Iron Maiden: um casamento marcado por fanatismo pela banda
Por Marco Machado
Postado em 13 de junho de 2011
Fãs do Iron Maiden são conhecidamente fanáticos e levam este fanatismo aos limites. Marco Machado de Belo Horizonte, já foi tema de matéria publicada no Whiplash.Net quando seguiu em 2009 o Iron Maiden por 4 shows no Brasil além de ter ido na premiere mundial do filme Final Frontier no RJ.
Em janeiro de 2011 se casou em Belo Horizonte e o Maiden esteve presente tanto na cerimônia quanto na lua de mel em Londres.
Abaixo está um vídeo intitulado "Como se casa um fã do Iron Maiden" que mostra um bolo de casamento com um noivo de camisa do maiden, a entrada do noivo ao som de Fear of the Dark, além de Maiden tocando na festa.
O mais interessante porém fica com a lua de mel em Londres, quando conheceram o West Ham e o Ruskin Arms. Tudo está registrado no vídeo abaixo e nas fotos que seguem.
Abaixo um breve relato sobre esta viagem para conhecer a história do Iron Maiden.
"O Maiden nasceu no bairro West Ham, longe do centro de Londres. É bem subúrbio como eles sempre disseram em todas suas biografias.
Estando lá entendi quando Steve Harris fala no documentário da banda que nunca pensaram em ser grandes porque "poxa nós somos de West Ham".
Estava hospedado em Paddington, uma região mais central de Londres e West Ham ficava MUITO longe. Mas minha viagem foi planejada para terminar em Londres, onde fiquei por uma semana justamente para poder conhecer todos os pontos.
Chegamos na estação de Paddington aproximadamente às 10h. Frio intenso de 8 graus negativos. Foram 16 estações em uma viagem de 1h30m de metrô até chegar na estação de Uptom Park, que fica a 2 quarteirões do estádio do West Ham, Time de futebol por que torce Steve Harris.
Cheguei no estádio e tirava fotos externas quando vi um cara passando com jaqueta do West Ham escrito "Security". Perguntei se era possível conhecer o estádio por dentro e sem parar sua caminhada ele me respondeu grosseiramente "apenas uma foto ok? Estou muito ocupado".
Tive que sair correndo atrás dele que não virou pra trás para ver se eu o seguia nem falou uma mísera palavra. Mas, foi abrindo as portas e chegamos ao gramado do impecável estádio. Mesmo para um time que não é um dos grandes da Inglaterra a estrutura impressiona.
Como brasileiro que sou, enquanto tirava fotos no gramado e elogiava a estrutura fui tentando trocar idéia com ele. Quando falei "Fuck Chelsea and Fuck Manchester, todo fã de Iron Maiden torce é para o West Ham" ele começou a "ir com a minha cara". Inclusive falou que sabia que o baixista do Iron Maiden era torcedor ilustre deles.
Daí começou a falar dos ex-jogadores do West Ham, do estádio e me mostrar as fotos de Bobby Moore, que foi o melhor jogador deles e imortalizado com um setor do estádio que leva seu nome.
Falou nomes de jogadores brasileiros como Pelé, Ronaldo e neste ponto da conversa já havia feito um amigo. Ele então tomou a câmera da minha mão e sorrindo falou "Pode deixar que eu tiro fotos de vocês aqui".
Ficamos 20 minutos dentro do estádio conversando e tirando fotos. Na saída, perguntei seu nome para agradecer e me despedir e ele disse : "Me chamo MARCO mas como é mais difícil de pronunciar me chamam aqui de MARK". Nessa hora que tive a certeza de que realmente eu estava no lugar certo fazendo a coisa certa. Tínhamos o mesmo nome! Quando falei para ele que também me chamava MARCO, ele me abraçou umas 3 vezes, e começou a bater no peito e dizer "GO HAM!". Me fez repetir o gesto mas eu o ensinei a dizer "GO CRUZEIRO!
Saí do estádio e fui para a loja oficial repleta de produtos do time. Não havia nada relacionado a Steve Harris no estádio nem na loja. Pensei que poderia ter algum pôster ou foto pelo menos.
Bom, comprei a belíssima camisa do West Ham e agora rumo ao meu objetivo principal: RUSKIN ARMS.
Uma hora de caminhada pelas ruas de West Ham. Graças ao GPS do iPhone estava me localizando sem problemas. Fomos passando por ruas bem de periferia para os padrões de Londres. Casas sujas, velhas, entulho na frente, mas um lugar calmo, nenhum tipo estranho na rua. Mas um lugar triste e abandonado.
Começou a surgir muitos árabes , indianos e mulçumanos. Muitos! Chegamos na avenida High Street North, uma avenida comprida e repleta de comércio que já faz esquina com a rua Ruskin onde está o pub.
O cheiro de perfume indiano e incenso misturado com cheiro de comida era de embrulhar o estômago. Várias mesquistas com um entra e sai frenético de homens barbudos e com as tradicionais roupas muçulmanas. Uma "cidade" paralela, não tem mais características de Londres nem inglesas. Um gueto.
Cheguei ao Ruskin e conforme minhas pesquisas prévias na internet, ele realmente foi vendido e será transformado em um hotel. Estava todo cercado de tapumes e telas. O West Ham se transformou no reduto dos imigrantes e começou a fazer sentido o porque da sua venda.
Parei, e fiquei olhando fixamente para a fachada. Ler aquele mítico nome, lembrar das fotos de 30 anos atrás, imaginar que foi ali, naquela esquina que o Maiden se transformou na maior banda do mundo. Foi uma sensação única. Me senti ali representando meu irmão e amigos que aguardavam por fotos e notícias dessa empreitada.
Infelizmente não havia como entrar e conhecer por dentro, até porque pelo pouco que consegui ver da parte interna, já estava totalmente descaracterizada.
Não havia como o Ruskin Arms sobreviver naquele bairro. Acabou o clima de pub, ele não pertence mais ao local que agora é totalmente um bairro imigrante onde nem o inglês é falado na rua. A viagem foi em janeiro de 2011. Hoje ele já não deve existir mais. Tive sorte de encontrar a fachada ainda preservada com o letreiro original ainda pendurado. Me arrependi de não ter tentado com alguém "ganhar" aquele letreiro e trazê-lo para o Brasil.
Ainda estava nos meus planos conhecer o Cat & Horses porém era muito longe e eu havia planejado ir de taxi mas não encontrei nenhum em West Ham.
Hora de caminhar mais 1 hora de volta até a estação. Depois mais 1h30 de viagem de metrô.
Foi um puta sacrifício em plena lua de mel mas a sensação de conhecer pessoalmente um local histórico e que nunca mais poderá ser visitado foi única."
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