O palco nacional: o rock em 2019

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Por Gugu Queirós, Fonte: Taverna Estelar
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O ano de 2019 foi interessante para o cenário do rock nacional em suas diversas vertentes. Mas a cena independente que vem conseguir ganhar destaque no mercado fonográfico demonstrou a versatilidade e diversidade da música brasileira.

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Podemos destacar bons álbuns lançados nos últimos meses. O TERNO REI marcou o começo dessa temporada com seu suave, mas sofisticado Violeta. O disco traz uma sonoridade cativante com tons de New Wave com um Rock Pop de pegada oitentista. Além disso, a composição do grupo paulista se mostra mais madura e até otimista, sendo uma experiência poética e quase progressiva. Algo que Yasmin Mamedio(YMA) fez em seu Par de Olhos, álbum ainda mais Dream e Soft Rock.

Quem consegui mergulhar de vez em uma vertente mais Rock Progressivo foi o grupo RAKTA com o álbum Falha Comum, abusando do experimentalismo e fornecendo uma atmosfera semelhante a de YES e ELOY, produzindo um Space Rock em um viés mais pesado do Punk. O experimentalismo sonoro também sondou a banda QUAZIMORTO em seu disco Cold Front, que embarca em um conceito instrumental hardcore, um álbum que aproximou o punk ao progressivo.

Mas nesse âmbito mais conceitual e próximo ao rock psicodélico tivemos dois grandes destaques. Primeiro com BOOGARINS com Sombrou Dúvida, sendo um daqueles álbuns que funcionam imensamente melhor quando ouvido calmamente do início ao fim, com suas guitarras distorcidas no ambiente eletrônico das composições que soam incertas, assim como em Quarto Templo, da banda BIKE, que continua executando uma psicodelia madura e atrativa.

Merece destaque também o retorno de FRESNO, em Sua Alegria Foi Cancelada. O grupo retornou ao rock gótico sob uma influência mais alternativa que recorda RADIOHEAD e MUSE no início dos anos 2000.
E em termos de álbum conceitual, O TERNO lançou seu melhor disco até aqui, atrás/além, que aborda em meio a uma dualidade das letras questões nostálgicas e inseguranças modernas, junto a um som envolvente de rock de garagem flertando com o pop.

Esses poucos álbuns demonstram como o rock nacional conseguiu se dinamizar apesar do mercado fonográfico estar nitidamente direcionado para outros gêneros. Mais ainda, parece ser sintomático que para burlar essa problemática, muitos grupos aderiram ou sugiram como um som mais próximo do pop. Não entendo que isso signifique o sumiço de um rock mais cru, mas que certamente já não consegue mais tanto espaço como a dez ou vinte anos atrás.




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