Musa de "My Michelle", do Guns N' Roses, comovida com fãs brasileiros
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 19 de novembro de 2014
Em novembro de 2014 o jornalista estadunidense JOHN PARKS, do site LEGENDARY ROCK INTERVIEWS, publicou uma – longa – entrevista com MICHELLE YOUNG, tornada célebre ao ser musa inspiradora da faixa ‘My Michelle’, do álbum Appetite For Destruction, do GUNS N’ ROSES, lançado em 1987. Um pequeno trecho traduzido da conversa pode ser lido abaixo, e todo o original em inglês clicando aqui.
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Eu disse a MICHELLE YOUNG que ela era uma ‘civil’, apontando para sua atual postura social limpa e tão discreta, no papel de uma mãe normal, cotidiana, para seu filho, o que a tirou totalmente da condição de sub-celebridade desesperada por atenção como a maioria das bandas que eu entrevistei ao longo dos anos. Nada mais justo então do que dizer que entre crescer com os caras que formariam o GUNS N’ ROSES, inspirar uma música e ter alguns episódios interessantes com esses caras, ela deve ter algumas histórias interessantes para contar. Depois de passar um período como empresária artística [trabalhando com o STONE TEMPLE PILOTS, entre outros nomes], "My Michelle’ manteve-se na surdina nos últimos anos e acomodou-se num ponto onde ela está à vontade em falar sobre aquelas memórias da Sunset Strip. Eu recentemente tive o prazer de conversar com Michelle sobre tudo isso, leia…
LRI: Eu queria começar te perguntando sobre toda a comunidade periférica do GN’R. Eu aprendi tanto e me diverti tanto falando não só com os músicos que estiveram com a banda, mas pessoas como MARC CANTER [amigo pessoal de SLASH, escritor de dono de restaurante], os empresários VICKY HAMILTON e ALAN NIVEN e todos os outros acerca da banda. Todas essas pessoas foram exacerbadamente positivas e gentis e fáceis de conversar. O grupo ficou lendário por seu 1lado sombrio’, sua raiva, e também pelo hedonismo, mas todas essas pessoas parecem maravilhosas… como uma família feliz, na maior parte. Era assim com todos ao redor da banda?
Michelle: [risos] Sim, talvez… é difícil dizer porque muitas dessas pessoas que você mencionou eu conheço faz tempo e sempre foram pessoas gentis, como você disse. Slash, por exemplo, Steven, Duff, sempre foram pessoas legais, antes e depois de a banda chegar ao sucesso. Izzy sempre foi demais e Axl sempre foi Axl. Pra mim, eles sempre foram as mesmas pessoas. Eles nunca foram sinistros ou maus ou algo assim, eles já foram ‘mala’, ou, você sabe, nojentos, mas nunca foram gente ruim ou maligna. Então não, não acho que seja estranho que eles sempre tenham tido pessoas muito boas os cercando.
[...]
LRI: a versão de "My Michelle" no [CD duplo ao vivo] "Live Era" de algum modo consegue aumentar ainda mais a raiva contida na versão de estúdio, com Axl mudando "Party til your connection calls" para "FUCK til your connection calls" e até lhe chamando de "Little bitch" no refrão. O que você achou quando ouviu essa versão, que penso eu, foi gravada durante a turnê dos ‘Use Your Illusion’?
Michelle: Isso foi porque ele estava puto comigo na época, mais uma vez, sempre foi tumultuoso nosso lance, apesar de não nos vermos muito, era sempre amor e ódio, sempre tumultuoso. Ele estava puto comigo naquele momento, pelo que eu nem me lembro, porque ele ficava bravo comigo o tempo todo por várias coisas diferentes. Uma hora era, "Ah, Michelle é uma grande amiga minha, eu a amo tanto, a música é sobre ela", e noutra era, "Ah, aquela vaca do caralho não apareceu no meu show porque ela está tomando ácido com os amigos dela, eu a odeio". Isso aconteceu mesmo uma vez. Ele arrumou ingressos pra mim e meus primos para que fôssemos ao show e eu acho que eu deveria ter ido a seu encontro, eu acho que eram em Anaheim ou algo assim. Meus primos mais novos foram e ficaram chocados e voltaram e disseram, "Meu deus, Michelle, ele falou tanta merda de você’ e isso tudo porque eu não fui. Eu disse a ele, "Eu não posso Axl, eu tô chapada de ácido", e eu estava mesmo, mas fiquei pensando, "Wow, ele não tinha que contar pra todo mundo" [risos]. Ele ficava muito comigo na casa do meu pai, ele dormia muito e eu levava ele pra todo canto, para os shows e tudo mais, porque ele não dirigia, então eu o levava aos shows e apresentações em todo canto. Eu esperava por ele ficar pronto para ir e aguentava os chiliques e os pitis dele e toda aquela merda, então não, a versão ao vivo daquela música não me surpreende, respondendo à sua pergunta.
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LRI: Então você está vivendo uma vida familiar bem quieta e feliz com seus filhos e realmente parece estar em paz com ela. Eu sei que pedi para falar com você já faz tempo, mas você demorou para me conceder o papo e se abrir, o que é compreensível. Você se sente estranha falando hoje sobre aquelas experiências de todos esses anos atrás?
Michelle: Sim, eu me sinto, especialmente porque muito tem ocorrido recentemente. Eu comecei a botar mais minha cara pra fora no Facebook e fiquei maravilhada com todos os fãs, especialmente todos esses jovens brasileiros que eram simplesmente fanáticos pela banda, e entraram em contato comigo. Daí eu comecei a me conectar com outras pessoas ao redor da banda e a passar mais tempo com Leis e Marc então tudo voltou, estranhamente. Ainda assim, eu me sinto como se tudo aquilo fosse uma vida inteira atrás e eu tivesse vivido várias outras vidas desde então. No momento, essa é uma vida nova, um novo capítulo e é bom, mas eu fico surpresa que as pessoas ainda queiram saber e ainda queiram conversar sobre aquele período. Eu não fico surpresa que ainda estejam interessados pela banda, porque há toda uma nova geração de fãs que ainda estão descobrindo o grupo. Eu não os culpo e eu amo que eles amem a banda porque a banda era ótima e os caras ainda são ótimos, eles são fenomenais.
Comente: Lembra de outras musas citadas em faixas de bandas clássicas?
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