Por que tanta gente odeia Paul Huge Tobias, ex-guitarrista do Guns N' Roses?
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 02 de fevereiro de 2016
Talvez a mais misteriosa figura a já ter passado pelo quadro de funcionários do GUNS N' ROSES, o guitarrista PAUL HUGE TOBIAS, nascido em 1963, é tido pelos fãs do grupo como um pária, um elemento desagregador que foi o agent provocateur da debandada do que restava da formação clássica do grupo.
Quem perguntar sobre Tobias para Duff McKagan, Gilby Clarke, Matt Sorum e especialmente a Slash ouvirá opiniões bastante depreciativas, duas delas [Duff & Slash] registradas em livros para quem quiser ler em vários idiomas.
Claro, o grande avalista do envolvimento de Tobias com a banda, W. AXL ROSE, sempre discordou:
'O público ouve uma história diferente dos outros caras – Slash, Duff, Matt – que possuem seus próprios interesses. As intenções originais entre Paul e eu eram que Paul iria me ajudar por quanto tempo fosse preciso para que essa coisa engrenasse fosse lá do jeito que ele pudesse me ajudar. Então quando ele veio, ele foi trazido como compositor para trabalhar com Slash. '
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Pra começo de conversa, qualquer um que acompanhe o modus operandi da marca sabe que o que se fato se passa lá dentro é uma incógnita. Estamos falando de um dos 3 maiores nomes do rock nos últimos 30 anos e que conseguiu passar 6 anos sem que tirassem UMA foto decente do vocalista. Saber o que ocorreu de fato é improvável, e relatos bastante parciais [nada mais natural] podem ser pescados aqui e ali, especialmente no caso da autobiografia de Slash – onde ele pinta um retrato nada edificante do ex-colega de banda.
Mas o que essas gotas de informação pescadas aqui e ali, somadas ao que se leu nos livros e o que se deduz pelo manual das relações humanas, é bastante seguro dizer que, ao fim de toda a estafante atividade propulsionada pelos 'Illusion' e sua subsequente turnê [que ainda acarretou na regravação das parte de guitarra antes registradas por Izzy Stradlin para 'The Spaghetti Incident?' com novas trilhas com Gilby e gravar mais músicas para que ele fosse um LP e não um EP, totalizando 14 músicas – uma delas, 'A Beer And A Cigarette', do Hanoi Rocks, acabou preterida] a banda se viu em uma nova dinâmica, onde os dois principais compositores da fase 86-91, Axl e Izzy, não existiam mais como núcleo original.
Slash teria visto nisso sua oportunidade para ascender a compositor per se, e não mais um colaborador, que seria 'sua vez' de compor um álbum.
Enquanto isso, Axl, que sempre fora incumbido com a maior parte da confecção do material incluindo aí 80% das letras], queria poder escolher o substituto de Izzy, já quem, no frigir dos ovos, ele acabaria sendo seu novo parceiro musical.
Mas Slash não se sentia à vontade com Axl apontando um novo parceiro de composições, porque ele próprio queria escrever um novo álbum. Começava ali o cabo de guerra: Slash rejeitava qualquer novo nome sugerido por Rose [ele não queria mais nenhum 'aspira'] e Axl, por sua vez, rejeitava tudo que ele apresentava de material inédito. Aos olhos do bretão, era um direito dele ser parte nuclear do novo repertório.
Rose acabou de saco cheio, pois considerava que ter um parceiro musical com o qual se sentisse totalmente à vontade deveria estar acima desse tipo de picuinha. Ele então acabaria por trazer um conhecido de sua adolescência, PAUL HUGE, gostasse Slash ou não. Mesmo Axl sabia que seu amigo de Indiana não era um astro do rock ou um virtuoso ao instrumento, mas naquela altura do campeonato, Slash rejeitaria até mesmo a Jimmy Page, caso este fosse trazido pelo vocalista.
O erro de Rose na questão toda? Não ter feito uso do poder de intermediação e apaziguamento de Duff McKagan no processo. O baixista concordava que o que Slash vinha apresentando não era grande coisa, mas também subestimava a química que havia entre Axl e Izzy e como seria difícil recriar uma parceria daquele porte.
E criaram-se dois polos conflitantes dentro da instituição GN'R: Slash se julgava capaz de compor um novo álbum sozinho, e Rose deduzia que o único modo de reestabelecer o fluxo natural de composições que canalizassem sua criatividade de modo pleno era com um colega de infância. Como o mais próximo que ele tinha disso era Paul – que já havia composto material com Axl desde os tempos do HOLLYWOOD ROSE [caso de 'Shadow Of Your Love' e 'Back Off Bitch'] – sua adição ao grupo no fim de 1994 foi sacramentada. O primeiro fruto de estúdio do GN'R com Huge em um dos canais foi decepcionante: um pífio cover de 'Sympathy For The Devil', dos Rolling Stones, que só não pode ser classificado como a pior coisa que já saiu sob a marca porque o dejeto 'My World' merece o título. Entre o lançamento da música, o primeiro álbum do Slash's Snakepit e o começo de 1996, a relação de Axl e Slash se deteriorou progressivamente, levando o guitarrista a abandonar o grupo – para muitos, por não suportar mais o cacife dado a Paul por Axl.
Em 1996, Paul começaria a gravar e ensaiar com a então mutante formação do GN'R, e já em 1997, diversos registros feitos com ele tocando guitarra e piano encontravam-se estocados em dúzias de fitas DAT. 'Oh My God', faixa lançada em 1999, é o primeiro single de material original do Guns N' Roses a contar com ele nos créditos.
Tobias fez apenas quatro shows com o GN'R, sendo os dois últimos no fim de 2001, meses antes de ser substituído por Richard Fortus [que permanecerá com o grupo esse ano] em decorrência de, ironicamente, partilhar de uma aversão que também afeta a izzy Stradlin: turnês.
Apesar de sua parca participação no histórico do grupo ao vivo, vários créditos do CD 'Chinese Democracy' são dados a ele.
Tobias chegou a anunciar a criação de outra banda, a MANK RAGE, em 2002, e apenas quatro anos depois, em 2006, o grupo disponibilizou algumas demos online. Há 10 anos não se tem nenhuma informação sobre Paul na indústria musical tampouco sobre sua vida pessoal.
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