Massacration, Jesus Jojes, Malta (Tropical Butantã, São Paulo, 03/05/2019)
Por Nelson de Souza Lima
Fonte: Combate Rock
Postado em 11 de maio de 2019
Admito que o título acima é de mau gosto. Provavelmente muitos não vão gostar, dizer que fui infeliz, me acusar de heresia, além de levantar a ira de católicos fervorosos.
Mas o trocadilho ficou martelando minha cabeça após o show da última sexta-feira, 3, no Tropical Butantã. O evento que marcou os 30 anos da Top Link Music, uma das maiores produtoras/promotoras de shows dos últimos anos, tinha tudo pra ser marcante. Contudo foi marcado pela escassez de público. A casa da zona oeste tem capacidade para mais de 4.000 pessoas, no entanto recebeu, pouquíssimas centenas.
Além das apresentações de grupos razoavéis da cena roqueira rolou também o lançamento do livro "Rockin All My Dreams", do fundador da Top Link, Paulo Baron, que conta suas experiências e aventuras à frente da empresa nessas três décadas.
O curioso é que no line up constava o Massacration, banda de Comedy Metal, que lotou o mesmo Tropical há cerca de um ano e meio quando gravaram seu recente DVD.
Na sequência se apresentaram os britânicos do Jesus Jones, a banda Malta e no encerramento uma jam com vários músicos, comandados pelos integrantes do Angra.
Acompanhado da fotógrafa Letícia Nunes Lima cheguei com bastante antecedência pra conferir o clima e dar uma sacada na galera. A príncipio atribuí o pequeno público, até aquele momento, devido o fato de ser cedo e que a casa deveria lotar depois. Porém isso não rolou. À medida que o tempo passava os fãs não chegaram e por volta das 20h52 o Massacration entrou no palco se apresentando para poucas testemunhas.
Tendo à frente Bruno Sutter e seu alter-ego Detonator tentaram aquecer uma plateia que pouco agitou e aplaudiu. Será que o show/comédia dos caras já tá perdendo a graça? Numa tentativa de tornar o clima mais rocker Sutter/Detonator desceu do palco e agitou umas rodas bem anêmicas. Pulou a grade da pista vip e veio na minha direção agitando, pulando e cantando. Entrei na roda e acabei levando uma cotovelada no queixo, mas foi engraçado. No set dos caras as conhecidas, "Evil Papagalli", "The Mummy", "The Bull", "Metal Bucetation", entre outras. Os caras tentaram, porém a casa vazia e um público frio não deram liga. Deixaram o palco sem bis e pouco furor. Mas o pior ainda estava por vir.
Pra provar que nem Jesus Jones salvou a noite o grupo liderado pelo vocalista Mike Edwards fez uma apresentação raquítica, desprovida de entusiasmo e sem vitamina C.
No repertório canções de toda a carreira dos britânicos que chega também aos 30 anos. A mais conhecida é "Right Here, Right Now", que empolgou um pouco mais os fãs. A sonoridade do Jesus Jones envereda pelo chamado rock alternativo com interferências eletrônicas, pitadas de house, dance, indie e o que mais vier. No script dos caras frases manjadas do tipo "é bom tocar em São Paulo", "batam palmas" e "amamos o Brasil". Quem nunca, né?
Pra ter uma ideia do quanto foi empolgante a apresentação do JJ ninguém pediu bis e os caras deixaram o palco também sem se despedir.
Antes da banda Malta ficou aquela muvuca/brodagem com alguns manos da área jornalística com direito a trombar o mestre Marcelo Moreira, do site Combate Rock. No bate bapo a tentativa de encontrar explicações para o público pequeno. Conclusão? Nenhuma.
Pouco a pouco foram chegando os músicos que iam fazer a jam ou simplesmente conferir a festa. Marcello Pompeu (Korzus), Andria Busic (Dr. Sin), Marcelo Barbosa (Angra), Luis Mariutti (Shaman), Fernando Parras (Doctor Phoebes) e Paulo Anhaia eram alguns dos presentes.
Todos ali pra dar um abraço no Paulo Baron e prestar homenagens ao chefão da Top Link.
Já passava das 23h30 quando um vídeo cabuloso começou a rolar no telão dando o climão pra abertura da Malta. Pouco a pouco os caras entraram e fizeram uma apresentação esforçada. A banda integrada por Thor Moraes (guitarta), Diego Lopes (baixo), Adriano Daga (bateria) e Luana Camarah (vocal) mostrou principalmente músicas do álbum "IV".
Os caras são técnicos, precisos e fizeram o que podiam, até com direito a chamar Paulo Baron pra agitar no palco. Foi esforçado, pelo menos até onde assisti. Não conferi toda a performance dos caras nem fiquei pra jam, pois o clima não tava tão rock and roll. Só posso dizer que poderia ser melhor.
Mas de qualquer forma fica aqui os parabéns pelos 30 anos da Top Link Music. Todas as homenagens merecidas ao Paulo Baron e que ele continue nesta trilha de sucesso. Que a próximas festa comemorativa da Top Link Music seja mais legal. Que o público tenha mais sensibilidade pra prestigiar o Baron.
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