As verdades e mentiras de "Live; Right Here Right Now", ao vivo do Van Halen
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 24 de fevereiro de 2014
No dia 23 de Fevereiro de 1993, o VAN HALEN lançava "Live: Right Here, Right Now", seu primeiro e único álbum ao vivo.
E abaixo, cortesia do site VHND, a história nunca antes contada sobre como o álbum foi parido…
No começo de 1992, o álbum "For Unlawful Carnal Knowledge", assim como sua turnê promocional, haviam se tornado ambos enormes sucessos. Mas, nos bastidores, DAVID LEE ROTH começava a fazer barulho. Ele estava ameaçando processar a Warner Bros em uma tentativa de fazer com que a gravadora lançasse um disco intitulado "Van Halen: Greatest Hits, Part 1″ que destacaria os anos em que ele estivera na banda [1978 – 1984]. Roth queria incluir músicas de sua carreira solo para completar o pacote, tais como "Just a Gigolo", "California Girls", "Just Like Paradise" e "Going Crazy". Ele estava forçando a Warner Bros a atender sua exigência.
O empresário do Van Halen à época, ED LEFFLER, encontrou-se com MO OSTIN e LENNY WARONKER da Warner para discutir a situação. Leffler tentou convencê-los de que um disco de maiores sucessos com Roth mataria o momento da banda com Hagar. Ele insistiu que isso afetaria a banda e suas vendas de discos, e dividiria – novamente – os seguidores do grupo. Em certo ponto da conversa, eles chegaram a perguntar se Sammy consideraria regravar algumas das faixas da era Roth com sua própria voz. Leffler disse a eles que Sammy estaria disposto a cantar músicas da era Roth, mas só se fossem gravadas durante uma apresentação ao vivo. Dessa conversa nasceu o primeiro álbum ao vivo do Van Halen.
Leffler comprometeu-se com a gravadora que certificaria-se de que todos sairiam felizes. Que tal um disco ao vivo do Van Halen que tivesse alguns dos maiores sucessos do grupo com o vocalista anterior, mas na voz di atual crooner? Um álbum duplo ao vivo, com Sammy cantando músicas de ambas as eras? E a banda então sairia em turnê para divulgar o álbum com uma turnê. A Warner comprou a ideia, e Mo enterrou a ideia de um Greatest Hits com Roth.
Alguns meses depois, a gigantesca turnê do disco "For Unlawful Carnal Knowledge", também conhecida como a "F.U.C.K. Tour", tinha sido recém-encerrada. Depois de três discos e turnês insanamente bem-sucedidos com Sammy Hagar, o Van Halen iria lançar um disco ao vivo oficial, assim como seu segundo home vídeo com um show [o excelente ‘Live Without A Net’ havia sido lançado em 1987 em VHS e posteriormente em DVD. Até os fãs que não preferem a era ‘Van Hagar’ apreciam a incrível apresentação da banda naquele vídeo].
A banda foi filmada ao longo de duas noites 14 e 14 de Maio de 1992 na Selland Arena de Fresno, Califórnia. A rede de rádio Westwood One gravou o áudio de ambos os shows para uma transmissão radiofônica. O áudio foi mixado por Ed, Alex e Jon Ostrin no estúdio particular do guitarrista, o 5150.
A transmissão ficou conhecida como o "Cabo Wabo Radio Festival", e foi ao ar em rede nacional no dia 20/8/1992. Ela incluía entrevistas ao vivo com Sammy Hagar e Michael Anthony gravadas na Cabo Wabo Cantina. Sammy e Mike fizeram uma jam session durante a transmissão com BRET MICHAELS e RICHIE KOTZEN [então recém-anunciado no POISON], DAVID LAUSER [da banda solo de Sammy] e CRAIG CHAQUICO do BIG BAD WOLF e STARSHIP. Quando as gravações de Fresno foram ao ar, a reação dos fãs foi muito positiva.
David Lee Roth dizia que Alex Van Halen sempre limava gravações ao vivo do VH porque o LED ZEPPELIN [na época] nunca tinha feito um disco ao vivo [além da pessimamente desempenhada trilha sonora de seu show/-filme]. Mas finalmente, uma das maiores bandas ao vivo do rock estava determinada a lançar um álbum ao vivo! Seria a resposta oficial deles às centenas de lançamentos piratas. O álbum também daria ao grupo uma desculpa para excursionar pela Europa sem lançar um novo disco de estúdio. E talvez o mais importante, tiraria o fardo de lançar um disco com os maiores sucessos da era Lee Roth das costas da gravadora.
O álbum duplo "Live: Right Here, Right Now" foi lançado no dia 23 de Fevereiro de 1993 e chegou ao #5 da parada da edição estadunidense da revista Billboard e arrebatou o disco de Platina no dia 4 de Maio de 1993 e Platina Dupla no dia 20 de Setembro do mesmo ano, e acabaria por vender 2 milhões e meio de cópias nos EUA. O home vídeo foi lançado em VHS no mesmo dia que a edição em Laser Disc. A versão em DVD é de 8 de junho de 1999.
LRHRN capturou um set típico da era Sammy em seu auge: ele incluía 27 músicas ao longo de mais de duas horas, com quatro da era Roth ["Ain’t Talkin’ ‘Bout Love", "Panama", "You Really Got Me" e "Jump", os trechos individuais de cada membro, um cover de "Won’t Get Fooled Again" do THE WHO, com Eddie tocando as partes de teclado na guitarra, e a contribuição pessoal de Sammy com "Give To Live" e "One Way To Rock".
Ao vivo ou de estúdio?
O van Halen começou a mixar o álbum ao vivo sozinho. Depois de um mês, contudo, Alex e Eddie chegaram à ‘capacidade terminal de mixagem’. Eles arrastaram o produtor ANDY JOHNS de volta ao 5150 mais uma vez para conduzir o processo. Em entrevistas, o grupo disse que contratara John em parte para organizar os quilômetros de fitas desorganizadas gravadas em estúdios móveis em caminhões. Eles afirmaram ter chegado a material das turnês de 1986 e 1988 atrás de performances boas de algumas músicas. Ao longo dos anos desde o lançamento, contudo, muitos fãs têm questionado se gravações dos anos 80 foram mesmo usadas. A verdade é que a banda pode ter de fato peneirado algumas gravações antigas, mas o lançamento final não continha nada que fora gravado nas turnês de 1986 e 1988. Tudo lançado no álbum foi gravado em Fresno 1992, ou – acredite ou não – dentro do estúdio 5150 posteriormente naquele ano.
Sammy Hagar queixou-se, em sua autobiografia, de que o álbum não foi gravado completamente ao vivo [o que na verdade é uma prática bastante comum na indústria]. O problema seria que eles teriam regravado quase todo o disco ao vivo, porque Eddie estava fora do tom, ou Al tinha atravessado. Eles consertaram tudo. Só que a partir disso, com Eddie no tom certo, a voz de Sammy, ainda segundo o próprio, parecia fora. E na parte que AL acelera em "Runaround", Sammy parecia estar atravessando. Aí então foi a vez de Sammy ter que voltar ao estúdio e refazer todos seus vocais. "Eu queria matar aqueles caras", escreveu. Ele ainda disse:
"Kari e eu voltamos do Havaí para Los Angeles. Eu disse a Eddie para ficar fora do estúdio. Eles me colocaram em uma sala com o vídeo do show, me deram o microfone, e eu fiquei lá e cantei o show inteiro duma paulada só. Foi como uma performance ao vivo. Eu mal voltei pra consertar qualquer coisa. Demorei três horas pra gravar e eu fui jantar. Os irmãos ficaram putos. Eles pegaram o microscópio pra tentar achar partes que não estivessem razoáveis, que eu precisaria refazer. Quando eles acharam algo, eu fui e consertei."
O vídeo de duas horas contém 15 das 27 músicas do CD duplo, além de 2 músicas que não estão no álbum, "Eagles Fly" e "The Dream Is Over". A track list final poderia ter sido escolhida melhor. Como em todas as turnês com Sammy Hagar, a era Roth mal fora representada. O disco "For Unlawful Carnal Knowledge" é tocado na íntegra, deixando apenas 3 faixas de "OU812", nenhuma de "5150" e somente "Jump" e metade de "You Really Got Me" de toda a era Roth estão no vídeo. Basicamente, a banda toca o disco "F.U.C.K." na íntegra e pouca coisa a mais.
A reação dos fãs
Alguns fãs criticaram a altura do barulho da plateia e o som polido demais. Quanto ao vídeo, muitas pessoas se incomodam com a edição, pondo a culpa no diretor Mitchell Sinoway que usou imagens das duas noites ao longo de cada música. Em vários trechos ao longo do vídeo, você vê as roupas de um dos membros mudarem e desmudarem durante a mesma música. Muitos fãs acham isso uma distração grande demais. Uma coisa é combinar imagens de dois shows diferentes, mas, por favor, sem edições múltiplas em cada música! Isso levou a alguns problemas de sincronização entre o áudio e o vídeo também, e não proporciona uma sensação de ‘ao vivo’ muito convincente. Além disso, muitos acham que a edição ficou um pouco inquieta demais: a câmera se move muito rapidamente, e os cortes são secos e frequentes.
Mesmo com todos os defeitos, temos que aproveitar o que pudermos da obra, já que esta banda não é de lançar muito material ao vivo. Com todas as falhas na edição, ainda é um item altamente recomendado.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
Álbum do Sepultura é citado como um dos melhores discos do thrash metal em lista da Kerrang!
Metallica volta a tocar música que estava fora dos seus shows desde 2008
Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
Fernanda Lira revela que irmã é jogadora profissional de futebol e já foi pra Seleção
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!
A música solo que Gilmour se arrependeu de escrever por causa do Pink Floyd
Nicko McBrain quis deixar o Iron Maiden nos anos 1980 por ter errado em um show
A banda de rock nacional dos anos 1980 que Lobão comparou com o Palhaço Carequinha
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
O vocalista que Tony Iommi demitiu do Black Sabbath porque ele "estava cheirando muita cocaína"
O erro de avaliação de David Gilmour sobre o "Dark Side of the Moon"
Rudy Sarzo sobre Rhoads x Van Halen: "Pessoas não sabem diferença entre opinião e fato"
O guitarrista extraordinário que Alex Lifeson admirava, mas cuja banda não o emocionava
Steve Lukather relança álbum que contou com Eddie Van Halen, Steve Vai e Slash
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Steve Morse lembra jam com Eddie Van Halen, Steve Lukather e Albert Lee
O disco do Pink Floyd que nunca envelhece, de acordo com Sammy Hagar
A banda clássica que Dave Grohl achou muito melhor que o Van Halen ao vivo
Malcolm Young era um guitarrista "melhor que Eddie Van Halen", segundo Angus Young
O guitarrista que Eddie Van Halen disse ser "melhor no que faço do que eu"
Capas Gêmeas: as infelizes coincidências nas artes dos álbuns


