Tandra: Confira entrevista com atração do festival Thorhammerfest
Por Maicon Leite
Fonte: Maicon Leite
Postado em 15 de março de 2020
Em novembro a cidade de São Paulo receberá a 14º edição do festival Thorhammerfest, que neste ano completará uma década de intensas atividades em nome do Folk/Pagan Metal em terras tupiniquins. Dentre as atrações, está a banda Tandra, de Curitiba/PR, que no momento divulga o álbum "Time and Eternity" e busca seu lugar na concorrida cena Folk brasileira. No festival, dividirão o palco com as bandas internacionais Cernunnos (Argentina) e Bornholm (Hungria), além das atrações brasileiras Vingard, The Heathen Scythe, Crown Of Fallen Heroes e Miasthenia.
Embora os passos iniciais nos levem de volta a 2013, foi apenas em 2017 que o grupo tomou forma, estreando com o single "Open the Bar" e ganhando ótima repercussão. De lá pra cá, Felipe Franco (baixo/vocal), Christopher Knop (guitarra/vocal), Geferson Franco (guitarra), Max Waltrick (bateria), Felipe Ribeiro (flauta) e Carlos Linzmeyer (acordeon/baixo) tem se empenhado em criar músicas empolgantes, carregadas de diversas influências, buscando uma sonoridade própria. Nestes poucos e intensos anos, o grupo já dividiu o palco com Angra, Krisiun, Soulspell, Malefactor, dentre outras bandas, adquirindo experiência na estrada e formado um séquito de admiradores.
Conversamos com a banda para saber um pouco mais de sua trajetória, convidando o público para conferir sua apresentação no dia 02/11 em São Paulo/SP, no Clube Piratininga (em Santa Cecília), nesta edição especial do Thorhammerfest.
Na ativa desde 2017, a banda tem acumulado bastante experiência nos palcos e agora colhe os frutos de um excelente trabalho com o debut "Time and Eternity" (2019). Como têm sido estes primeiros anos de estrada? Embora 2017 seja o ano oficial de criação da Tandra, consta que a ideia inicial remonta a 2013.
Christopher Knop: No início de qualquer banda, as dificuldades são as mesmas, compor músicas próprias, construir agenda de shows, fazer um bom show, mas o Tandra de certo modo teve uma boa aceitação desde o início, acreditamos que pelo fato de possuir instrumentos exóticos, que desde o início tínhamos, mas aos poucos, a performance melhora, com isso vem as músicas e a aceitação do público e dos produtores, e a repercussão tem sido boa pra uma banda com pouco tempo de estrada.
Antes do debut, porém, vocês lançaram os singles "Open the Bar" (2017) e "Time and Eternity" (2018), já mostrando um pouco do que viria a seguir. Nessa época a formação da banda já estava estabilizada?
Christopher: No inicio do ano de 2017 foi quando mudamos para a formação atual, onde saiu nosso antigo vocalista e também o baterista, as composições já estavam em andamento, então quando lançamos nosso primeiro single, "Open the Bar" já estávamos na formação estabilizada e assim tem se mantido.
O cenário Folk/Pagan no Brasil é muito forte, com diversas bandas e festivais espalhados pelo Brasil. Há também várias feiras temáticas voltadas à cultura pagã, o que acaba atraindo muitos headbangers. A própria temática viking/celta é muito recorrente no Heavy Metal. Então, dentro desse contexto, vocês acreditam que ainda há o que explorar nesse sentido? As feiras temáticas seriam uma forma de atrair o público para os shows?
Christopher: O paganismo está muito presente e tem sempre como explorar, além da cultura em si, é um símbolo de liberdade, que não só o folk metal prega. Acreditamos que sim quanto mais imergimos nessas culturas mais queremos descobrir e usufruir e as feiras fazem isso, apesar de que ainda não se é misturado muito shows de Folk Metal e afins com feiras medievais, até mesmo pela estrutura que é designada, esperamos que isso trouxesse a curiosidade e a busca, unificando cada vez mais.
Além dos instrumentos típicos do Folk, a banda busca influências em diversos estilos, como o Death Metal, Black Metal, Progressive Metal e Power Metal. Na hora de compor, como vocês juntam todos estes elementos para que soem uniformes? Há algum método que vocês desenvolveram para a elaboração das músicas ou tudo flui de forma natural?
Christopher: De certa forma isso flui e vem naturalmente para nós, vem na cabeça como um "quebra-cabeça" e a gente tenta encaixar, juntando elementos se não encaixar vai para a próxima ideia (risos). É claro que, precisa de um estudo em cima, principalmente dos instrumentos mais exóticos da banda, mas o Folk Metal te permite andar "sem regras" o quê facilita na hora de compor.
Quando se fala em Folk/Pagan Metal, de imediato vem à cabeça letras sobre batalhas vikings, rituais celtas, seres mitológicos europeus, etc. Entretanto, a Tandra cita em seu press release que busca influências de outras culturas do mundo, inclusive a brasileira. Do ponto de vista lírico, o que a Tandra apresenta?
Christopher: O Tandra vem com uma proposta de não ficar muito preso a uma temática direta, mas sim pegar alguns conceitos e fatos históricos, tratando nas letras, um contexto de batalha e rituais, mas não aplicado diretamente, optamos em fazer letras mais abertas, que possam ser interpretada tanto nesse contexto quanto no contexto atual, trazendo uma filosofia a mais "entre linhas".
Voltando ao mesmo assunto, há muita gente que fala mal e abomina bandas brasileiras que cantam sobre temas europeus, alegando que no Brasil há uma rica mitologia. Não discordo, há temas fascinantes no nosso país, mas vocês não acham um pouco radical este tipo de atitude?Vocês já chegaram a ter problemas do tipo?
Christopher: Sim, podemos dizer que é um pouco radical sim, a cultura do nosso país é fascinante as nossas mitologias também, mas isso não significa que devemos ser obrigados a falar delas só porque moramos no Brasil, somos um povo livre e misto aonde temos várias crenças em um só país, a questão é a livre expressão, acreditamos que todos possuem o direito de falar do que quiserem. Mas nunca tivemos problemas com essas questões não, até por que como foi dito anteriormente, nossas letras não abordam um tema explicitamente, então nenhuma letra está diretamente demonstrando um tema "europeu".
No mês de novembro a Tandra fará parte da 14º edição do festival Thorhammerfest, evento que é referência para os fãs de Folk/Pagan Metal no Brasil. Como será uma edição comemorativa, de 10 anos do festival, há algo que vocês pretendem fazer de diferente na apresentação? E daqui até lá, quais os shows que a banda já tem marcado?
Christopher: É, com toda certeza, um dos eventos mais importantes do ano na nossa agenda, estarmos ao lado de grandes bandas e um público certamente direcionado para o som que fazemos, não pensamos em nada muito diferente do que costumamos fazer, mas com certeza, aproveitar o clima pagão para incorporar melhor as temáticas e as músicas, e também estaremos com novidades, músicas inéditas. Sobre a agenda para o resto do ano, ainda não temos muitos shows grandes para o primeiro semestre, mas temos alguns shows menores para confirmar.
Christopher, muito obrigado pelo tempo cedido! O espaço é para um recado final:
Christopher: Prestigiem as bandas nacionais, tem muita gente batalhando e fazendo um trabalho absurdo e de qualidade excepcional e muitas vezes não recebem seu devido valor e é feito com carinho para o público e para manter nosso cenário aquecido e forte.
Mais informações sobre a banda:
https://www.facebook.com/pg/TandraFolkMetal/
Ouça a playlist do 14º Thorhammerfest:
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