Mark Lanegan: "A heroína me impediu de morrer dos horrores do meu alcoolismo severo"
Por Brunelson T.
Fonte: Rock in The Head
Postado em 11 de maio de 2020
"Se não é literatura, eu não queria fazê-lo", disse um sóbrio há muito tempo Mark Lanegan, sobre o seu novo livro autobiográfico, "Sing Backwards and Weep".
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Um dos grandes sobreviventes do grunge, o vocalista que atuou pelo SCREAMING TREES e como cantor de apoio em bandas como MAD SEASON e QUEENS OF THE STONE AGE, Lanegan expõe em seu livro a parcela de culpa pela morte de Kurt Cobain, o seu desentendimento com Liam Gallagher (vocalista do OASIS), o seu ano de quando ficou limpo das drogas e muito mais...
Em recente entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele também revela por quê escrever as suas memórias doeram nele.
Mark Lanegan nasceu de uma mãe abusiva e de um pai alcoólatra, com o cordão umbilical enrolado no pescoço. As coisas pioraram a partir daí...
Agora, com 55 anos, sóbrio e muito sóbrio - que teve uma segunda carreira digna lançando discos solo, além de participações em outros grupos - Lanegan foi entrevistado recentemente pelo jornal The Guardian e falou sobre o seu novo livro autobiográfico, "Sing Backwards and Weep".
Lanegan foi entrevistado em duas etapas. A primeira em dezembro de 2019 e a segunda em março de 2020.
Seguem alguns trechos dessa matéria:
Na 1ª parte desta entrevista Lanegan não quis falar sobre as suas memórias. Ele está na frente de um espelho em seu camarim para realizar um show naquela noite em Londres, no icônico clube Roundhouse, concedendo autógrafos em livros e olhando as páginas através de óculos grossos.
O contato visual é praticamente nulo. A atmosfera derrete brevemente quando ele sai para fumar 03 cigarros, apertando-os em seus dedos tatuados por estrelas: "Muitas vezes eu queria parar de escrever o livro, mas tinha uma obrigação a finalizar", disse Lanegan retornando ao camarim - assim como o seu vocal, a sua voz narrada é magnífica, pesada e áspera.
Lanegan havia prometido a um amigo - o falecido escritor e chef do Kitchen Confidential, Anthony Bourdain - que ele escreveria as suas memórias. Bourdain o encorajou a fazer um prefácio à sua coleção de letras em 2017.
Bourdain se matou em 2018, quando Lanegan tinha apenas 04 capítulos prontos: "Eu tive que terminar o livro por ele". Lanegan oferece uma breve piscada de humor: "Eu também recebi dele 1/3 do adiantamento para o livro e não pude pagar de volta".
O livro "Sing Backwards and Weep" apresenta fatos da vida de Lanegan até o final dos anos 90. Ele não quis incluir a sua infância no livro, dizendo: "Me disseram que eu não tinha criado a minha vida musical no vácuo, porque teria que haver alguma história de fundo no livro".
Os seus pais foram "produtos de extrema pobreza e privação cruel", mesmo sendo professores. A sua mãe, Floy, viu o pai sendo assassinado em seu gramado quando criança. Ela tratou o filho abismalmente quando ele quebrou o fêmur aos 08 anos de idade e num certo dia, quando ele estava de pé, em um acesso de raiva a sua mãe deixou cair uma caixa de livros de capa dura na cabeça dele. Lanegan disse que gostava mais do seu pai, Dale, falando: "Era um homem de bom coração, carinhoso e que tinha boas intenções, mas não conseguia me controlar".
No ensino médio uma foto de Iggy Pop na revista Creem mudou a vida de Lanegan, abrindo os olhos e os ouvidos para o punk rock. Inicialmente, tornar-se um músico não era emocionante para ele, pois Lanegan nunca se dava bem com os seus colegas de banda no SCREAMING TREES.
"Muitas vezes me vi contando os segundos antes de estrangular o guitarrista Gary Lee Conner até a morte", escreve ele sobre um dos membros fundadores da banda. Antes da explosão do grunge, SCREAMING TREES tinha assinado um contrato com a super gravadora Epic Records e tiveram a sua parcela de sucesso com a clássica canção "Nearly Lost You" em 1992 - quando Lanegan havia assumido o controle da banda.
Mas nem tudo estava bem. Lanegan disse: "Basicamente tive que ficar numa banda que não gostava só para ganhar dinheiro e sustentar o meu hábito nas drogas".
As histórias de drogas contidas no livro são implacáveis e sombrias. Sobre a heroína, que é mencionada 102 vezes durante o livro, Lanegan falou: "A heroína me impediu de morrer dos horrores do meu alcoolismo severo".
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