Yes: como a formação clássica rompeu aos poucos - e até Jimmy Page teve a ver
Por Igor Miranda
Fonte: Classic Rock
Postado em 28 de abril de 2020
O guitarrista Steve Howe relembrou, em entrevista à Classic Rock, da primeira ocasião em que o Yes rompeu, em 1981. A banda ficou dois anos inativa, mas antes de chegar a esse ponto, já havia passado por mudanças na "escalação" que interromperam a sequência da formação clássica.
Não há discussões que o "Yes clássico" traz Howe na guitarra, Rick Wakeman nos teclados, Chris Squire no baixo e Jon Anderson no vocal. Há quem considere o baterista Bill Bruford nessa equação, já que o músico gravou álbuns como "Fragile" (1971) e "Close to the Edge" (1972), mas Alan White faz parte de todas as formações do grupo desde 1972.
Durante a entrevista, Steve Howe refletiu sobre as saídas graduais do Yes. Primeiro, Bill Bruford deixou a formação para se juntar ao King Crimson em 1972. Depois, foi a vez de Rick Wakeman, em 1974, que deu início a uma carreira solo, mas retornou em 1976 - e, curiosamente, saiu de novo em 1980, junto de Jon Anderson. A banda acabou no ano seguinte.
Para o álbum "Drama", de 1980, as vagas de Jon Anderson e Rick Wakeman eram preenchidas por Trevorn Horn e Geoff Downes, respectivamente. Os dois tocavam juntos no The Buggles.
"Aquele álbum foi a grande quebra de tradições do Yes. Chris, Alan e eu basicamente nos tornamos um trio. Chris me indicou o The Buggles, falamos de 'Video Killed the Radio Star', mas ele me indicou ouvir o disco 'The Age of Plastic'. Achei ótimo! Não era pop. 'Video' era pop, mas o resto do álbum era meio espacial e inteligente. E Trevon era um bom cantor, além de ter as letras fortes", afirmou Howe, inicialmente.
O guitarrista achava que os músicos não iriam deixar o The Buggles, já que o projeto estava fazendo sucesso. "Porém, eles vieram, nós oferecemos o trabalho e eles falaram que adorariam fazer aquilo. Então, atrasaram o lançamento do segundo álbum deles e nos deram a maior força", disse.
"Drama" acabou fazendo bastante sucesso no Reino Unido, mas nem tanto nos Estados Unidos. Há boas lembranças daquele período. "Trevor entrou como letrista e Geoff era o novo tecladista. 'Drama' era uma revelação. Porém, ninguém na América entendia certamente quem era a banda na época. Ou acharam que talvez os outros caras não tinham saído ainda", comentou Howe.
Apesar disso, o Yes acabou de vez em 1981. "Trevor e Geoff precisavam fazer o segundo álbum do The Buggles. Além disso, Trevor não gostou do fato de não estarmos preparados para mudar o tom das músicas antigas, para que ele pudesse cantar. Talvez isso poderia ter sido ajustado. Chris, Alan e Jimmy Page se juntaram para aquele XYZ", disse, explicando o fim do Yes.
O XYZ, que deveria ser uma espécie de sigla para "ex Yes and Zeppelin", era um projeto que reuniria o guitarrista Jimmy Page, do Led Zeppelin, com Chris Squire e Alan White. O grupo foi montado logo após o fim do Led, com a morte do baterista John Bonham.
Page, Squire e White chegaram a se reunir bastante para ensaiar e há muitas bootlegs por aí que mostram o resultado disso tudo. Todavia, o projeto não foi adiante. Músicas como "Mind Drive" e "Can You Imagine?", ambas lançadas pelo Yes futuramente, e "Fortune Hunter", outro supergrupo de Page com Paul Rodgers (Free, Bad Company) e outros músicos, surgiram desses ensaios.
O Yes voltou em 1983, só que sem Steve Howe. A vaga foi assumida por Trevor Rabin a partir dali até 1994. Howe retornou em 1990 e chegou a estar na banda junto de Rabin por algum tempo. Saiu e voltou em 1995, justamente, para substituir Rabin.
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