Deep Purple: o emocionado e intenso discurso de Lars Ulrich

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Por Bruce William, Fonte: Metallica Remains
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Leia mais abaixo a transcrição/tradução do discurso de Lars Ulrich durante a indução do Deep Purple ao Rock & Roll Hall of Rame, feita pelo Metallica Remains.

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http://www.metalremains.com/#axzz45TLM3kHI

Boa noite. Eu sou o Lars e estou realmente honrado em estar aqui.

Esta noite é o ápice de duas jornadas musicais. Uma é a minha. A outra é da banda que mudou minha vida... E o rock and roll.

Quando tinha nove anos, meu pai me levou para ver o Deep Purple em Copenhagen, Dinamarca, em uma noite de sábado escura e fria, em Fevereiro de 1973. Tudo era épico: o som, o espetáculo, as músicas, os músicos, todos fazendo coisas com seus instrumentos que eu nunca tinha visto antes e não sabia nem que era possível. O Deep Purple era uma bela contradição, como se você tivesse apenas encontrado 5 músicos no auge, fazendo uma jam de um clássico após o outro com uma intensidade crua - como se eles estivessem em uma garagem tocando para ninguém além deles mesmos, mas ao mesmo tempo encarando profundamente as entranhas da arena.

Deixe-me desmembrar isto para vocês...

Vocalista Ian Gillan, no centro do palco, um imã para os olhos, personificando todas as características legais de um frontman épico, gritando com seus pulmões e atingindo notas tão altas que eu tenho certeza que ele estava quebrando vidros por toda cidade.

Atrás dele, na bateria, o pequeno Ian Paice, um coquetel rock 'n roll de cabelo, suor, cuspe e precisão, de alguma forma conseguindo limpar o vapor de seus óculos enquanto empurrava este trem de carga para frente... E fazendo isto com um salto de 20 cm!

Do lado direito do palco, o suntuoso Jon Lord... Eu nunca tinha visto ninguém ficar tão sensual com seu orgão - mas, ei, eu tinha apenas nove anos! Ele fazia coisas com seu Hammond C3 que ninguém nunca tinha feito antes, atirando os resultados através de uma parede de amplificadores Marshall e caixas Leslie, tornando o som unicamente pesado de forma jamais vista. Deixe-me enfatizar isto: Jon Lord foi o primeiro a verdadeiramente amplificar e distorcer o orgão Hammond. Infelizmente, o perdemos em 2012.

O baixista Roger Glover, chapéu de cowboy, camisa paisley, um nível acima de suavidade, aquele que mantém no chão, animado e eu diria, sexy. Sua presença sem ego no palco apoiou o fogo cruzado de energia de seus companheiros de banda, disfarçando uma vitalidade firme tanto como compositor como co-produtor de seus maiores discos.

E então havia... Ritchie Blackmore. O que ele fazia com a guitarra não parecia possível. Ele tocava normal, ele tocava de lado, de ponta cabeça, e em suma, seus dedos, mãos e braços em um balé constante de movimentos e movimentos imprevisíveis. O som, os gritos, o slides... Moendo contra os amplificadores, tocando com a bunda, suas botas, jogando para o alto, a todo momento projetando uma mistura peculiar de apresentador, controle e distância. Era como se Blackmore estivesse se exibindo, mas mais para ele mesmo, pairando sobre o limite do narcisismo elétrico. Ao mesmo tempo, ele era mais do que legal. Era impossível tirar o olho.

Estes caras podiam tocar. Eles podiam improvisar. Eles estavam em uma constante e curiosa competição matadora uns com os outros, para levar a música a algum lugar novo, algum lugar desconhecido, e nunca, nunca, ao mesmo lugar duas vezes.

12 horas depois, na loja de discos do bairro, eu pedi qualquer coisa e tudo do Deep Purple, e me entregaram o álbum Fireball. Minha vida tinha oficialmente mudado - para sempre.

Quase sem exceção, toda banda de rock pesado dos últimos 40 anos, incluindo a minha, tem sua linhagem retrocedendo diretamente ao Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple. Até onde sei, estas três bandas deveriam sempre ser consideradas iguais pelas suas composições, discos e realizações. Onde eu cresci, e no resto do mundo fora da América do Norte, todas eram iguais em estatura e influência... Então em meu coração, eu sei que falo por muitos dos meus colegas músicos e milhões de fãs do Purple quando confesso que fico um pouco perplexo que eles estejam entrando tão tarde no Rock & Roll Hall of Fame - décadas depois do poderoso Sabbath e do brilhante Zeppelin. Isto, é claro, sem desrespeito a estas grandes bandas ou ao Rock Hall... Eu só preciso deixar claro que o Deep Purple é muito reverenciado no resto do mundo.

O Deep Purple se tornou grande a moda antiga: eles trabalharam. DURO. Turnê constante; fazendo um álbum a cada ano, às vezes dois; nunca ligando para "imagem" ou aclamação da crítica. E na era de ouro do deboche do rock & roll, eles eram conhecidos primariamente por suas músicas... No sentido de sexo e drogas, eles eram, diziam, cavalheiros. Na verdade, se você tiver que cavar, a principal sujeira do Purple era a rotatividade de pessoal: 10 membros diferentes nos primeiros sete anos, 14 no total.

Deixem-me, claro, dar um alô a cada um que teve um papel nesta história, incluindo os outros três introduzidos esta noite. Eu vi dois deles em suas estreias ao vivo quando o Deep Purple voltou a Copenhagen em Dezembro de 1973. O vocalista David Coverdale, que me surpreendeu com seu pedestal de microfone peculiar. O baixista Glenn Hughes, terno branco de cetim e cabelo legal de roqueiro para combinar com seus vocais influenciados por R&B. E não por último, mas na verdade em primeiro, o vocalista original Rod Evans, que foi a voz da formação do Purple no final dos anos 60, e no primeiro single, "Hush".

Então dos oito introduzidos esta noite, ao 14 membros que tocaram nesta banda, é óbvio que ótima música muitas vezes vem da tensão... E que grande música que é!

Os álbuns, apenas para nomear alguns: The Book of Taliesvn, In Rock, Fireball, Machine Head, Burn, Stormbringer.

E as músicas fenomenais, apenas para nomear algumas: "Wring That Neck," "Black Night," "Speed King," "Child in Time," "Strange Kind Of Woman," "Highway Star," "The Woman From Tokyo," "Mistreated."

Sabe, uma loucura é a diferença entre as versões de estúdio e as versões ao vivo. Pegue a Space Truckin'. No Machine Head, ela tem um pouco mais de 4 minutos. No lendário álbum Made In Japan, ela tem quase VINTE minutos de duração!!! Os solos, as jams, a força impulsiva em cada apresentação do Deep Purple, são as razões da Wikipedia listar 42 álbuns ao vivo oficiais. Porque eles eram bons assim, diferentes assim, e inspirados dessa forma em cada noite. E ainda são.

MAS ESPERE! Há mais uma música, certo? Todo mundo sabe do Frank Zappa e um cassino queimando em um lago suíço, e fogos no céu ou algo assim, aquela que conta com talvez o riff de guitarra mais clássico de todos os tempos, o primeiro que qualquer um aprende na guitarra, o riff que foi banido de ser tocado em lojas de música para preservar a sanidade da equipe. É um riff que até eu, o guitarrista mais iletrado no planeta Terra, consegue tocar.

Você sabe o título: "Smoke on the Water". É o hit assinatura e o maior single. E tão grande que o Deep Purple pode ter sido confundido como uma banda de um hit só. Mas se isso é tudo que você sabe, até hoje, pense nisso como uma grande e pesada porta para entrar em um legado sem fim - que permanece tão vital quanto sempre em sua última encarnação, fazendo turnês ao redor do mundo, impressionando e ainda mudando vidas.

Há uma foto no criado mundo do lado da minha cama, dada a mim há muito tempo pelo meu amigo Frank. É uma foto do Deep Purple - com minha foto editada no Ian Paice... Desculpa, Ian! Isto é o quanto o Deep Purple ainda significa para mim, para os fãs aqui nesta noite, e para milhões de seguidores ao redor do mundo, que vem o Deep Purple como:

Épico
Imprevisível
Energético
Legal
Intenso
Brilhante
Impulsivo
Espontâneo
De cair o queixo
De outro mundo
Implacável
Pioneiro
E por fim, ETERNO

Ritchie Blackmore, David Coverdale, Rod Evans, Ian Gillan, Roger Glover, Glenn Hughes, Jon Lord, Ian Paice.

Eles deveriam estar aqui há muito tempo. Eles estão aqui agora, onde eles pertencem.

Eu sempre quis dizer isso: Senhoras e senhores, deem boas vindas ao palco... e ao Rock and Roll Hall of Fame:

DEEP PURPLE!




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