Jimmy London: Saudades do Matanza

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Nelson de Souza Lima, Fonte: Nelson de Souza Lima
Enviar Correções  

Jimmy London está saudoso do Matanza. Contudo é preciso explicar que não é de sua antiga banda, na qual foi vocalista por quase 20 anos, e saiu em 2018. O cantor e compositor carioca, ícone do rock brasuca nos anos 2000, quer reviver a atmosfera dos shows e matar saudades dos fãs que enlouqueciam com seu ex-grupo.

Buteco de Quinta: Entrevista com Antonio Araújo (Korzus/Ome Army Away/Matanza Ritual)Quando shows dão errado: 25 apresentações desastrosas

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Para isso o cara montou o Matanza Ritual, que ganhou o "apêndice" por questões legais envolvendo o nome e algumas divergências com os antigos companheiros. Estes, por sua vez, criaram o Matanza Inc que segue agora com novo vocalista.

Meio doido, mas é isso: temos duas bandas que tocam o mesmo repertório.

É compreensível se você lembrou do Jethro Tull.

Que assim seja.

Para acompanhá-lo neste ritual sonoro Jimmy chamou uma galera de peso: o baixista Felipe Andreoli (Angra), o guitarrista Antonio Araújo (Korzus) e o batera Amilcar Cristófaro (Torture Squad e Kisser Clan).

Segundo o vocalista, o empresário Paulo Baron, manda-chuva da Top Link Music, foi o grande incentivador do projeto. "Eu me divertia muito nos shows do Matanza, o que veio de encontro à ideia do Paulo Baron. Daí, pra chamar os melhores músicos do Brasil, e mais gente-fina, foi um raciocínio lógico", atesta

Na questão do repertório que está sendo fechado London diz que farão um apanhado da carreira do Matanza, sem o intuito de parecer uma alto-homenagem, mas sim revivendo a experiência dos shows.

A turnê do Matanza Ritual começaria em junho, entretanto devido à pandemia do novo coronavírus teve que ser remarcada para o segundo semestre.

Sobre isso London alega que no momento o foco é se manter vivo. "Nada de ficar doente nem de Corona nem com as imbecilidades que somos obrigados a aturar diariamente do presidente do país", dispara

Confira a entrevista completa com Jimmy London

Como surgiu a ideia do Matanza Ritual. E chamar esta galera ai: Andreoli, Araújo e Christófaro?

Foi fruto da minha saudade do show do Matanza e do público do Matanza, que é uma rapaziada que se diverte pacas, e onde eu me divertia muito também, e que veio de encontro a ideia do Paulo Baron. Daí, pra chamar os melhores músicos do Brasil (e os mais gente-fina) foi um raciocínio lógico.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O repertório abordará toda a discografia do Matanza ou algum álbum em especial. Tipo comemorar os 20 anos de "Santa Madre Cassino" (2001). Uma vez que com essa pandemia as coisas só voltam a normalidade em 2021

Acho que não. Estamos ensaiando várias músicas e vamos fazer um apanhadāo da carreira da banda. A ideia não é homenagear a mim ou ao Matanza, mas sim reviver a experiência do show pra todo mundo, e faz mais sentido com músicas da carreira toda.

Falando na pandemia. O novo coronavírus abalou e continua abalando o planeta. Milhares de pessoas já morreram. E os órgãos de saúde orientam o confinamento. O que pensa dessa atual situação e se tem jogado muito playstation?

Rapaz, nesse momento acho que o foco é se manter vivo e não ficar doente nem de Corona nem com as imbecilidades que somos obrigados a aturar diariamente do presidente do país. Nesse momento nem da pra fazer muitos planos ou viajar muito. É compor, ler, cuidar da saúde e terminar o GTA v pela milionésima vez....

Você arregimentou uns caras de peso: Felipe Andreoli, Antônio Araújo e Amilcar Christófaro e pelo clipe de "Tempo Ruim" o entrosamento tá legal. Pensam em criar material inédito ou o Matanza Ritual é um projeto temporário?

Pois é, a proposta inicial realmente era somente tocar essas músicas por dois meses, mas quem disse que a gente consegue? O papo fluiu bem pra caramba, começamos a falar de música, arranjos e quando vimos, já estávamos compondo. Vamos ver o que vai rolar.

Seu trabalho com os Rats é muito legal. Como é o trabalho de composição do grupo?

No Rats temos 3 compositores principais: eu, Fernando e Kito. Rola muito trabalho junto, ninguém tem problema em mexer na música do outro, na letra e no arranjo. Eu meto a mão nas letras de geral e o Fernando "bigode" sempre dá um jeito de encaralhar os arranjos, por exemplo. Um grande barato, são pessoas que me fazem ser um cara mais legal e um enorme aprendizado sobre música de várias vertentes.

Vocês estão com shows remarcados para o segundo semestre. Contudo as autoridades sanitárias dizem que vai demorar para as coisas voltarem à normalidade. Pode ser que mesmo os shows remarcados tenham que ser novamente alterados. Como não pirar com uma situação dessas, além do playstation é claro.

Não da pra viajar muito, mesmo. Tem que fazer como disse acima: ler, compor, tentar suar um pouco e jogar. Até ler o jornal tá sendo uma atividade de risco.

Neste período de confinamento deve estar ouvindo muito Dylan, Sinatra, Cash e Willie Nelson. E o que mais?

O Dylan tá soltando vários sons novos, isso ja tá sendo irado. Além disso, ouço várias coisas pra dar umas ideias legais pro Ritual e outras pra imaginar novas versões pro Quarentena Sessions que tamos fazendo pro Jimmy&Rats. Ou seja, ouvindo de tudo, de Bon Jovi a Cro-Mags.

O rock tá em processo de transformação ou extinção? Visto que muitas bandas da sua geração, que foi bacana pro rock no Brasil, estão encerrando atividades.

Sinto o rock como um organismo vivo, assim como a música. Ele se insere de maneira diferente na vida das pessoas, assim como as pessoas também vão mudando seu jeito de lidar com a cultura. Agora acho que tá rolando menos "roqueiro clássico", de camisa preta, mas ao mesmo tempo existe uma enorme juventude que ouve uma porrada de coisa sem muita distinção, inclusive algum rock. Não sei se é pior ou melhor assim, mas é como estou vendo.

Manda um recado pros fãs.

Tentem ser inteligentes, por favor. Não acreditem em idiotas nem em fake news. Tenham suas próprias ideias e conversem abertamente com as pessoas sobre tudo que quiserem, falando e ouvindo sem vomitar opiniões como se fossem fatos. E nazista bom é nazista morto, sem exceção.




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Buteco de Quinta: Entrevista com Antonio Araújo (Korzus/Ome Army Away/Matanza Ritual)

Deck: documentário sobre os 20 anos do selo é lançado na íntegra no YouTubeDeck
Documentário sobre os 20 anos do selo é lançado na íntegra no YouTube

Matanza Inc: confira a entrevista de Marco Donida para a Roadie MetalMatanza Inc: Entrevista com o baixista Dony Escobar (vídeo)

Matanza Inc: banda anuncia a saída de Maurício NogueiraMatanza Inc
Banda anuncia a saída de Maurício Nogueira

Matanza Ritual: primeiros shows da turnê são adiados para agostoMatanza Ritual: Lançado single "Tempo Ruim" acompanhado de clipe

Eu Toco Rock N' Roll: doc mostra dificuldade de viver do estiloEu Toco Rock N' Roll
Doc mostra dificuldade de viver do estilo

Matanza: Machistas? tem letra da banda em que a mulher mata o cara!Matanza
"Machistas? tem letra da banda em que a mulher mata o cara!"


Quando shows dão errado: 25 apresentações desastrosasQuando shows dão errado
25 apresentações desastrosas

Os roqueiros mais chatos das redes sociaisOs roqueiros mais chatos das redes sociais


Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

Mais matérias de Nelson de Souza Lima no Whiplash.Net.

Cli336x280 CliIL Cli336x280 CliInline