Red Dragon Cartel: vocalista medíocre constrange Jake E. Lee
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 25 de janeiro de 2014
No segundo semestre de 2013, os fãs do hard rock e do heavy metal oitentista ficaram bastante empolgados em saber que, depois de uma ausência de duas décadas do cenário musical, o guitarrista estadunidense JAKE E. LEE retomaria suas atividades.
Lee, um guitarrista prodígio que ficou notório graças a seu prolífero envolvimento com o vocalista inglês OZZY OSBOURNE – parceria da qual nasceram dois clássicos indiscutíveis e absolutos, "Bark At The Moon" e "The Ultimate Sin" – teve ainda bastante destaque no meio com a banda BADLANDS, que formaria no fim dos anos 80 com o vocalista RAY GILLEN [RIP] e o baterista ERIC SINGER [ALICE COOPER, KISS]. Após o fim do Badlands com a morte de Ray Gillen, Jake ainda gravaria um excelente disco instrumental, "A Fine Pink Mist", para em seguida optar por um exílio autoimposto.
Seu afastamento acabou oficialmente no dia 12 de Dezembro do ano passado, com um show de seu novo grupo, o RED DRAGON CARTEL [o nome é mais uma referência à ascendência japonesa dele] no Whisky A Go Go em West Hollywood. A apresentação também celebrava a contratação da banda pelo selo italiano especializado em decanos do hard rock FRONTIERS RECORDS para o lançamento de um álbum ainda em 2014 [e que já saiu].
Jake mostrou que continua – apesar de ele ser legalmente cego – impecável na execução tanto de covers de faixas de seu catálogo pregresso como nas novas composições. O resto da banda, contudo, comprometeu bastante o produto final. Baixo e bateria à parte, o vocalista DARREN JAMES SMITH foi um constrangimento completo. Muitos diriam que ele é digno de perdão, afinal, tratava-se de seu primeiro show com essa banda, e ele poderia estar nervoso, e consequentemente, sujeito a algumas derrapadas. O desempenho vocal de Smith é tão fraco que mesmo músicas conhecidas como ‘Bark At The Moon’ estavam irreconhecíveis, sem contar que ele, por várias vezes durante o set, apelou para a plateia quando simplesmente esquecia a letra. Ele também estava visivelmente intoxicado de bebida. Embebedar-se antes de um show até funciona para alguns frontmen, mas não é uma prerrogativa dele.
Jake conduziu um plano de ‘controle de danos’ logo após a repercussão da estreia, dando um desconto para seu vocalista, fazendo uso da carta valete do nervosismo de uma primeira vez, postura que o próprio Darren também adotou ao desculpar-se publicamente pelo ocorrido.
Página virada? Antes fosse.
Na noite de ontem, naquele que é o maior evento da indústria musical dos EUA – quiçá do mundo – a NAMM, o Red Dragon Cartel tinha a chance de se redimir perante uma plateia bastante curiosa e crítica [basicamente músicos, entusiastas de guitarra e fãs deveras zelosos] na casa noturna The Grove, de Anaheim, em evento patrocinado e organizado como parte das festividades de fim de dia da feira. O que se desenrolou ao longo da noite foi, sob qualquer perspectiva, um desastre.
Além de Smith, o baixista RONNIE MANCUSO e o baterista JONAS FAIRLEY não estavam em seu melhor dia. Mas ainda assim, e em contrapeso à exatidão e profissionalismo de Jake, Darren roubou a cena mais uma vez. Ele, no período mais crucial do lançamento de um disco [o primeiro mês], com uma vitrine do tamanho da NAMM, não se deu ao trabalho nem de decorar as letras das músicas que ele mesmo gravou, e precisou ao auxilio de – pasmem – anotações escritas para completar algumas. Ainda assim, as cantou fora de tom, e causou desconforto generalizado ao esquartejar ‘Bark At The Moon’ mais uma vez. A evidência em vídeo pode ser vista abaixo.
Com quase 40 anos de carreira e finalmente se dispondo a contribuir – com o MUITO que ele pode – ao rock e ao metal, cabe agora a Lee [e talvez também à Frontiers Records] dispensar esse presepão antes que o público acabe associando o grupo inteiro com a mediocridade que ele vem defecando sobre a reputação do RDC. A banda tem shows agendados para vários festivais europeus de verão no meio do ano, e um fiasco para meio milhão de pagantes pode ser um golpe forte demais para a decolagem da banda.
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