do punk acabou, a cena NWOBHM surgiu com bandas como SAXON, VENOM e DIAMOND HEAD e o LION poderia ter perfeitamente encontrado seu lugar naquela cena".
"Durante os anos 80 eu me concentrei em minhas habilidades de compositor e apenas fazia umas jams de vez em quando mas, em 1989, eu gravei meu primeiro álbum solo, ‘Judgement Day’ para uma gravadora alemã independente. Em 1991 gravei meu segundo álbum, ‘Dreams of Avalon’ e, em 1996, a antiga gravadora do JUDAS, Gull, me pediu para gravar um CD para eles, então eu compus ‘Heavy Thoughts’. Em seguida eu gravei meu quarto disco solo, ‘Victim of Changes’, com Dave Holland na bateria. Depois comecei a me concentrar em tocar ao vivo, algo de que voltei a gostar depois de todos esses anos, e até me juntei ao guitarrista Dennis Stratton (ex-IRON MAIDEN, PRAYING MANTIS) durante um tempo para fazer turnês pela costa leste dos EUA".
"Em 2006 gravei meu quinto CD, intitulado ‘Demon Deceiver’, com a ajuda de vários músicos que eu conheci ao longo dos anos, e que acabou de ser lançado".
Wormwood Chronicles: Você ainda tem contato com o pessoal do JUDAS?
Al Atkins: "Não tanto quanto antes, mas eu falo com Ian [Hill] de vez em quando e encontrei-me com eles no backstage do The NEC Birmingham quando eles tocaram lá no ano passado".
Wormwood Chronicles: O que você acha da música que eles fizeram depois que você saiu da banda?
Al Atkins: "Nos primeiros álbuns que eles gravaram a música não era muito diferente da que fazíamos quando eu estava na banda e eles até usaram algumas músicas minhas, como ‘Never Satisfied’, ‘Winter’, ‘Caviar and Meths’, ‘Dreamer Deceiver’ e ‘Victim of Changes’, mas a contribuição de Glenn estava aumentando cada vez mais em músicas como ‘The Ripper’. Acho que, com o passar dos anos, a sua música foi ficando cada vez mais rápida e pesada, sem falar que seus duetos de guitarra são fenomenais. Minha música favorita só pode ser ‘Painkiller’".
Leia a entrevista completa no wormwoodchronicles.com.
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