Motörhead: a razão curiosa que fez Mikkey Dee recusar primeiro convite para a banda
Por Igor Miranda
Postado em 12 de abril de 2021
Mikkey Dee foi o baterista que ficou mais tempo no Motörhead: de 1992 até o fim da banda, com a morte do líder Lemmy Kilmister, em 2015. Essa passagem poderia ter sido ainda mais longa se ele aceitasse o primeiro convite do frontman, feito ainda em 1986.
Em entrevista ao NFR Podcast, com transcrição do Ultimate Guitar, o músico contou que foi chamado para o Motörhead pouco tempo após ter se juntado à banda de King Diamond. Com o vocalista do Mercyful Fate, o baterista gravou os álbuns "Fatal Portrait" (1986), "Abigail" (1987), "Them" (1988) e "Conspiracy" (1989).
Curiosamente, porém, não foi o vínculo com King Diamond que impediu Mikkey Dee de se juntar ao Motörhead. O baterista fez uma espécie de autocrítica e não se considerou "merecedor" de entrar para a banda de Lemmy Kilmister.
Inicialmente, Mikkey relembrou: "Ele me chamou para entrar para o Motörhead em 1986, eu tocava com King Diamond no começo. Ele me chamou três vezes antes de eu aceitar entrar, nos anos 90".
O baterista completou: "Fiquei honrado pelo convite. Eles eram super astros aqui (na Suécia, país natal do músico). Quando Lemmy me chamou, falei que eu precisava fazer por merecer, que eu precisaria trabalhar muito antes. Não é só uma banda, é uma instituição. Eu disse não, mas com respeito".
Dee ainda deixou claro que nunca aceitou ou recusou propostas de trabalho por questões financeiras. "Nunca saí de nenhuma banda por dinheiro ou fama, se é uma banda maior ou menor. Onde eu me divertia, eu ficava. E estávamos construindo algo com King", afirmou.
Mesmo com a primeira recusa de Mikkey, Lemmy não desistiu. "Lemmy seguia me enviando cartões postais, escrevendo para mim, me ligando de telefones públicos e de hotéis. 'Ei, Mik, como você está? Quero só saber como você está'. Ele me enviava cartões postais de todo o mundo. Sempre nos demos bem", disse.
O baterista ainda lembrou que estabeleceu uma relação de amizade com Lemmy antes mesmo de entrar para o Motörhead. Além disso, ele ficou amigo de Phil "Philthy Animal" Taylor, baterista clássico da banda, e do guitarrista Würzel.
"Eu via esses caras como insanos, engraçados e extremos de tal forma que eu pensava que se eu me entrasse na banda, seria 'jantado' por eles. Não me sentia preparado. Eles eram durões. Fico feliz de ter tido cérebro o bastante para me acalmar e pensar com lógica. Não era para mim naquele momento. Mas mantivemos contato", declarou.
A entrada de Mikkey Dee para o Motörhead
Em meio às conversas regulares que mantinha com Lemmy, Mikkey Dee contou que seu atual projeto, como baterista da carreira solo de Don Dokken, não estava rolando. Foi aí que o baterista se sentiu aberto para trabalhar com o Motörhead.
"Ele me chamou para tocar 'Hellraiser' e outra música com eles. Fui para o estúdio no mesmo dia e comecei a gravar. Eles me chamaram para tocar com eles na turnê, pois iriam excursionar com Ozzy, e eu topei. Daí fizemos turnê com Guns N' Roses e Metallica, fomos para a Europa e tocamos com o Saxon... 25 anos passaram depressa", disse.
"Hellraiser" foi a única música de seu respectivo álbum, "March ör Die", tocada por Mikkey Dee. Lançado em 1992, o disco teve a bateria gravada pelo veterano Tommy Aldridge (Whitesnake, Ozzy Osbourne, etc), como músico de estúdio, após Phil Taylor ser demitido.
"Eles queriam que eu regravasse Tommy. Não que Tommy tivesse ido mal, mas eles me queriam na banda, queriam que eu tocasse mais. Eu disse que não, pois soava fantástico. Além disso, não havia orçamento para regravar. Tommy fez um trabalho fantástico, gravou tudo muito rapidamente", comentou.
Não demorou muito até que Mikkey pudesse gravar um álbum completo com o Motörhead: "Bastards", de 1993, trouxe o baterista como titular da função. "Foi quando começamos a compor todos juntos e esse virou um dos nossos discos favoritos. Sei que era um dos preferidos do Lemmy e eu também o coloco no top 3, mas gosto de todos os meus 12 discos com a banda. Os últimos cinco com Cameron Webb (produtor) são incríveis", pontuou.
A entrevista completa pode ser ouvida, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
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