Guilherme Arantes: como participar no "Temple of Shadows In Concert" mudou sua carreira
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de janeiro de 2022
O compositor e pianista Guilherme Arantes iniciou sua carreira na banda de rock progressivo Moto Perpétuo ainda na década de 1970. Em entrevista para o jornalista musical Gustavo Maiato, o músico explicou como foi retornar ao campo do rock e do prog em sua participação no DVD "Temple of Shadows In Concert" (2020), do Edu Falaschi.
Além de considerar a experiência como "sensacional", Guilherme Arantes aproveitou para elogiar o público "fiel" do heavy metal e disse que foi muito bem tratado no camarim e também pelo público, que de forma geral se mostrou contente com sua versão de "Late Redemption", cantada na ocasião, e também de "Planeta Água", clássico do cantor que acabou fazendo parte do tracklist do DVD de Edu.
"Essa experiência foi sensacional. Primeiro, porque dou o maior valor para esse público do heavy metal. Eles são bastante exigentes em termos musicais e instrumentais. Eles dão valor para os instrumentistas. Existe toda uma conceituação que é diferenciada nesse nicho. Sempre gostei desse nicho por causa disso. Já na década de 1990, fui assistir o Metallica no estádio do Palmeiras. Consegui entrar em um lugar próximo ao palco onde eles jogavam palhetas para os fãs. Foi sensacional. Esse é o showbiz em escala gigante, mas é um showbiz de músico, que tem esse viés. É uma moçada que gosta da música, gosta de ver os caras tocando. Gosta do som pesado e do virtuosismo. Eles gostam da qualidade do que está sendo feito ali. Por isso, as bandas são muito boas.
Pela primeira vez nesta cena do showbiz do heavy metal, tive oportunidade de participar. Um monte de homem na plateia. Todos de camisa preta, bota, tomando cerveja. É uma galera que nunca pensei que fosse ter credibilidade. Isso me agradou muito. O que eles cultuam é o som. Existem recursos audiovisuais, mas a pegada é bem exigente. Eu me senti muito valorizado e muito bem. Fui muito bem recebido. Tocamos não só a música do ‘Temple of Shadows’, mas também ‘Planeta Água’, que é uma música progressiva, grande, densa, com recursos de orquestração.
Para mim, essa experiência foi um incentivo na minha carreira. Me fez redescobrir possibilidades para mim. Quando estava compondo ‘A Desordem dos Templários’, essa foi uma lembrança muito boa. Uma esperança de poder agradar uma juventude que é diferente. Fora do padrão. É uma molecada que gosta de progressivo. No fundo, é o que eu sou. Por mais que eu tenha me desviado para o pop e música de televisão nos anos 1980. O fato é que minha origem tem essa raiz. Do Genesis, Yes, Pink Floyd, O Terço, Som Nosso de Cada Dia. Essas são bandas que faço homenagens. Fomos muito maltratados pela história, porque quando aderimos ao progressivo, rapidamente chegou o punk com uma formulação teórica dos críticos para demolir aquela catedral que o Paulo Ricardo classifica como o ‘Paiol de Bobagens’. Isso seria o progressivo.
Depois, poder comunicar com essa galera do show do Edu foi muito bom. Enxerguei isso de cima do palco. Como é bom tocar um instrumento e ter o que mostrar. E as pessoas respeitando. Naquele ambiente do camarim do Edu Falaschi tinha pessoas do Helloween. Eram várias bandas representadas. Músicos europeus. O pessoal foi super legal comigo. Me senti super em casa. Isso também é um pouco da minha turma", refletiu.
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