Soundgarden: o nascimento e a morte do grunge por Chris Cornell
Por Brunelson T.
Fonte: Rock in The Head
Postado em 07 de janeiro de 2018
Lá em 2014, a Billboard havia conduzido uma entrevista com o vocalista/guitarrista do SOUNDGARDEN, Chris Cornell, onde ele falou sobre a ascensão da música de Seattle no começo da década de 90, sobre ser contratado por uma grande gravadora e as lições aprendidas com tudo isso.
O que segue abaixo é um pequeno trecho traduzido da entrevista:
Billboard: Quando foi que a cena musical de Seattle engrenou e ficou gigante?
Chris Cornell: Com o SOUNDGARDEN sendo a 1ª banda daquele recinto assinando com uma das grandes gravadoras, e depois com a banda MOTHER LOVE BONE fazendo o mesmo e ver depois a mesma coisa acontecer com o ALICE IN CHAINS. Estávamos de repente fazendo música e gravando ao mesmo tempo e tínhamos dinheiro para fazer isso. Não eram gravações de 2.000 mil dólares que você faria ao longo de um fim de semana, era tipo: "Uau! Talvez agora isto aqui seja o nosso emprego".
Eu me lembro de ouvir as músicas do álbum do MOTHER LOVE BONE e ouvir também as canções do ALICE IN CHAINS, e sentir que aquilo era mais do que uma moda ou um momento. Eu me lembro da 1ª vez que eu ouvi uma fita cassete demo do NIRVANA, que mais tarde acabou por virar o 1º álbum da banda, "Bleach" (1989), e sentir que tinha muita música boa ali.
Eu acho que nós fomos meio que paparicados logo de cara e não percebemos isso até que saímos em turnê. Nós fizemos algumas turnês de van quando o nosso 1º álbum ("Ultramega OK", 1988) foi lançado pela nossa gravadora independente da época, Sub Pop.
Nós fomos a muitas outras cidades que eram conhecidas por também terem essas grandes cenas de rock independente/alternativo acontecendo, como as cidades de Minneapolis, Portland, New York e outras... Mas nós não vimos em muitos desses lugares o que tínhamos em Seattle, sabe? Eu percebia que nós tínhamos algo especial, que nós meio que motivávamos uns aos outros. Era amigável e havia uma saudável rivalidade na cena. Se há um monte de bandas boas, isso te força a se mexer mais.
Billboard: Quando foi que a cena morreu?
Cornell: O âmago da cena de verdade morreu, tão logo quando todo mundo saiu para fazer turnês, mesmo sendo por uma grande gravadora ou por uma independente. Uma vez que as bandas estavam viajando, elas não estavam mais em casa. Aquela cena de casas noturnas em particular estava terminada, virou uma outra coisa.
Eu me lembro de voltar de uma turnê com o SOUNDGARDEN e ver um carro Dodge do final dos anos 60 em frente a um desses bares em que nós costumávamos tocar. Esses caras saíram do carro e o automóvel tinha placa de Minnesota. Eles abriram o porta-malas e estavam trocando de roupa pelas roupas grunge que eles tinham nas malas lá dentro. Trocavam de roupas para poderem ficar vestidos do mesmo jeito de como o povo de Seattle se vestia, você me entende? Para ser aceito e poder se identificar com o povo e com as bandas de Seattle. Você percebia que Seattle quase que tinha se tornado a "Sunset Strip" de Los Angeles, porque haviam pessoas vindo de todo o mundo para se mudar para lá e para começar com as suas novas bandas.
Aconteceu tudo muito rápido... Em 1992, o nosso técnico de som tinha um estúdio para ensaios com 14 salas diferentes dentro dele, construído em uma antiga vinícola e eu acho que no fim do ano de 1993 ou 1994, ele já tinha 75 salas de ensaio dentro desse mesmo estúdio! As bandas do começo da cena estavam todas ocupadas e fora de Seattle, já era! A cena já havia terminado nesse momento ali em Seattle.
Muitos clubes noturnos foram abertos só bem depois e outra coisa que eu acho que sempre foi mal interpretada, é a ideia de que parte da cena era essa grande cena de casas noturnas e clubes, e que havia muitos grandes clubes para se apresentar, mas isso não era verdade.,, Havia alguns, mas eram poucos e restritos clubes que existiam.
A cena que estava pegando mesmo foi a música que era vibrante. Muitos clubes que se dedicavam à música ao vivo e às bandas foram criados e abriram as suas portas somente depois daquilo, só bem depois que as bandas já estavam tocando e fazendo um certo sucesso na região e nas cidades vizinhas, o que foi ótimo! Mas depois que estas bandas assinaram com as grandes gravadoras e saíram em turnês, ou seja, deixaram as suas casas, tudo em Seattle ficou diferente. Tudo mudou...
Comente: Qual foi na sua opinião o motivo da morte do grunge? Ou o grunge não morreu?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de 1993 que atingiu a nota mais alta da história do rock
O baterista que Lars Ulrich coloca acima de Neil Peart na história do rock
A música do Kiss que fez (muito) mais sucesso na Europa do que nos EUA
A instrumental do Iron Maiden que é a preferida de Mike Portnoy
A banda de heavy metal com mais álbuns em primeiro lugar nos Estados Unidos
O compositor dos anos 80 que Paulo Ricardo coloca acima de Cazuza e Renato Russo
A pior faixa de "Reign in Blood", do Slayer, segundo a Metal Hammer
A música mais bonita do Radiohead de todos os tempos, segundo Thom Yorke
O gigante do rock que Angus Young disse ser uma imitação pobre do The Who
A música dos Stones dos 60s que Mick Jagger considera uma fórmula perfeita de sucesso pop
As melhores músicas de rock e metal para Ronnie James Dio
A banda "ridícula" que Rick Rubin achou que jamais faria sucesso, mas ele estava errado
Rob Halford encontrou a fé depois que parou de beber e usar drogas
As três melhores músicas do Iron Maiden escritas por Steve Harris, segundo Nicko McBrain
5 clássicos do thrash metal cujas letras envelheceram muito mal


A banda que Chris Cornell e Kurt Cobain concordavam que era ruim: "Fiquei ofendido"
Guitarrista comenta possibilidade de o Soundgarden fazer shows com vocalista convidado
A gigante do rock que irritou Chris Cornell e virou alvo constante de Kurt Cobain
O "Freddie Mercury" do grunge, de acordo com Chris Cornell; "ele já era um rockstar"
Ouvintes de rádio dos EUA escolhem 250 melhores músicas do rock alternativo nos 1990s
Taylor Momsen (Pretty Reckless) fala sobre seu amor pelo Soundgarden e Chris Cornell
Túnel do Tempo: 25 músicas que mostram por que 1991 é um ano tão celebrado


