"Nos deem uma chance, compareçam a nosso show", diz Andreas Kisser, do Sepultura
Por Bruce William
Fonte: Blabbermouth.net
Postado em 17 de julho de 2015
Em entrevista com Jimmy Cabbs, Andreas Kisser explicou porque o Sepultura não tem na América do Norte o mesmo reconhecimento que tem em outras partes do mundo: "Desde que Max deixou a banda, o Sepultura vêm sendo injustiçado, no sentido de ser apresentado para a imprensa - e a nossa gravadora na época, a Roadrunner, ajudou a criar este mito - que Max é a vítima e o Sepultura o demitiu por uma razão qualquer. Mas demitimos apenas nosso empresária. E Max era casado com ela, por isto ele deixou a banda. Nós não o mandamos embora. E começaram a espalhar que nós éramos os vilões, e a América do Norte comprou esta história - parte das pessoas, devo dizer que não posso generalizar, pois temos grandes fãs aqui (nos Estados Unidos, onde foi realizada a entrevista) que nos apoiam e compreendem a nossa evolução musical, tentando seguir novos caminhos e mantendo vivo o espírito do Sepultura, que é o que nos mantém unidos".
Ele continua: "Mesmo na época dos Cavaleras (Max e Igor) nunca fizemos o mesmo álbum; sempre tentamos algo diferente. Se você pegar o 'Chaos A.D.', um dos discos mais emblemáticos de nossa carreira, e comparar com o 'Roots', são dois trabalhos completamente diferentes. Geralmente as bandas acham uma fórmula e tentam repeti-la, mas nós nunca fomos assim. Max tentou repetir a vibe do 'Roots' e começou a falar coisas pra imprensa. E não só na mídia mas também nos bastidores, no meio musical, fazendo campanhas contra a gente. E de qualquer maneira... não apenas perdemos o vocalista, perdemos nosso empresariamento, perdemos a confiança da gravadora, a confiança de vários promotores e agentes. Então tivemos que recomeçar tudo novamente. Mas excursionar tocando Metal pela América do Norte é difícil, somos mais bem sucedidos na Europa e América Latina e outros lugares, e isto ajudou a criar um distanciamento ainda maior entre nós e os fãs daqui".
Depois ele complementa: "Mas veja, isto é um desafio... a América é e sempre foi um desafio para o Sepultura. Nunca fizemos uma turnê como headliner aqui como já fizemos na Europa, tocando em arenas. Abrimos para o Ozzy, abrimos para Pantera, Ministry, tocamos no Ozzfest e fizemos grandes apresentações, mas nunca fomos headliners de uma turnê própria aqui nos EUA. Estávamos prestes a isto mas Max nos deixou naquele momento. Então as consequências foram grandes para nós. Mas vendo as coisas hoje em dia, eu tenho que agradecer tudo que aconteceu conosco, pois como banda somos bem melhores hoje. Temos mais controle sobre nossas vidas, nossos negócios. Somos mais velhos, temos família, filhos... somos mais experientes para lidar com diversas coisas, e curtimos muito mais o que fazemos. Acho que isto é o mais importante para nós. E lamento pelas pessoas que não acompanham mais o Sepultura. Na verdade o problema é deles. Não estou aqui para convencer ou pregar nada para ninguém. Apenas me expresso pela minha guitarra e letras. E nos conectamos com diferentes culturas, diferentes plateias, diferentes países... Sepultura tocou em 73 países nestes trinta anos. É um número expressivo. É insano perceber que, independente de política ou religião, vamos a todos os lugares e a música realmente abre as portas".
"É um privilégio ser parte do Sepultura, e apenas precisamos trabalhar melhor os Estados Unidos".
"Apenas gostaria de dizer para as pessoas que renegam o Sepultura por isto ou aquilo, que nos deem uma chance e compareçam no nosso show e curtam nossa música. Não temos nada mais a oferecer a não ser nossa música, e acho que isto é o encanto da coisa. Não estamos aqui para enganar ninguém, apenas gostamos de tocar e nos conectar com a massa, é isso".
A entrevista completa (em inglês) pode ser conferida nos dois vídeos a seguir:
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