Kiss: por que não deixavam que eles abrissem shows de bandas maiores no início
Por Igor Miranda
Postado em 16 de setembro de 2020
O Kiss levou algum tempo para se tornar uma banda de grande proporção no rock. Entre 1973 e 1975, o grupo lançou três álbuns de estúdio com apoio de uma grande gravadora e fez uma série de turnês, mas não conseguiu emplacar - o sucesso veio apenas com "Alive!", no fim de 1975.
Em entrevista ao canal de Cassius Morris, com transcrição do Ultimate Guitar, o ex-guitarrista do Kiss, Ace Frehley, revelou um dos motivos para a banda ter demorado um pouco para engrenar. O músico destacou que grandes artistas não costumavam deixar que eles abrissem os shows.
O assunto foi pautado após Frehley comentar que assistiu ao primeiro show do Led Zeppelin no Fillmore East de Nova York, Estados Unidos. O guitarrista define a banda como a sua favorita de todos os tempos.
"Eles abriram para o Iron Butterfly e nunca vou me esquecer: eles simplesmente comandaram o público. E eram a banda de abertura. Depois que terminaram o show, metade da plateia foi embora. Foi constrangedor para o Iron Butterfly, mas todos foram para assistir o Led Zeppelin. Muitas pessoas da indústria musical estavam lá", afirmou.
A reputação do guitarrista Jimmy Page, conhecido músico de estúdio, ajudou a trazer expectativa ao Led Zeppelin no Estados Unidos. "Todos os caras na banda eram músicos de estúdio, com exceção de Robert Plant (vocalista), que era meio desconhecido. Ele era como um curinga, mas não existe alguém como Robert Plant - muito especial. Ninguém soará como o Led Zeppelin", disse.
Em seguida, Ace Frehley fez uma relação entre o show do Led Zeppelin que assistiu naquela época com a situação do Kiss no início. "Muitas bandas não queriam deixar que a gente abrisse o show delas. Era difícil competir com a gente - as bombas, o fogo, as explosões, a fumaça... quem quer competir com isso?", comentou.
O guitarrista destacou que o Kiss teve "um grande problema ao tentar buscar oportunidades para abrir shows". "Então, tivemos que começar a fazer shows como atração principal. Muitas pessoas achavam que a gente era de Detroit, pois estávamos como atração principal do Cobo Hall, que tinha capacidade para 12 mil pessoas. Enquanto isso, em Nova York e na Califórnia, ainda tocávamos para 500 pessoas", disse.
O patamar do Kiss só mudou com "Alive!". "Foi o álbum ao vivo que nos fez estourar. Viramos atração principal em todos os lugares por causa dele", concluiu.
A entrevista pode ser conferida na íntegra, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
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