Max Cavalera: "Acho legal ter filhos e continuar detonando"

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Por Alexandre Caetano, Fonte: Lithium Magazine, Tradução
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Anton Koltykov, da Lithium Magazine, conduziu recentemente uma entrevista com Max Cavalera (SOULFLY, CAVALERA CONSPIRACY, SEPULTURA). Alguns trechos da conversa podem ser conferidos a seguir:

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Anton: O último álbum [do SOULFLY], "Enslaved", é o mais pesado e mais sombrio do SOULFLY até agora; o que o levou a seguir essa direção?

Max: É, eu queria fazer alguma coisa diferente, sabe como é... Eu achei que os dois últimos álbuns soaram meio parecidos - "Conquer" e "Omen". "Omen" foi um pouco mais thrash e hardcore, e eu fiquei pensando "o que mais eu posso fazer?" Eu sempre gosto de surpreender um pouco os fãs, então comecei a ouvir umas coisas mais pesadas, e ouvi muitos dos meus discos mais antigos, meus velhos discos de death metal como ENTOMBED, NAPALM DEATH, MORBID ANGEL, DEATH, MASSACRE, daí eu também comecei a ouvir bandas mais novas que também são bem pesadas, como OCEANO, THE ACACIA STRAIN, MOLOTOV SOLUTION, IMPENDING DOOM, I DECLARE WAR, e me senti como "isso é matador!" É uma música legal que está dando certo e poderia levar o SOULFLY para um nível mais pesado. Foi um tipo de experimento, mas eu acho que muitas pessoas gostaram dessa energia do disco, porque é brutal do começo ao fim mesmo. Na verdade, este foi o primeiro álbum do SOULFLY que eu nem incluí uma instrumental, ela veio como faixa bônus em uma edição especial, porque eu achei que o álbum soava tão pesado que não tinha espaço para uma faixa instrumental nessa gravação. Foi divertido trabalhar com o [produtor] Zeuss... um cara legal que fez alguns trabalhos fantásticos como o OCEANO. Ele tinha muita experiência com esse som e nos ajudou a criar esse álbum pesado. Eu consegui o que eu queria; queria fazer um trabalho completamente diferente do último e nós fizemos.

Anton: Você seleciona grandes colaboradores nos álbuns do SOULFLY, como você escolhe os músicos?

Max: Geralmente eu sou fã da música deles, alguns eu já conheço então é bem fácil. A amizade toma conta e deixa o trabalho todo muito mais fácil, sabe como é. Como o Dez, do DEVILDRIVER, eu conheço ele há anos, então foi bem tranquilo ir para o estúdio com ele. A maioria são bandas que eu conheço bem e gostaria de trabalhar junto, e eu acho bem legal essa ideia de colaboração, que começou com o SEPULTURA, nos primeiros anos. Lá o "Beneath The Remains" teve o Kelly Shaefer do ATHEIST, que escreveu algumas letras, para "Stronger Than Hate" nós usamos ele e, claro, no "Chaos A. D." usamos o Jello Biafra, que escreveu a letra de "Biotech". No "Roots" trabalhamos com o Mike Patton e Jonathan, do KORN, na "Look Away". Isso continuou no SOULFLY; "Primitive" teve Tom e Chino, do DEFTONES. Eu comecei a trabalhar com alguns dos meus músicos favoritos e foi divertido colocá-los em um ambiente diferente. É como quando você ouve "Terrorist", não parece com SLAYER, mas é o Tom Araya cantando, então fica bem legal; é como ele soa quando não está no SLAYER. Eu vou fazer isso em todos os álbuns, vou trazer alguém diferente. Não precisa ser de banda grande, pode ser de uma banda underground também, porque eu gosto de underground. Eu gosto muito de bandas novas, que pouca gente gosta.

Anton: Sua carreira musical sempre esteve envolvida com sua família. Como você administra para dar conta de ambas?

Max: A primeira coisa é não esconder isso. Muitos músicos escondem do mundo que eles têm filhos. Não sei por quê. Eu acho legal ter filhos e continuar detonando! Não tem nada que diga que se você tem filhos, você tem que parar de tocar, você tem que ser um gatinho manso, só porque se tornou pai. [Balança a cabeça] Foda-se! Não tem nada a ver. Quando eu tive meus filhos, eu fiquei orgulhoso e tatuei os nomes deles nos meus dedos e levei eles na turnê. Tem sido assim sempre. Richie esteve com o NAILBOMB, 1995, meu irmão fez um moicano nele, raspou a cabeça dele e deu uma guitarra, ele ia na frente de centenas de milhares de pessoas e fazia alguns barulhos. Então, sim, minha família sempre esteve lá. Essa turnê é muito guiada pela família. LODY KONG, que é a banda do mais novo, e Richie está no INCITE. É uma turnê incrível, uma grande bagagem para todos. Venha cedo para ver todas as bandas e no final do set do SOULFLY, nós fazemos "Revengeance", nós trazemos todo mundo e tocamos com a família toda no palco. É uma ótima atmosfera. É ótimo viajar com a família inteira; eu acho que essa é uma turnê única.

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Sobre Alexandre Caetano

Alexandre Caetano, tem 31 anos, mais da metade dedicados ao Rock. Mora em São Paulo, é formado em ciências sociais, mas nas horas vagas arruma um tempinho para escrever e traduzir textos, para divulgar material de suas bandas favoritas!

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