Michael Sweet reflete sobre álbum em que o Stryper "traiu o movimento"
Por João Renato Alves
Postado em 08 de fevereiro de 2026
Em 1990, o Stryper resolveu rasgar seu livro de regras – ou bíblia – e lançou o álbum "Against the Law". O trabalho rompia com a temática cristã nas letras e trazia os músicos abandonando o visual preto e amarelo tradicional. Apesar de ter dividido opiniões à época, o disco conta com uma base pequena, porém fiel, de admiradores. O vocalista e guitarrista Michael Sweet não está entre eles.
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O frontman fez um post nas redes sociais onde explicou seus sentimentos em relação ao play. Apesar de não desvalorizar o conteúdo artístico produzido, ele deixou claro que a banda estava perdida no período – o que acabaria ocasionando sua saída posterior e um período de hiato que ultrapassou uma década.
"Vou tentar mais uma vez explicar meu arrependimento em relação a este álbum. Parece que sempre se abre uma caixa de Pandora, mas continuo vendo o debate online de quem acha que eu o odeio. Eu não o odeio.
Primeiro, quero dizer que Tom Werman é um produtor lendário e um cara incrível. Eu adoro o Tom. Ele produziu alguns dos álbuns mais icônicos da nossa geração. Eu o respeito imensamente. E sempre o respeitarei. Ele sempre será um dos meus produtores favoritos de todos os tempos.
Pessoalmente, gostaria que nunca tivéssemos gravado o álbum. Pelo menos não da forma como ficou. Deveríamos ter permanecido fiéis ao nosso som clássico. Tínhamos um som muito distinto. Estabelecemos um som. Ganhamos discos de platina com esse som. Lotamos arenas e vendemos milhões de álbuns no mundo todo.
Jogamos tudo isso pela janela e tentamos desesperadamente ser algo que não somos – uma típica banda de hard rock que se esforçou tanto para 'reinventar' a roda. Não precisávamos fazer isso. A roda estava girando e funcionando muito bem. Não havia necessidade de mudar tudo.
Sim, é um ótimo álbum. Não vou discutir isso com vocês. Tem ótimos momentos (e uma das minhas músicas favoritas do Stryper de todos os tempos, 'All For One'). No entanto, a única coisa que não mudamos (e que realmente deveríamos ter mudado, na minha opinião) foi o nome da banda. Éramos uma banda nova. Som novo, estilo novo, atitudes novas. Triste.
Além disso, nos tornamos hipócritas em nossas vidas. Voltamos aos nossos velhos hábitos e nos tornamos quem éramos antes de nos dedicarmos a Cristo. Nossos casamentos sofreram, nossas vidas sofreram, nossa fé sofreu, nossas finanças sofreram, enfim, tudo. Porque queríamos bancar os astros do rock e tentar nos encaixar. Nunca nos encaixaremos. Como crentes, somos chamados a ser algo mais. Um exemplo para os outros. Não hipócritas. Éramos 100% hipócritas.
A gente vive e aprende, segue em frente e cresce com isso. Eu tentei. Precisava fazer aquilo. Às vezes, sinto que quando expresso minhas opiniões sobre aquele álbum, algumas pessoas levam muito a sério e se ofendem. Não tenho intenção de ofender. Estou apenas compartilhando com vocês meus sentimentos pessoais sobre aquela época e, infelizmente, não me orgulho deles.
Por mais estranho que isso possa parecer, eu realmente acredito que Deus tirou a mão de cima de nós naquele momento. Ele retirou a Sua bênção. Estávamos zombando Dele e acho que Ele estava apenas observando, dizendo: 'Vão em frente. Façam o que quiserem e vejam como vai ser.' Bem, não deu muito certo.
Além disso, o álbum não teve um bom desempenho em comparação com os outros. Pessoalmente, acho que o motivo é que a maioria dos fãs sabia que algo estava errado. Sim, há algumas músicas ótimas e sim, é um álbum com um som ótimo. E há alguns momentos ótimos, sem dúvida, mas realmente não representava quem éramos e o que representávamos antes disso.
Vou terminar dizendo: tentei algumas vezes explicar por que me sinto assim em relação àquele álbum e nem sempre é bem recebido. Algumas pessoas ficam chateadas. Irritadas e frustradas. Espero que desta vez vocês entendam por que este nunca será um álbum do qual eu me orgulhe pessoalmente, especialmente considerando as circunstâncias que se seguiram. Só estou sendo sincero."
Além das composições próprias, "Against the Law" contava com uma versão para "Shining Star", do Earth, Wind & Fire – com participação do baixista Randy Jackson. Jeff Scott Soto também participou das sessões, fazendo backing vocals. O álbum chegou ao 39º lugar no The Billboard 200 – abaixo dos desempenhos de seus antecessores, "To Hell with the Devil" (1986) e "In God We Trust" (1988). Foi o primeiro da discografia do grupo a não alcançar, no mínimo, premiação de ouro.
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