Armada: Banda faz a diferença com suas letras e melodias
Por Guilherme Henrique Moro
Postado em 31 de outubro de 2020
Com influências de várias sonoridades e sem amarras ao punk, o Armada é uma banda eclética, com letras e sacadas inteligentes, sem deixar de lado o cunho político.
A banda foi formada em 2017, mas não se engane pelo pouco tempo na estrada. Quatro dos integrantes da Armada integravam a célebre Blind Pigs, banda que ficou ativa no cenário independente por mais de 20 anos e chegando ao fim no ano de 2016. Com o novo projeto, os meninos ganharam mais liberdade artística, podendo transitar por vertentes diversas.
Terminar uma banda já consagrada no cenário independente e começar outra do zero não é nada fácil. Henrike Baliú é o vocalista da Armada e comandou os vocais do Blind Pigs durante os 23 anos de estrada que o grupo percorreu. Ele relata como foi o processo de término da antiga banda até o nascimento da Armada: "Foi difícil cara, não vou falar que foi fácil até porque o Blind Pigs já tinha um nome. A gente teve que começar tudo de novo e estabelecer esse nome. O que nos ajudou muito foi ter um trabalho de assessoria de imprensa. Quando nós fomos lançar o álbum "Bandeira Negra" isso fez uma diferença brutal. Quando a gente lançou esse disco, não podíamos contar só para os nossos amigos e a base de fãs do Blind Pigs. Precisamos de todo um trabalho legal de assessoria e divulgação."
O conceito da Armada nasceu a partir da música "Eterno Marujo", composta pelo guitarrista Mauro: "Ele chegou com esse som e todo mundo achou muito louco, foi aí que a gente decidiu fazer uma coisa nova. Como essa música já tinha esse tema marítimo, eu pensei em fazer a Armada com essa temática que eu acho muito bacana. Na época do Blind Pigs a gente já tinha trabalhado nessa linha náutica, com o álbum "Capitânia", mas ele era mais voltado para o lado militar da coisa. Com o novo projeto, a gente buscou mais o lado da pirataria e dos aventureiros. Eu queria um nome que soasse bem em inglês, espanhol e português. Armada veio muito a calhar. A partir disso a gente começou a compor algumas músicas com essa temática, mas o legal da Armada é que a gente segue por várias vertentes. Se você pegar o disco, não tem só músicas sobre mar, piratas e tudo mais; tem uma série de outras canções com temáticas completamente diferentes, explica Henrike.
Principalmente no fim de sua vida, o Blind Pigs era uma banda estritamente street punk. Com o término do antigo projeto, os integrantes buscaram outros caminhos de composição: "Com o Blind Pigs a gente estava preocupado em fazer músicas com refrões fortes para cantar ao vivo, estávamos muito amarrados nesse lance. Com a Armada a gente se preocupa mais em fazer coisas interessantes e que realmente queremos fazer misturando todas as influências que a gente tem. A Armada é na sua essência uma banda punk, mas que navega por muitos outros mares. O nosso lance é ousar, sempre fazer algo diferente e nunca fazer o mesmo disco. Eu gosto muito disso, em termos de letra a gente consegue colocar algumas coisas mais pessoais, é algo que já não daria certo no Blind Pigs.
Algo notável na discografia da banda é que todos os trabalhos saíram em vinil, até mesmo os singles. Perguntado se a mídia física é algo importante para o conceito final dos álbuns e EPs, Henrike argumenta: "Na real eu penso o seguinte: você só tem um disco a partir do momento que ele sai em vinil. Então eu sou da chamada 'escola velha', faço questão que todo lançamento da Armada saia em vinil. Para mim isso é muito importante, até porque sou colecionador.
No ano passado, o grupo mostrou de vez seu lado político que era muito evidente já nos tempos de Blind Pigs. O lançamento do EP "Ditadura Assassina" relata em canções a indignação da trupe com os acontecimentos que ocorreram no Brasil de 1964 a 1985. Henrike contou um pouco sobre esse lado mais provocativo da banda: "Já na época do Blind Pigs muitas de minhas letras eram focadas nisso. Isso pode ser visto em músicas como 'Verão de 68' e 'Órfão da Ditadura'. São músicas que tratam especificamente desse tema. Eu vejo esse revisionismo histórico com a galera dizendo que na época da ditadura era tudo muito bom, tudo muito lindo e que deveriam fechar o congresso novamente. Para mim isso tudo é inaceitável, é de uma ignorância suprema. Com o 'Ditadura Assassina' a gente quis deixar na cara qual é a posição política da banda. Nós somos contra tudo isso e ponto final. Não deveria ser surpresa para ninguém, no álbum 'Bandeira Negra' já tinham músicas totalmente políticas como 'O Ódio Venceu'. Eu sempre gostei de escrever letras assim e o Mauro (Baixista) também.
Perguntado sobre planos futuros, Henrike ainda anuncia que a banda irá lançar seu segundo álbum em breve e que faltam apenas alguns detalhes de pré-produção para o início das gravações: "Estamos focados nisso, eu coloquei a voz em uma música e depois que começou tudo isso eu não consegui gravar as outras. Vamos dar uma mexida nas letras, bater o martelo nos arranjos e assim que for possível entrar em estúdio".
Ele ainda relata que a banda está compondo e produzindo bastante durante a quarentena: "As músicas que compomos nesse período ficaram para um terceiro disco. Elas ficaram tão legais que resolvemos segurar por achar que não vale a pena soltar agora. Estamos muito ativos nesse sentido, tenho feito muitas músicas com amigos. Na semana passada mesmo, o Mauro me mandou uma canção muito legal que ele fez"; comenta.
A banda acumula participações importantes de artistas como Sérgio Reis e Kiko Zambianchi, no álbum "Bandeira Negra", porém isso não resume a obra do grupo. Armada mostra que dá para fazer um exímio rock and roll com muita qualidade, sem exclusivismo e não limitando suas letras e melodias somente ao punk. A trupe foca na música boa e principalmente no que acredita.
FONTE: Blog Música Boa
https://www.blogmusicaboa.com.br/post/com-novo-disco-em-foco-armada-faz-a-diferen%C3%A7a-com-suas-letras-e-melodias
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Megadeth inicia turnê sul-americana, que passará por São Paulo; confira setlist
A banda que parecia barulho sem sentido e influenciou Slipknot e System Of A Down
Pôster do Guns em Fortaleza gera reação da Arquidiocese com imagem de Jesus abraçando Axl
A banda em que ninguém recusaria entrar, mas Steven Tyler preferiu dizer não
A opinião de Regis Tadeu sobre o clássico "Cabeça Dinossauro" dos Titãs
O álbum do AC/DC que tirou Malcolm Young do sério; "todo mundo estava de saco cheio"
Sepultura lança "The Cloud of Unknowing", último EP de sua carreira
O maior álbum do Led Zeppelin para Jimmy Page e Robert Plant
Dream Theater realiza show que será lançado como álbum ao vivo; confira setlist
A canção para a qual o Kiss torceu o nariz e que virou seu maior sucesso nos EUA
Derrick Green posta foto pra lá de aleatória, em que aparece ao lado de Felipe Dylon
Com Rodolfo Abrantes, Rodox anuncia retorno após 22 anos e reacende legado do hardcore nacional
Bruno Sutter disponibiliza show completo que ensaiou com o Angra; ouça aqui
10 discos que provam que 1980 foi o melhor ano da história do rock e do heavy metal
Foo Fighters lança "Your Favorite Toy", seu novo disco de estúdio

Fãs de Rock e Metal: 15 verdades que eles sempre temeram
Capas: 10 das mais belas feitas por artistas dos quadrinhos
Demissão de Joey Jordison foi a decisão mais difícil da carreira do Slipknot
O hino do Rock que Max Cavalera odiava e só foi compreender quando ficou velho
Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, e sua preferência pelo Brasil
Pink Floyd: a história por trás de "Animals"


