Overkill: Bobby Ellsworth fala sobre seus problemas de saúde
Por Caio Ramalho
Fonte: Blabbermouth
Postado em 03 de setembro de 2014
Niclas Müller-Hansen, do site Rocksverige.se recentemente realizou uma entrevista com Bobby "Blitz" Ellsworth, vocalista dos veteranos do Thrash Metal OVERKILL. Alguns trechos da conversa seguem abaixo.
RockSverige.se: A música "Another Day To Die" ("Outro dia para morrer", presente no novo álbum do Overkill, "White Devil Armory") imediatamente me fez pensar sobre seus problemas de saúde.
Bobby: Eu tive alguns problemas. Cancelei um show em Hamburg e acabei no hospital com suspeita de pneumonia e toda essa merda. Lembro de estar sentado no Hospital German, tentando me recuperar e esse cara veio e me disse que eu só tinha seis meses! Fiquei sentado a noite toda e me lembro de ter ido ao meu computador, "Pra quem eu devo dinheiro?" "Quem me deve?". Minha esposa estava de férias e eu não queria estragar as férias dela com isso, e foram doze horas realmente terríveis. Eu não estava esperando aquilo e também nunca esperaria que a novidade viesse comigo fora do meu país. De qualquer forma, no dia seguinte a mulher responsável pela situação chegou e disse, "O que você está falando? Não, você deve mudar seus hábitos ou em seis meses estará em outro hospital de novo." E eu fiquei, tipo, "Porra!" E eu já tinha escrito "Another Day To Die" (risos). Então eu acho que consegui o que queria (risos). Mas o que você faz? Naquele momento eu parei de fumar tabaco. Na verdade, naquela noite eu não me importei. Saí na varanda, fiquei fumando e me perguntava se tinha algum bar por perto pra trazer algumas cervejas também (risos).
RosSverige.se: Realmente te faz pensar, né?
Bobby: Ser indestrutível. Eu acho que é uma das características necessárias para estar na banda. Eu tive alguns problemas de saúde no passado. Se isso tivesse acontecido em casa, eu não contaria a ninguém, mas aconteceu na estrada. Eu ainda pensei que tinha um estilo de vida saudável, e até certo ponto, tenho sim. Conseguir fazer o que faço na minha idade, eu acabei de fazer 55, e eu não me vejo como alguém doente. Eu me considero indestrutível até hoje. Eu vivo na filosofia, uma pessoa me disse isso, "não é sobre meus problemas, mas sim sobre superar meus problemas!". Acho que é bem simples, porque se você consegue enxergar além dos problemas, acho que sempre terá aquele dia de primavera ensolarado no fim das contas.
RockSverige.se: Você parece sempre tão saudável. Como faz para ficar em forma?
Bobby: Faço mais aquela coisa cardíaca agora. Adoro caminhadas, e há várias pequenas montanhas pra todos os lados na visão da minha janela. Escalo essas montanhas duas vezes por semana com meu Pastor Alemão de 7 anos. Nós vamos caçar e procuramos ursos e animais na floresta toda semana. É simplesmente o que meu corpo precisa. Se você ouvir as gravações, não dá pra ouvir as nuvens ou as sombras da idade, mas sim aquela energia jovem que tínhamos em 1985 ou '86. Seja lá o que eu estiver fazendo, parece sempre funcionar pra mim.
RockSverige.se: Você diria que houve um ponto alto e um ponto baixo na sua carreira?
Bobby: O ponto baixo obviamente são os problemas de saúde. Eu me lembro lá em '99, quando eu estava fazendo ressonância magnética e toda aquela droga, e você tem que esperar. Você não entra e eles já dizem "Ah! Você tem câncer! Nós vamos te curar e você vai pra sua casa às 4 da tarde e vai melhorar!" E não é assim que funciona, você tem que esperar. É duro de aguentar. A primeira coisa que eu pensei não foi na morte, e sim, "Merda! Não vou mais estar no OVERKILL! Mas ao mesmo tempo, era algo que dizia, "Se é isso que estou pensando, e se isso é tão valioso pra mim...". Então eu me lembro, liguei pro D.D (Verni, baixista do OVERKILL) e ele disse, "O que você precisa? Quer que eu vá aí?" e eu disse, "Sabe o que eu preciso? Preciso de uma música! Você tem alguma coisa aí? Eu adoraria trabalhar em algo novo se você tiver, ao invés de ficar aqui sentado esperando". Cerca de três dias depois, consegui umas demos bem violentas e escrevi a música "Necroshine". Acho que algum lugar ali se tornou o ponto mais alto e o mais baixo simultaneamente. Tornou-se um veículo para encarar os problemas, e para finalmente entender que não era mais sobre mim, era sobre pensar que eu não era a coisa mais importante, que isso estava fora das minhas mãos, e eu tinha que aceitar.
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