Stryper: um brutalmente honesto trecho da bio de Michael Sweet
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 01 de março de 2014
O texto abaixo é uma tradução livre do primeiro capítulo do livro autobiográfico do músico MICHAEL SWEET, do STRYPER - Honestly; My Life And Stryper Revealed.
Eu bebo. Eu fumo ocasionalmente. Se você perguntar a minha esposa, meus filhos, meu roadie, meu agente ou meu empresário, todos eles dirão a você que eu falo mais palavrões do que deveria. Eu já me enrosquei com mulheres em ônibus de turnês. Eu já fui preso por atentado ao pudor. Eu fui descuidado com dinheiro ao ponto de chegar à falência. Minhas bandas favoritas são os Beatles, Van Halen e Judas Priest. Eu fiquei puto com Jeová quando minha esposa morreu de câncer e eu desprezo religião.
Eu sou cristão.
Sou Michael Sweet. Sou cantor, guitarrista, compositor, produtor e membro fundador da pioneira banda de rock cristão Stryper. Já vendemos mais de 10 milhões de discos até hoje e fomos a primeira banda cristã a ser veiculada na MTV e a ter quatro vídeos na posição #1. Nós chegamos a ter dois vídeos no Top 10 ao mesmo tempo, quando a MTV ainda tocava vídeos de música. Nós tocamos em estádios de futebol e bares para motoqueiros, por vezes na mesma semana.
Apesar de termos feito tudo isso, eu ainda sou conhecido como o cara fantasiado de abelha preta e vermelha que taca bíblias. O cara de Jesus. Meu irmão, Robert, e eu, somos os membros fundadores do Stryper. Nossa banda estava no lugar certo na hora certa, e eu agradeço a Jeová por todas as experiências que já tive.
Se você pegou esse livro na esperança de ler histórias sobre eu me esconder em um armário injetando heroína, pagando prostitutas com todos meus vencimentos e dando uma surra num dono de casa noturna porque ele me olhou torto, você provavelmente deveria ler o livro do Mötley Crüe ao invés do meu, porque você não vai achar nada disso aqui. Eu não sou melhor do que eles, mas minha história é diferente. Eu não sou um anjo, tampouco, e acho que você encontrará algumas histórias elucidativas aqui, e eu espero – conheça você meu trabalho musical ou não – que você as ache esclarecedoras ou pelo menos divertidas.
Quando eu casualmente fico um pouco introspectivo, eu concluo que eu sou um cara bastante normal; mas isso pode apenas ser minha vontade. Leia as histórias de minha vida e daí então você decide – sou um cara comum ou apenas muito problemático?
Uma vida toda que parece um instante, eu fui de músico amador na Sunset Strip até compositor em uma banda multiplatinada [Stryper], passando por deixar o Stryper, chegar ao topo das paradas nas rádios cristãs [anos de carreira solo], trabalhando em um acampamento e plantando oxicoco, até me reunir com o Stryper, e daí ser co-vocalista principal e guitarrista em outra banda multi-multiplatinada [Boston], até perder minha esposa para o câncer, me casar novamente, sair do Boston, gravar mais álbuns do Stryper e produzir mais discos solo. Só Jeová sabe o que vem em seguida.
Eu vivo próximo a Cape Cod e sou abençoado com dois filhos incríveis, Mikey e Ellena, e uma mulher fabulosa, Lisa. Eu tenho um punhado de pessoas a quem eu chamaria de amigos e muitas pessoas que eu conheço de rosto, mas não conseguiria dizer seus nomes a você nem que minha vida dependesse disso. Minha vida é boa. Até hoje eu não acredito que sou pago pra fazer o que faço, e não passa um dia sem que eu leve isso em consideração.
Eu tenho a legião de fãs mais única que existe. A grande maioria de meus fãs é como eu, pessoas de meia-idade, de família. Gente boa, normal, com criação cristã, mas ainda assim, do nada eu fico sabendo que pessoas como Larry The Cable Guy e Chris Jericho são meus fãs. Que Mike Wengren [Disturbed] e Richard Cristy [Iced Earth] são meus fãs. Eu li um artigo certa vez no qual Wyclef Jean declarava que ele havia crescido ouvindo ao Stryper. Twiggy do Marilyn Manson nos assistiu nas antigas e até se vestiu como membro do Stryper para o dia de aptidão vocacional quando ele estava no ensino médio. John 5 [Rob Zombie] nos assistiu várias vezes quando era jovem e até pegou uma bíblia que ele guarda até hoje! Drew Barrymore recentemente usou uma camiseta do Stryper em seu filme "Whip It".
Até o público do mainstream ou talvez até o cara que é músico por hobby, eu sou o cara que pode ter sido levemente mais legal do que Kip Winger, mas nem de longe tanto quanto Bono. Mas se você socar umas cervejas nas pessoas, você ficaria chocado com quem tem a manha de dizer, ‘Stryper? Bom pra caralho. Eles são uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos. To Hell With The Devil, baby. ’
Como chegou a esse ponto, eu não faço ideia. Alguns chamariam de sorte. Alguns poderiam chamar isso de maldição. Eu chamo de uma intervenção divina acabrunhante."
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