Sepultura: os detalhes na criação de "Quadra" que o fizeram soar tão elaborado
Por Igor Miranda
Postado em 03 de maio de 2021
Em 2020, o Sepultura lançou o álbum "Quadra", um de seus trabalhos mais arrojados musicalmente. Além de ser regido por um conceito, o disco apresenta influências que fogem do campo do thrash metal e caminham até pelo progressivo, bem como outras vertentes.
Tal abordagem não é exatamente inédita na carreira do Sepultura, já que trabalhos anteriores indicavam esse direcionamento, com destaque a "Machine Messiah" (2017). É inegável, porém, que o resultado obtido em "Quadra" surpreendeu até mesmo os fãs mais ligados na obra recente da banda.
Como eles conseguiram chegar a um álbum como "Quadra", que soa tão elaborado? Em entrevista ao podcast Party Time Excellent, com transcrição do Blabbermouth, o vocalista Derrick Green expressou seu ponto de vista sobre o processo criativo do disco, encontrando uma resposta para essa pergunta.
De acordo com Derrick, o tempo investido pelo Sepultura para compor "Quadra" foi o grande ponto responsável pelo resultado artístico obtido. "Trabalhamos tanto nesse álbum em 2019, então, não fizemos muitos festivais em 2019, pois estávamos planejando fazer esses eventos em 2020", declarou, apontando que a pandemia frustrou os planos de divulgação do álbum em turnê.
Em seguida, ele complementou: "Em 2019, levamos bastante tempo no processo de composição para nos prepararmos antes de entrar no estúdio. E levamos um tempo maior nesse álbum em comparação aos outros, no que diz respeito ao processo de composição. Acho que isso nos ajudou a criar um álbum incrível - tirar esse tempo para fazer o álbum e ir para o estúdio muito preparado".
Além do tempo de preparação, "Quadra" se diferenciou, na visão de Green, por trazer o mesmo produtor do álbum anterior: o sueco Jens Bogren, conhecido por trabalhos com Opeth, Dimmu Borgir, Angra, Arch Enemy, entre outros. "Trabalhamos com um produtor com o qual já havíamos trabalhado antes: Jens Bogren, na Suécia. Trabalhamos com ele no nosso último álbum, 'Machine Messiah', então sabíamos o que teríamos e isso nos ajudou muito, nos deixou muito confortáveis", comentou.
Houve, ainda, mais um ponto de destaque nesse processo: a solidez da formação, que contou com o baterista Eloy Casagrande para o terceiro álbum da banda em sequência. "Estávamos muito confiantes enquanto grupo, pois foi nosso terceiro álbum com Eloy Casagrande, nosso baterista que está conosco há algum tempo. Foi outro nível de confiança", pontuou.
Por fim, Derrick Green exaltou o conceito por trás de "Quadra". "Foi muito empolgante trabalhar nesse álbum e trazer muitas ideias nas letras e o conceito de cada pessoa viver em sua própria 'quadra' - como se você tivesse crescido em sua própria área e aprendesse algumas coisas morando ali. Mas você precisa respeitar, pois nem todos nasceram na mesma quadra, na mesma área. É um processo de aprendizagem que desenvolvemos viajando e conhecendo pessoas do mundo inteiro", concluiu.
A entrevista pode ser ouvida, em inglês e sem legendas, no player a seguir.
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