Guilherme Arantes lembra como saiu da banda de rock progressivo Moto Perpétuo
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de novembro de 2025
Exatamente 50 anos após deixar o Moto Perpétuo, Guilherme Arantes voltou às redes sociais para revisitar um dos momentos mais decisivos - e dolorosos - de sua trajetória artística. Em um longo depoimento, o cantor descreveu sua saída da banda de rock progressivo e a guinada que o levou a se transformar em um dos nomes mais populares da MPB.

Arantes lembrou que o desligamento ocorreu em 25 de novembro de 1975, uma "mera terça-feira", como ele descreveu. A decisão, segundo o artista, foi marcada por frustração e falta de perspectivas.
"Minha saída do Moto Perpétuo havia sido traumática para mim, um desastre por absoluta inviabilidade, sem empresário, sem shows, nem perspectivas reais além de um repertório rebuscado e grandiloquente… Resolvi seguir meu caminho. Agora eu seria um cantor. Eu queria ser popular."
Sem banda e decidido a tentar a sorte como artista solo, Arantes começou a gravar demos no estúdio Pauta, um pequeno espaço mono localizado na Rua Major Quedinho, no centro de São Paulo. Lá, acompanhado apenas de um piano de cauda, registrou canções que se tornariam fundamentais em sua carreira.
"Em outubro eu gravei ali uma demo… pedi ao técnico Claudinho para fazer umas 10 cópias e fui visitar as gravadoras da época. Ouvi um monte de baboseiras… que não era comercial, que não tinha refrão, que era rock demais ou rock de menos."
Depois de uma sequência de recusas humilhantes, Arantes foi à Som Livre quase como última tentativa. Deixou sua fita com o produtor Otávio Augusto - o cantor Pete Dunaway - sem imaginar que ali começaria sua virada.
Enquanto o músico tirava férias com a família no Guarujá, o produtor mostrou a demo para um amigo baterista, ainda desconhecido do grande público: Juba, que anos depois integraria a Blitz. "Juba foi uma das primeiras pessoas, senão a primeira, a testemunhar que a Som Livre se preparava para lançar uma espécie de Elton John brasileiro. Era eu."
Poucos meses depois, viria o estouro de "Meu Mundo e Nada Mais", dando início à fase mais conhecida da carreira de Arantes - que hoje celebra meio século dessa guinada.
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