Louvemos: Satanás é grande benfeitor da música, diz estudo
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 28 de setembro de 2014
por Vanda Marques, do site luso Informação
Se o Diabo ouvisse música – lamentamos, mas não conseguimos averiguar a veracidade desta informação até ao fecho da edição – de certeza que teria na playlist Black Sabbath, Rolling Stones, Robert Johnson, Wagner ou Jimmi Hendrix. Até o tema dos Simpsons poderíamos encontrar. Tudo por causa do trítono, um intervalo musical que atravessa três tons. Satanás criou o seu acorde musical, entre várias coisas más no mundo.
O trítono foi batizado pela Igreja Católica, na Idade Média, como música do Diabo que incita a sentimentos sexuais. "Era o som usado para chamar a besta. Há qualquer coisa sexual no trítono. Na Idade Média quando as pessoas, ignorantes e assustadas, ouviam algo assim e sentiam o corpo a reagir pensavam: "Uh oh, vem aí o Diabo", explicou o produtor de rock, Bob Ezrin à BBC.
Mas não é só a música que é obra do Diabo. Os filmes de terror são uma imagem de marca e a moda também pode roçar obra de Belzebu. A literatura, claro, não podia ficar de fora. O Vaticano inventou até uma coisa para simplificar: o Index. A lista de coisas culturais a evitar se não querem ter uma indigestão espiritual foi abolida em 1966. Hoje já não faz mal.
O rock"n"roll, o jazz, os blues são músicas demoníacas. Robert Johnson, lenda dos blues, revelou até que fez um contrato com o Diabo e por isso é que tocava tão bem. Isso já sabemos. Mas desde a Idade Média que a Igreja avalia criteriosamente o tipo de música que ouvimos. É que o Diabo não descansa e adora os prazeres da carne, logo, a música que nos põe a dançar.
O trítono, o tal intervalo musical que atravessa três tons que podemos ouvir em exemplos como a quinta diminuta ou quarta aumentada, é fruto do Demónio e a Igreja proibiu todos esses sons. Agora, já não se fala tanto nisso, e são muitas as bandas que abraçam essa herança. Os Black Sabbath são os advogados do trítono e há mais nomes como Beethoven, Wagner, Jimi Hendrix, o musical "West Side Story" e até o tema dos "Simpsons".
Das primeiras vezes que se viu uma minissaia no cinema foi nos anos 50 no filme: "Devil Girl from Mars" (Rapariga do diabo de Marte). A quantidade de perna mostrada era um escândalo. Nos anos 60, a coisa mudou. Londres era a capital da minissaia, uma invenção atribuída a Mary Quant que resolveu subir a bainha das saias acima dos joelhos. Entretanto, evoluímos, há mais liberdade de costumes, mas os preconceitos permanecem. A minissaia continua a ser acusada de pacto com o Diabo. Em janeiro deste ano, na cidade de Toronto, uma polícia aconselhou as mulheres a não se vestirem de forma provocante, com minissaias, se querem evitar ser violadas.
A literatura seria bem mais chata sem nomes como Balzac, Victor Hugo, J. S. Mill, Stendhal, Emile Zola, Gustave Flaubert ou Alexandre Dumas. Estes autores estiveram todos na lista dos proibidos. Mas há mais. As obras de não ficção de Jean-Paul Sartre, René Descartes, Galileo Galilei, David Hume, Jean-Jacques Rousseau, Immanuel Kant também lá estavam. Dá vontade de perguntar: o que é que se podia ler afinal? Restava alguma coisa?
A iniciativa foi criada em 1559 e tinha o nome de Index Librorum Prohibitorum (Índice dos livros proibidos). O objetivo inicial era lutar contra o crescimento do protestantismo, mas depois deixaram-se levar pelo entusiasmo e censuraram poetas e romancistas.
Agradecimentos ao site
http://www.paulopes.com.br
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