Iron Maiden: Era de "Senjutsu"
Por Jones Johnson
Postado em 04 de outubro de 2021
O ano é 2021 e o Iron Maiden, após uma pausa de 6 anos desde o seu último lançamento e uma pandemia no meio do caminho, lança seu décimo sétimo álbum, "Senjutsu". Em tradução livre do japonês, Senjutsu significa "estratégia" ou "tática e estratégia". É com isso em mente que iniciaremos essa jornada rumo à terra do sol nascente.
O disco possui 10 faixas e ao ouvi-lo pela primeira vez, a impressão é de estar num campo de batalha. Isso se traduz em músicas como a faixa título, "Senjutsu", "Darkest Hour", "The Parchment", que dão o clima cinematográfico perfeito.

Ao dar play, tambores anunciam a chegada de algo. Bruce anuncia: "ouçam o aviso ao som dos tambores". Um alerta para o que virá. As guitarras surgem como samurais descendo as colinas, com suas katanas e sangue nos olhos em direção ao inimigo. Parece que fomos transportados para o campo de batalha e sair dele vai ser um desafio e tanto. A luta continua no decorrer da música e finaliza com o sentimento de quem está lutando precisa sobreviver para contar a história para as próximas gerações.
É aí que entramos na faixa "Stratego", ou estratégia, segundo single do álbum que conta a história de alguém que quer ser treinado para a guerra e se sente preparado para isso mesmo que isso signifique sua morte. Com guitarras soando bem ao "antigo Maiden", com galopes e um refrão digno de ser cantado em uníssono quando houver a possibilidade de shows novamente.

A terceira faixa foi o primeiro single e foi com ela que a banda resolveu brincar de charada com os fãs. The Writing On The Wall é diferente de tudo que o Maiden vinha fazendo ao longo dos anos; desde a sonoridade meio "western" e um solo de guitarra perfeito de Adrian Smith, até o clipe com várias referências à discografia da banda, que é, sem dúvidas um dos melhores clipes dos últimos anos.
Lost in a Lost World tem a mesma atmosfera inicial da carreira solo de Bruce, com voz e violão durante 2 minutos bem ao estilo "Navigate The Seas of The Sun", mas logo depois a calmaria dos violões é quebrada pela guitarra bem parecida com "The Wickerman". Gers acompanha o vocal de Bruce em alguns momentos antes do refrão, como acontece em outras músicas desse disco, sua marca registrada. Days Of Future Past, mais uma parceria Smith/Dickinson que sempre nos brinda com clássicos há décadas, tem uma pegada mais oitentista, com riffs de Adrian que estava muito inspirado neste disco. Ela é a música mais rápida do disco e possui um refrão que com certeza vai fazer todos cantarem caso a banda toque ao vivo nas próximas turnês.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Com uma introdução que remete à The Talisman, música do "Book Of Souls", Bruce canta convidando o ouvinte a uma viagem em sua "máquina do tempo". Time Machine tem um andamento bem cadenciado. Nicko está sensacional nesta faixa, principalmente no tema do meio da música, riff que é muito parecido com uma música do X-Factor, The Edge of Darkness.
Ao som de gaivotas e das ondas do mar, Darkest Hour inicia a segunda parte deste disco. E é bom dividirmos o disco em 2, pois a partir daqui, podemos considerar um outro "Senjutsu". Darkest Hour tem o clima de fim da guerra, onde todos estão acabados no campo e pensando se as decisões tomadas foram corretas e se valeu a pena. Esses questionamentos profundos fazem dessa balada uma das mais bonitas dos anos 2000 da banda. Solos de guitarra que soam como se chorassem mostram que essa música é forte e emocionante.

As referências com o "X-factor" (e algo do "Virtual XI") daqui pra frente serão mais presentes e explicarei o motivo: músicas densas e progressivas. A trilogia final do disco. A chamada "trilogia do patrão Steve Harris". Quando ouvi pela primeira vez, não consegui assimilar toda a riqueza presente em cada música. É preciso ouvir algumas vezes para entender que o ambiente criado por Steve lá trás no "X-Factor" e que muitos fãs odiaram. Talvez pela chegada de Blaze Bayley à banda, talvez não. Fico pensando se lá em 1995, não passou pela mente de Steve Harris: "como seria Bruce cantando essas músicas?". Essa resposta veio agora nos quase 35 minutos finais do "Senjutsu".
Death Of The Celts, ou "The Clansman - parte 2", tem bem essa pegada. Bruce canta ela como se fosse o próprio guerreiro em Coração Valente, filme dos anos 90. Uma curiosidade é que, apesar de ter cerca de 10 minutos, a letra dela é cantada quase toda nos primeiros 4 minutos, retomando nos 2 minutos finais. Temas que só conseguimos imaginar sendo cantarolados pelo público nos shows fazem parte do instrumental e aqui temos solos de todos os guitarristas, que estão com uma sintonia absurda nesta faixa.

Com uma introdução densa, pesada, deixando a atmosfera do disco ainda mais sombria, The Parchment tem um dos riffs mais lindos desse álbum. É a música preferida deste que vos escreve, mesmo achando que ela poderia ter menos tempo, isso é fato. Temas que acompanham os vocais de Bruce estão presentes mais uma vez aqui, mas ao cantar "HEAR THE CRY WE ARE READY TO BELIEVE", a música atinge seu máximo, e permanece assim até o final, onde Bruce segura a nota mostrando que venceu o câncer e que a banda ainda tem muito a entregar.
Finalizamos o disco com uma das músicas mais adoradas por muitos fãs, em uma pesquisa rápida de opinião. Hell On Earth inicia calma, com um riff que nos faz flutuar no ambiente, até sermos acordados quando as distorções são ligadas. Gers segue a linha vocal de Bruce praticamente a música inteira, tornando algo repetitivo nesta faixa. Ela volta para um momento de calmaria, que é quebrado com Bruce canta "LOVE IN ANGER, LIFE IN DANGER", e a música cresce novamente. É um clássico do Iron Maiden, fechando um álbum que com certeza irá marcar gerações assim como "Powerslave", "Seventh Son", "Piece Of Mind" marcaram.

"Senjutsu" veio para mostrar aos fãs que uma banda com mais de 40 anos de estrada consegue se renovar a cada álbum, mesmo que ela beba da própria fonte, como em vários momentos do disco. E isso não é algo ruim. A essência do Iron Maiden está aqui e é um privilégio poder ouvir, tocar as músicas, admirar todos da banda e levar esse sentimento "daqui pra eternidade".
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