Slash, do GN'R, tentou entrar na banda Kiss em 1982, diz Paul
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 11 de maio de 2014
Antes de terem trocado farpas em público na segunda metade dos anos 80, quando o guitarrista do KISS, PAUL STANLEY, fora sondado para produzir o álbum de estreia da banda do guitarrista inglês SLASH – o GUNS N’ ROSES – os dois músicos já haviam se encontrado sob condições bem mais amistosas, descritas pelo viril e másculo ‘Starchild’ em sua recém-lançada autobiografia, "Face The Music: A Life Exposed".
O que segue abaixo é uma tradução do trecho do livro no qual Stanley conta o ocorrido.
[...]
À medida que nos preparávamos para fazer nosso próximo álbum, ‘Creatures of the Night’, nenhum produtor de renome estava batendo à nossa porta. Na verdade, as pessoas nem retornavam nossas ligações.
Finalmente, no verão de 1982, eu marquei um almoço em Los Angeles, onde planejávamos gravar o disco, com um cara chamado Michael James Jackson. Nos encontramos em um restaurante chamado de Melting Pot, na esquina de La Cienega Boulevard com Melrose. Acabou que Michael não tinha experiência de fato com bandas de rock, apesar de ele ter acabado de trabalhar com Jesse Colin Young, o fundador da banda Youngbloods, que tinham tido alguns sucessos nos anos 60. Quando começamos a conversar, Michael disse, ‘O que vocês precisam fazer é escrever algumas canções de sucesso.’
Nossa, por que é que eu não pensei nisso? Brilhante demais.
Mas eu gostei dele apesar de ter sido momentaneamente acuado por essa ‘epifania’. Ele era muito introspectivo e intelectual, e começamos a nos dar bem. Além disso, apesar de eu não ter certeza do que ele tinha a oferecer musicalmente, precisávamos de alguém. Eu sabia que Gene e eu não estávamos em um momento onde podíamos ser produtivos juntos porque nenhum de nós queria abrir mão de nossas respectivas ideias musicais. Precisávamos de um intermediário no estúdio, alguém para dar o voto de Minerva.
Gene e eu não compúnhamos mais juntos. Michael deu a ideia de trazer compositores de fora da banda para trabalhar no disco conosco: eu sugeri Bryan Adams, que tinha feito um sucesso menor intitulado "Let Me Take You Dancing" junto a Jim Vallance. Apesar de sua voz ter sido acelerada e soado como a de uma garota naquela faixa, eu achei que havia algo ali.
Quando o trouxemos de avião a Los Angeles, Bryan acabou compondo com Gene, e eles bolaram "War Machine".
Com Ace fora, nós espalhamos que estávamos procurando por um novo guitarrista. Entre outros, testamos a Steve Farris do Mr. Mister, Robben Ford, que era um grande blueseiro, e Steve Hunter.
Richie Sambora, que estava em uma banda recém-formada de nome Bon Jovi, veio de avião de Nova Jersey para um teste. Ele ainda não era o músico formado que ele se tornaria, e ele não conseguiu a vaga.
É engraçado, mas anos depois eu o ouvi dizer que ele não queria muito entrar para a banda porque ele queria estar em algo com mais influência de blues. Primeiro, é difícil imaginar que ele tenha ido até a Califórnia para fazer um teste para o Kiss só porque ele gostava de comida de avião. Além disso, o Bon Jovi já fez muita coisa boa, mas eles não estão ao lado do Howlin’ Wolf na minha coleção de discos.
Outra pessoa com a qual conversei foi um jovem muito meigo chamado Saul Hudson. Ele me disse que sua mãe havia sido costureira de David Bowie e que seus amigos o chamavam de "Slash". Ele era muito eloquente e envolvente, mas ele parecia ser jovem demais. Eu finalmente perguntei a ele qual sua idade. "Faço dezessete mês que vem", ele disse.
Eu tinha feito trinta anos no começo daquele ano, e Gene tinha duas vezes a idade daquele garoto. "Sabe", eu disse, "você parece ser um grande sujeito, mas eu acho que você é jovem demais pra isso". E lhe desejei boa sorte e sempre me lembrei dele porque ele era tão gentil e seguro.
No fim das contas, muita gente tocou solos em ‘Creatures Of The Night’. Foi um modo de testar pessoas e ver quem poderia se encaixar na pegada de cada faixa. Eddie Van Halen veio ao estúdio um dia sabendo que estávamos procurando por um guitarrista. Ele ouviu algumas coisas que tínhamos, incluindo um solo na faixa-título, de Steve Farris. "Wow, por que vocês não contratam ESSE cara?!", perguntou Eddie. Ele estava boquiaberto. O fato é que tínhamos ensaiado com Farris, mas não tinha dado liga. [...]
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