Coleções: preservar suas gravações é uma corrida contra o tempo
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 25 de março de 2014
Na primeira escavação de sua carreira, Andrea Berlin descobriu a sala de uma casa na qual alguém havia vivido cerca de 800 anos antes de Cristo. Isso sim é sorte de principiante.
"Eu me senti como uma viajante do tempo", ela diz.
Berlin é agora professora de arqueologia na Universidade de Boston, onde ela leciona e estuda civilizações antigas do Mediterrâneo. Ela encontra suas esculturas e ferramentas e muita cerâmicas – qualquer coisa tangível e substancial o suficiente para durar dois ou três mil anos.
Mas apesar de cada escavação trazer à tona uma vida de coisas para se analisar, Berlin diz que ela ainda queria ter mais.
"Eu acho que os arqueólogos têm inveja dos historiadores, que têm acesso a fontes modernas de informação – o áudio, por exemplo, entrevistas individuais e shows e gravações", ela diz.
Desde a primeira gravação identificável em 1860, o som tem acrescentado um contexto cativante e significante à história.
"O discurso ‘Eu tenho um sonho’, de Martin Luther King – ouvi-lo na voz dele, ao invés de ler, é um meio muito mais visceral e significante, eu acho", afirma Gene DeAnna, chefe da seção de sons gravados da Biblioteca do Congresso estadunidense.
Quando você está trabalhando com formatos antigos, você está muitas vezes correndo contra o tempo. Com os cilindros de cera dos anos 1890 – um dos formatos de gravação mais antigos – o calor das suas mãos pode fazer com que eles rachem. Eles exigem um equipamento caro e altamente especializado para digitalizá-los, assim como pessoal que saiba usá-lo.
Discos feitos durante a Segunda Guerra Mundial, feitos de vidro porque outros materiais eram destinados aos esforços de guerra, são tão frágeis que podem quebrar mesmo quando manuseados apropriadamente.
E se estiver em uma fita cassete, está automaticamente em risco, diz Deanna – "Não importa o quão bem gravado foi nem por quem, ou em qual equipamento, se estiver em cassete, é simplesmente um formato terrível para se arquivar."
Mas a Biblioteca do Congresso dos EUA só tem autonomia para passar formatos deteriorantes para o digital no mesmo ritmo em que conseguem reproduzi-los. A instituição pode digitalizar cerca de 15 mil gravações por ano, e isso é apenas uma fração do que está na lista deles.
"Estamos adquirindo provavelmente algo entre 50 e 100 mil gravações ao ano", diz DeAnna, "Pelo menos estamos conseguindo estabilizá-las em um bom ambiente, de modo que a deterioração se desacelere, e esperamos conseguir salvar a maioria antes que se percam."
Muitas já se perderam, de acordo com um estudo conduzido pela Biblioteca do Congresso em 2010. Gravações de rádio, às quais o estudo se refere como ‘uma peça insubstituível de nossa herança sociocultural’, raramente eram mantidas para fins de arquivismo antes dos anos 30. Nas gravadoras comerciais, os masters de artistas fonográficos eram ocasionalmente descartados devido a restrições de espaço. E uma vez que as gravações são digitalizadas, elas ainda correm risco de serem perdidas. A menos que o formato digital seja atualizado constantemente, ele pode não ser reconhecido por um computador daqui a 10 anos. Gravações modernas que ‘nasceram digitais’ – pense em músicas que eram disseminadas em streaming através do MySpace – são especialmente efêmeras e sob risco de se perderem, afirma o estudo da Biblioteca do Congresso.
"É um processo ativo, não um processo passivo", diz DeAnna. "Não é como colocar algo em uma prateleira".
Alexander Rose, diretor da Fundação Long Now – uma organização que luta para manter a continuidade cultural ao longo dos próximos 10 mil anos – diz que isso fica aparente para qualquer pessoa que tenha tentado, sem sucesso, abrir um arquivo antigo de computador. "Coisas que foram talhadas em pedra mil anos atrás ainda podem ser lidas por nós. Coisas escritas em livros 100 anos atrás ainda podem ser lidas por nós. A maioria das coisas que foi concebida em um computador 20 anos atrás não podem", elabora Rose.
Mas Berlin, da Universidade de Boston, afirma que, caso possamos dar um jeito de nosso áudio sobreviver pelos próximos milênios, os arqueólogos do futuro ficarão eletrizados.
"Em 200 anos, ou 500 ou 1000, haverá gente nos estudando", ela diz. "Talvez eles possam nos ouvir".
Texto original de EMILY SINER para o site NPR
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