Sonoridades: Isabele Miranda conversa com Marcos Kleine, do Ultraje A Rigor e PAD
Por Vagner Mastropaulo
Postado em 26 de fevereiro de 2021
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O título do episódio 61 do Sonoridades, postado no YouTube em 13/02, já dizia tudo: "Marcos Kleine, o guitarrista sincerão", logo, o que esperar de diferente? Membro fixo do The Noite, de Danilo Gentili no SBT, com o Ultraje A Rigor e do PAD, Kleine é daqueles que não deixa pergunta sem resposta e mete o dedo tão a fundo em feridas que dá trabalho resumi-lo, uma vez que seus relatos são cheios de detalhes a entrecortar assuntos. A solução encontrada por este escriba foi, por vezes, digitar declarações um pouco mais extensas (como os três primeiros temas e o quinto), sem nem sempre enxugar o conteúdo. Vamos a alguns dos bons momentos da live com Isabele Miranda:
Ultraje A Rigor - Mais Novidades
- como fazer o The Noite durante a pandemia sem Roger Moreira (incluído no grupo de risco):
"A gente não contou com o Roger, né? E Ultraje sem o Roger... se alguém falasse para mim em alguma época eu iria falar: ‘Meu, não é possível, né?!’. Mas neste ano, no contexto deste ano, até faz sentido. A gente fez o programa, de maio até dezembro, sem o Roger, fazendo o que dava para fazer em trio: eu, o Bacalhau e o Mingau. Então não foi fácil, a gente teve que se readaptar (...) Teve uma vez que uma maquiadora lá do SBT teve Covid e aí começou todo mundo a ficar assustado. E aí: ‘Meu, vocês têm sete musicais para gravar, para a gente deixar os programas para a frente’. E a gente falava: ‘Sete musicais? Mas nem o Yes tem sete musicais ou o Rush. Quem tem sete musicais agora assim, na TV, gravando de primeira?’. Isso foi uma coisa assim bem tensa para a gente também. Foi difícil, né? Porque é um trio, né? Não existe na história da TV em talk shows um trio tocando – não tem! – que era um quarteto e virou trio. De repente, quando entra trio, rola, mas... foi complicado".
- "dando aula" sobre o conceito de sinastesia:
"Sempre gostei de trilhas sonoras. Comecei ouvindo música ouvindo a trilha sonora de ‘Star Wars’ e depois de ‘Star Trek’, então sempre gostei. Eu me lembro que comprei o disco do ‘E.T.’, a trilha sonora do ‘E.T.’ do John Williams, e gastei aquele disco de [tanto] ouvir. Eu gostava de trilha sonora porque ela remete muito à imagem: à que você viu e a que você possa ver. Isso se chama sinastesia, é um assunto muito louco. Então sempre me liguei, desde moleque, em sons que remetem a imagens e lembranças e então isso faz parte da minha formação musical. A sinastesia é subjetiva: quando você ouve, por exemplo, a trilha sonora de ‘E.T.’, você se lembra daquela época em que você viu o filme. É um print! A sinastesia é uma música que você interpreta da sua forma, algo que realmente remete à imagem, uma música que foi propositadamente feita para isso".
- reconhecimento internacional a partir de versões de trilhas sonoras:
"Comecei a trabalhar com produção musical e a mexer com MIDI em 95-96 e, como eu gostava de trilha sonora, passei a entender de trilha sonora, lendo partitura e tal. Fiz um projeto que se chamava Kleine Project, que era basicamente [para] fazer versões de temas de filmes conhecidos na guitarra. Foi a primeira banda, vamos dizer assim, que existiu no Brasil em relação a isso – depois veio o The Soundtrackers, mas que tinha muita música cantada. Comecei a estudar isso e estudei tão bem, fiz a lição de casa, que comecei a fazer trilhas de filmes ‘Star Trek’ e ‘Star Wars’ e [isso] começou a se espalhar muito rápido. (...) Para resumir, [os caras de] um site canadense chamado Desktop Starships viram o que eu estava fazendo e falaram: ‘Meu, a gente precisa fazer uma página para você!’. Eu falei: ‘Meu, façam o que vocês quiserem, desde que eu não tenha que pagar nada’. Aí eles fizeram e [foram] colocando minhas versões porque eu tinha várias. (...) E aí, minha página no Desktop Starships em 98 chegou a ter um milhão de acessos por mês. É surreal! Então fiquei muito conhecido lá fora".
- premiações nessa área:
"Um curta americano que se chama ‘The 100th Job’ [https://www.youtube.com/watch?v=h9haxHgNJ-w], que fiz a trilha sonora inteira e ganhei dois prêmios: melhor trilha de curta em San Francisco e no Festival de Cinema de Blumenau. Foi um orgulho porque fiz a toque de caixa, fiz sozinho". [nota: a música no trailer se chama "Going To Work"]
- a entrada no Ultraje A Rigor:
"Fiquei amigo do Mingau, que entrou no Ultraje em 98, muitos anos se passaram e, em 2003, toquei com o Leo Jaime – o Mingau me chamou para tocar, ele era o baixista, eu na guitarra e o Mario Fabre, batera do Titãs, num quarteto. Depois de o Roger ver isso, ele montou A Fabulosa Orquestra de Rock ‘N’ Roll, um mega projeto com uma big band, um projeto grande para tocar lados B dos anos cinqüenta e sessenta em boteco, e fiquei muito amigo do Roger. Para resumir, fiquei muito brother dele porque ele é nerd que nem eu, é da zoeira. (...) Quando o Sérgio Serra saiu do Ultraje em 2009, é óbvio que eu estava ali, na pista. Todo mundo falou: ‘E aí, você vai ou não vai aceitar?’. E eu falava: ‘Calma aí, né? Não sei. Tô de boa, né? Mas, puta honra!’. E aí calhou, meu nome estava ali, eu era amigo dos caras, sei tocar, então foi normal pegar um guitarrista diferente e não trazer alguém das antigas de novo. (...) Fiquei um bom tempo assim sendo músico convidado e aí, depois de um tempo, fui efetivado".
- o surgimento do PAD:
"E o PAD é uma vontade de fazer som próprio de novo. A comichão começou em 2016, até eu ver o [Fabio] Noogh cantando no The Soundtrackers, que, para quem não conhece, era a banda do Rodrigo Rodrigues, que fazia tema de filme. E, por eu saber muito sobre isso, teve um show do The Sountrackers que eles me chamaram para ser substituto do guitarrista, porque ele se casou. (...) Vi o Noogh cantando Abba, AC/DC, qualquer merda e falei: ‘Velho, preciso fazer uma banda com esse cara!’. Acabou o show e falei: ‘Velho, preciso conversar com você. E aí, vamos fazer uma banda, meu?’. Ele topou e aí nasceu o PAD".
- de onde saiu o nome "PAD":
"A gente pensou assim: ‘Que linha a gente vai seguir? Rock ‘n’ roll, né?’ Eu queria tocar rock ‘n’ roll eclético, tipo Van Halen, com guitarra pra caralho. E falei: ‘Meu, vamos fazer um lance tipo Chickenfoot, né?’, que é com caras de bandas diferentes tocando um som. E por isso que veio o nome ‘PAD’, de ‘Pé De Galinha’, que é ‘Chickenfoot’ traduzido! (...) Ficou assim no grupo de WhatsApp: ‘Pé De Galinha’ e tal. E a única exigência que fiz para o Noogh foi: ‘Quero tocar com caras que nunca vi na vida’ e daí vieram o Thiago, o Will, o Simão e o Pit".
Tudo isso batendo na casa de trinta e dois minutos dos pouco além de sessenta da conversa. Demais tópicos? A ação de marketing do PAD que reuniu cinqüenta e cinco artistas da cena no "clipe curta-metragem" de "Um Sopro"; músicos de renome que nos deixaram ao perder a luta contra o maldito Coronavírus; a análise de Kleine sobre o cenário musical brasileiro contemporâneo; truques da indústria pop para atrair você; a polêmica opinião do guitarrista sobre DJs; e situações inusitadas vivenciadas em shows (aqui há situações bem engraçadas!).
Mas a estória mais impagável foi "o esconde-esconde com o Viper"! Sem sacanagem, essa foi tão sensacional que não vamos matar o prazer de sua audição! Até porque ela soa mais engraçada se narrada pelo próprio Kleine, sobretudo pela "participação especial" de Andre Matos no causo, então sem spoiler!
Encerrando o bate-papo, um pedaço do lyric vídeo de "Um Sopro", que você pode ver por inteiro abaixo. Se curtiu o que leu até aqui, prestigie a fonte. E não deixe de conferir o episódio seguinte do Sonoridades, com Maurício Java trocando figurinhas com "Bruno Maia, A Mente Por Trás Do Tuatha De Dannan".
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Assista às outras entrevistas através do canal do Sonoridades no YouTube.
Fonte: IM Press&MKT
https://www.facebook.com/733074416825153/posts/2154137108052203
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