Livro de Jeanette Araya relatará vida de seu irmão, o vocalista do Slayer
Por César Enéas Guerreiro
Fonte: Blabbermouth
Postado em 20 de agosto de 2008
Jeanette Araya, 48, irmã do baixista/ vocalista do SLAYER, Tom Araya, está trabalhando em um livro que contará tudo sobre a vida de sua família e como esta foi afetada pelo papel de seu irmão como frontman de uma das mais influentes e controversas bandas de heavy metal dos últimos 25 anos. Ela enviou o seguinte resumo de sua história ao BLABBERMOUTH.NET:
"A história começa com o fim da vida religiosa de meu pai e com o clímax da carreira de meu irmão como vocalista da controversa banda SLAYER. Depois eu volto à década de 1930 no centro do Chile, para o começo da vida de meu pai, a fim de entender as dificuldades que um homem encontra durante a vida para sair da pobreza. A controvérsia que ele enfrentou em seus últimos anos de vida com o dinheiro e Satã, já que ele era um jovem de uma família pobre que lutava para sobreviver, foi traumática e inspiradora".
"Sendo o mais jovem de sete filhos de um pai alcoólatra e uma mãe compreensiva e carinhosa, a religião foi a única segurança e um consolo que guiou sua vida e seus sonhos. Ele amava a escola e matemática foi sua matéria favorita, mas teve que abandonar os estudos para trabalhar e ajudar sua família quando tinha apenas oito anos. Quando criança, ele adorava jogar futebol com um time de amigos, adorava cores vivas, música e sempre sonhava em voar, o que fazia ele se sentir mais perto do céu. Casou-se aos vinte anos e, quando completou trinta, já tinha cinco crianças pequenas e começou a reviver o comportamento de bebedeiras e infidelidades de seu pai. Então ele decidiu fazer uma grande mudança em sua vida. Em 1965 ele partiu pros EUA, ‘onde o dinheiro crescia em árvores e todo mundo vivia sem problemas’".
"Com pouco dinheiro no bolso, nenhum conhecimento da língua inglesa, pouca educação e pele morena, nos anos 60 ele chegou em Los Angeles, Califórnia e, seis meses depois, trouxe sua família. Ela trabalhava por um dólar por hora. Depois ele arrumou outro emprego e começou a trabalhar 16 horas por dia. Em dois anos ele comprou sua primeira casa nos EUA e mais dois filhos nasceram; éramos então sete. Ele cuidava muito bem de tudo – religião, respeito e o cinto para garantir os dois. Não tínhamos muito dinheiro então, nas longas férias de verão, nós nos divertíamos fazendo shows no quintal para os garotos da vizinhança, algo como os ‘The Little Rascals’ [exibido no Brasil como ‘Os Batutinhas’]. Nós dublávamos músicas pop e tocávamos em instrumentos improvisados. Conforme o tempo passava, os shows ficaram mais elaborados e o interesse de meu irmão por música tornou-se uma paixão e a religião ficou só com meu pai".
"No final dos anos 70, meu irmão Tom entrou para uma banda de heavy metal e quebrou a silenciosa harmonia de nossas ‘vidas normais’. Papai não sabia sobre a agressividade e as mensagens das letras da banda e ficou muito orgulhoso do filho, além de dar todo o apoio. Mas quando a verdadeira face das músicas começou a aparecer, ele ficou arrasado. Ele estava profundamente envolvido com uma igreja local e pertencia a muitos grupos de ajuda e oração. Ele oferecia a comunhão aos domingos e ajudava em todos os batismos e funerais; a igreja tinha se tornado sua vida".
"Um dia, depois de uma reunião do grupo de oração, uma senhora se aproximou de meu pai com lágrimas nos olhos e pediu ajuda. Ela começou a explicar a ele as dificuldades que estava enfrentando em relação ao seu filho adolescente, que tinha se tornado satanista e pediu a meu pai para ir até a sua casa e fazer uma oração de cura. Meu pai concordou e levou minha mãe com ele. Quando eles entraram na casa, o menino estava sentado e muito zangado por sua mãe estar fazendo aquilo. Meu pai achou que ele se sentiria mais à vontade se rezassem em particular, então perguntou ao garoto se não seria melhor se rezassem em seu quarto. Quando entraram no quarto do garoto, o rosto de meu pai ficou branco e minha mãe ficou muito nervosa. A primeira coisa que eles viram foi um pôster do SLAYER na parede com a foto de meu irmão bem no centro. Então o SLAYER foi um dos maiores desafios de meu pai em sua vida devido ao amor que tinha pelo filho e pela ajuda financeira que recebia dele na época".
Quando perguntada se o livro foi escrito com o consentimento de Tom, Jeanette disse ao BLABBERMOUTH.NET, "Não sei se tenho o consentimento dele, mas com certeza tenho sua bênção. E sim, ele está envolvido".
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