Grunge: por que as músicas do estilo trazem tanta angústia, segundo Eddie Vedder
Por Igor Miranda
Postado em 25 de agosto de 2020
O vocalista Eddie Vedder, do Pearl Jam, concedeu uma entrevista a Lily Cornell Silver, filha mais velha do saudoso vocalista Chris Cornell, do Soundgarden. A participação foi registrada para a série de bate-papos "Mind Wide Open", sobre saúde mental, publicada no Instagram (IGTV) sempre às segundas-feiras.
A conversa abordou não só a temática de saúde mental, como, também, assuntos relacionados à música. Uma das convergências entre os dois tópicos ocorreu quando Eddie Vedder buscou explicar por que as músicas do grunge, movimento ao qual Pearl Jam e Soundgarden pertenceram - e que acabou se tornando um estilo -, carregam tanta angústia.
Vedder pontuou, inicialmente, que tanto ele quanto Cornell acreditavam que a arte - o que inclui a música - é como um "lugar de liberação". "Obviamente, ele tinha as músicas dele e há algumas letras bem obscuras ali. Kurt (Cobain, Nirvana) também fazia letras obscuras, assim como Layne (Staley, Alice in Chains)", afirmou, conforme transcrito pelo site da Rolling Stone.
Em seguida, o frontman do Pearl Jam destaca que toda essa angústia aparecia porque, simplesmente, era real. "Essas pessoas não ficavam tipo: 'vou fingir que estou compondo uma letra obscura'. Aquilo era a realidade para todos", disse.
Infelizmente, isso se tornou motivo de chacota para algumas pessoas. "Virou uma coisa para tirar sarro das bandas sérias do grunge. As pessoas levaram isso a sério, tipo: 'não estamos brincando'. É provavelmente por isso que as pessoas gostavam e pareciam precisar disso. Era tipo: 'esse cara está falando por mim, eu sinto essas coisas'", afirmou.
Pode não ser coincidência o fato de quase todos os grandes vocalistas/letristas do movimento grunge terem falecido ainda jovens. Chris Cornell, Kurt Cobain, Layne Staley, Scott Weiland (Stone Temple Pilots) e Andrew Wood (Mother Love Bone), só para citar alguns, nos deixaram bem cedo.
Em outro momento, Eddie comenta que a própria obra do Pearl Jam traz momentos obscuros. Ele citou, inclusive, que se surpreendeu quando o álbum de maior sucesso da banda, "Ten" (1991), passou a vender tanto.
"Há algumas coisas bem tristes ali. Lembro de pensar: 'uau, há milhões de pessoas se relacionando com esse tipo de depressão'. Quem diria? Provavelmente, (o álbum) foi algo saudável para todos", disse.
O bate-papo pode ser conferido na íntegra, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
As entrevistas de Lily Cornell Silver
Em entrevista à Rolling Stone, Lily Cornell Silver contou que teve a ideia de produzir a série de entrevistas "Mind Wide Open" durante a pandemia do novo coronavírus, quando estava sofrendo com sua saúde mental. Ela começou a pesquisar sobre o assunto, mas não encontrava fontes.
"Não havia como saber mais sobre os desafios de lidar com a saúde mental em uma pandemia, porque a menos que você tenha, sei lá, 100 anos de idade, ninguém passou por isso", afirmou.
Além disso, Lily quer compartilhar sua experiência após o luto e o trauma causados pela perda do pai. Ela já conversou com médicos e especialistas na série de entrevistas.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.
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